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Lucho, Lisandro, B.Alves...




Neste momento no F.C.Porto, tudo gira em torno da saída de Lucho, da pergunta sai também o Lisandro e B.Alves, continuará? No caso de EL Comandante, a saída é um facto e a questão que se coloca é quem o vai substituir. Os nomes que já vieram a público, são mais que as mães: Buonanotte, Culio, Daniel Carvalho, Maniche, Deco, Tiago, Valeri, V. der Vaart, J.Gutierrez e o mais falado de todos, Javier Pastore o jovem talento do Huracan. A minha aposta também ia para o jogador do actual líder do campeonato argentino e porquê? Tem um enorme potencial, é jovem - 20 anos - joga num clube que tem um jogador emprestado pelo F.C.Porto - Bolatti - e mais importante, o detentor do passe é Marcelo Simonian, empresário de Lucho, que podia, ao sair o ex-Nº8, "compensar" a saída, com a entrada de outro seu representado, num clube que valoriza, promove e vende bem, os seus activos. Mas, Pastore foi apenas uma miragem, uma bela miragem, infelizmente, o jovem argentino vai "pastar" para outra freguesia, com muita pena minha...Assim quem virá? Um dos nomes acima referidos, ou outro que nunca foi falado, sendo todo este corropio, apenas uma manobra para que, tranquilamente, se contrate o jogador desejado? Aguardemos, pois o regresso ao trabalho aproxima-se e as decisões têm de ser tomadas.

Lisandro
, é outro nome em foco, com o Lyon, cheio de "pasta", a preparar a ofensiva final. O F.C.Porto, resiste, mas até quando vai resistir, mesmo que não exista cláusula de rescisão e o clube possa pedir o que quiser? Se o Tetracampeão fizer finca-pé, considerar Lisandro inegociável e não o deixar sair, como ragirá o jogador? Aceitará bem e teremos o Lisandro de sempre? Ou reagirá mal - o empresário já disse que nunca renovará?
Mas se Licha sair, quem para o seu lugar? Falcão? Luís Garcia, que são os nomes que já vi citados, ou outro na mesma linha do raciocínio anterior?

Bruno,
mais um caso! Tem cláusula de 30 milhões e o Presidente parece só o deixar sair se alguém a pagar. Mas se for assim, o jogador aceitará bem - ele diz que sim, mas o pai, diz o contrário? Aqui, no caso da saída, a substituição será mais fácil dentro do campo, mas seguramente mais difícil, no balneário, já que o central é uma referência, um líder - a sua atitude na Figueira marcou a época.

Também se fala nas saídas do Cissokho, apesar dos dentes e de Helton. Aqui, confesso, a minha perocupação é menor e se no caso do lateral a situação está resolvida com a entrada de Álvaro Pereira, no caso do guarda-redes, falta saber se Beto é capaz, ou se vem mais alguém, como já vi na C.Social.

Resumindo: não é fácil, não é mesmo nada fácil, a posição da Sad, perante estas situações, mas isto também é um sinal positivo, um sinal que o F.C.Porto tem jogadores valorizados, pretendidos e isso também abre portas, que às vezes julgavamos impossíveis.
Aconteça o acontecer, saia quem sair, quero manifestar todo o apoio a quem dirige, na certeza que vão, como sempre, encontrar as melhores soluções, para que o F.C.Porto continue na sendo do êxito.

Tal como já disse, mas volto a repetir: podemos não ganhar, mas temos de ter sempre condições para lutar pelas vitórias.

Ah, já me esquecia: logo que vim de férias comprei o lugar anual. Não fico à espera do que vai acontecer para renovar o meu lugar.

Porque não fala das gordinhas e dos gordinhos?



Fernando Póvoas À TVI 24: «O F.C. Porto forçosamente tem que vender algumas das pérolas. Desta vez foi o Lucho, se calhar podem seguir-se mais».

O F.C.Porto tem uma política de comunicação definida, só diz o que tem a dizer e normalmente, fá-lo através do site do clube, com a excepção a ser, quase exclusivamente, o Presidente. Fernando Póvoas, que não tem nenhuma função na Sad - é apenas director do clube -, mas está sempre mortinho por aparecer e ter protagonismo, falou do que não devia e meteu a foice em seara alheia, sem que ninguém lhe encomendasse o sermão. Aliás, já não é a primeira vez que o faz... Ainda não tinha tomado posse, como director do clube e já deitava faladura, como se pode constatar no post:Ainda não entrou e já falou demais. Viria a repetir a façanha, passados tempos: O Dr. Póvoas voltou a falar de mais... E mais tarde, a propósito de Quaresma, voltou a repetir a gracinha, merecendo até um comunicado da Sad, no site do Clube. As luzes da ribalta têm um encanto a que o dietista não resiste, mas já chega de falar do que não deve e deixar para quem de direito, as questões do futebol portista.
No F.C.Porto os papagaios têm vida curta e o Dr. que trata dos gordinhos e das gordinhas, não deve passar de Abril...

No circo da Luz, brilha o caniche de Vieira


" O Benfica é um circo!", esta frase, célebre, dita por Artur Jorge em 1995, mantem-se actualizadíssima, passados 14 anos. É um circo foleiro, parolo, cheio de artistas de baixo nível, mas um circo. Nesse circo há de tudo, mas a grande atracção, aquele que leva as multidões ao delírio, é o caniche de Vieira. Nas eleições, Moniz entrou, mas logo saiu, no entanto, o caniche atirou-se logo ao Director Geral da TVI, dizendo entre outras coisas, que ele chegou a não pagar quotas durante 31 anos - no dia seguinte, lá veio o dono do caniche confirmar, que sim senhor, era verdade. Mas era preciso mais, Vieira tinha de aparecer não como uma espécie de Hugo Chavez - obrigado, Caetano, do Blog Zé do Boné e M.S.Tavares -, mas como um génio, que perante a ameça da invasão espanhola - hi, hi, hi, hi, -, antecipou as eleições e matou o golpe. Logo o caniche puxou pela imaginação?! e inventou um filme, que o Botelho, um dia destes, vai realizar: "Vieira, o Nuno Álvares Pereira da Luz".
O Benfica, clube que vive do passado, fiel à sua tradição, contrata jogadores do passado, mas com pouco presente e nenhum futuro - Aimar, Saviola...-, mas mais uma vez, lá vem o caniche elogiar o dono e dizer que é uma grande contratação. Vieira, que tem responsabilidades no futebol do Benfica há mais de 8 anos - 6 como presidente e 2 como responsável pelo futebol, no tempo de Manuel Vilarinho -, que investiu dezenas de milhões de euros durante esse tempo, sem grande sucesso, diz: " agora é que vai ser, agora é o tempo de apostar na vertente desportiva!". O cachorrinho, como não podia deixar de ser, lá veio, abanando o focinho, confirmar e apoiar, o que diz o dono. Ainda ontem o ouvi.
Mas onde a vassalagem e a fidelidade, do cãozinho ao dono, mais se faz sentir, é quando o caniche se cala e fica quietinho, perante a forma como Vieira trata referências do Benfica. Uns são filhos, outros enteados: o rei dos tremoços, tem tratamento VIP, não lhe falta nada é tratado nas palminhas das mãos, José Torres, que está gravemente doente, é ignorado, como é exemplo a homenagem que lhe foi prestada em Tomar, onde Gilberto Madaíl, esteve presente em nome da FPF, mas o Benfica, mais uma vez, não se fez representar.
Meus caros amigos, a partir de Agosto, o circo vai passar a ambulante, vai percorrer o país e fazer muito barulho. Comprem muito algodão ou um parelho para tapar os ouvidos, pois os latidos do caniche e o barulho do Ventoínha, vão ultrapassar muito, os limites permitidos por lei...Como em Portugal tudo é permitido ao clube do antigo e novo regime - sem ninguém ter dito nada a criticar, o Ministro da Administração Interna, despiu a "farda" e foi apoiar o Vieira. Onde estão aqueles que se atiraram ao Dr. Fernando Gomes? -, a gritaria não vai parar...

Os cábulas


Nos meus tempos de estudante, tive uma professora - de quem guardo óptimas recordações -, que depois da matéria muito bem explicada; com vários exemplos práticos, chamadas ao quadro, para que os alunos mostrassem que tinham percebido e a famosa pergunta: alguém tem dúvidas?, perdia a paciência com aqueles, que depois nos exercícios erravam em quase tudo. Chamava-lhes cábulas.
Lembrei-me dessa minha professora de Matemática, a propósito das questões das entradas e saídas, de jogadores, no F.C.Porto. Todos os anos é a mesma história: os exemplos sucedem-se e os mesmos, cometem sempre os mesmos erros. Saíram o Pepe e o Anderson, aqui-del-rei, que os "bandidos" da Sad estão a dar cabo do plantel, assim não vamos a lado nenhum. Quem foi o Campeão? F.C.Porto, claro! Saíram no ano seguinte, o Quaresma, o Bosingwa e o desertor do Paulo Assunção - vai pagar caro essa deserção! -, e lá veio a mesma lengalenga. Chegou o Hulk e o que disseram muitos? Limitaram-se a brincar com o nome do jogador, não deram o benefício da dúvida e acharam um escândalo, 5,5 milhões de euros por 50% do passe - alguns desses, sem vergonha o sem pudor, já vieram criticar os responsáveis portistas, por não terem comprado a totalidade do passe, esquecendo-se que num negócio, há duas partes a negociar e o outro lado também sabia o que estava ali e não ia dar o "ouro ao bandido". Mas quem ganhou? Pois, foi outra vez o mesmo...Agora já se está a passar a mesma coisa com as possíveis saídas, em particular a do Lucho. No post anterior já disse o que tinha a dizer sobre o assunto e não retiro uma vírgula: 17 milhões é um excelente negócio para um jogador de 28 anos e disse, mas volto a repetir, se o argentino sair, outro entrará e rapidamente, El comandante passará à história, como passaram todos os que sairam antes dele e todos os que sairão no futuro. É esta, há mais de 25 anos, a política desportiva do F.C.Porto presidido por Pinto da Costa, e é, ninguém tem dúvidas, uma política de sucesso. Ainda bem que o F.C.Porto é dirigido de dentro para fora e não cede a pressões, nem a máquinas de propaganda, tão pouco, contrata jogadores para fazer grandes parangonas...Se os cábulas não perceberem, depois de tantos exemplos, ano após ano, vão acabar virados para a parede, que é para definitivamente, aprenderem...Mas eu acho que eles nunca aprendem...E tudo vai voltar a ser igual na época seguinte, pois um cábula é sempre um cábula!
O que é curioso, é que quando começa a cheirar a título, os primeiros a fazer a festa, a deitar os foguetes e a apanhar as canas, são os que mais bocas mandaram no início da época. Nós os outros, divertimo-nos muito a ver as figurinhas ridículas que alguns fazem!...

Estou de volta...



Olá pessoal, estou de volta!
As férias foram óptimas: o tempo esteve magnífico, com muito sol, calor, ausência de vento, e a água, sempre com a temperatura ideal. Depois, a tranquilidade de Pedras del Rei, junto com a excelência da praia do Barril - das melhores do Algarve, digo eu que conheço muitas, do Sotavento ao Barlavento - com a originalidade de se poder chegar à praia de comboio!, fizeram o resto e ajudaram a que o Dragão esteja de pilhas recarregadas, pronto para começar a chamuscar.
Uma palavra de agradecimento ao meu amigo Fernando Oliveira: sem a sua amizade e consideração, seria difícil passar umas férias tão boas. Os meus agradecimentos!
Uma palavra de agradecimento, também, a todas as amigas (os), que me desejaram boas férias.

Fui acompanhando atentamente o que se está a passar no panorama desportivo, em particular no F.C.Porto, mas sem esquecer os nossos principais rivais - mais os vermelhos -, que merecerão um post nos próximos dias.

Pedro Emanuel terminou a carreira, mas continua ligado ao F.C.Porto. Quando ingressou no nosso clube, confesso, torci o nariz e lembro-me, de muitos portistas que conheço, terem feito o mesmo. Dou a mão à palmatória: Pedro foi um grande jogador, um profissional de mão cheia e na parte final da carreira, um capitão não ficou nada a dever aos capitães de referência do F.C.Porto. Vai treinar os Juvenis - actuais Campeões nacionais - e vai ser como treinador, o mesmo que foi como jogador. Do seu discurso sereno, mas esclarecido, da sua filosofia de estar na vida e na profissão, muito vão beneficiar os jovens azuis e brancos, que vão sair das mãos do Pedro, muito melhores jogadores e homens.

A transferência de Cissokho, que eu ia catalogar como a melhor de sempre - apesar das extraordinárias transferências que o F.C.Porto já fez -, abortou e abortou, não por causa dos dentes, mas porque o Milan não foi um clube sério, honrado, e arranjou uma desculpa esfarrapada, um pretexto, para não cumprir o acordo. A reacção portista ao acontecimento, em comunicado publicado no site, pareceu-me branda de mais, demasiado formal. As posteriores declarações do Presidente, colocaram as coisas no devido lugar e disseram a todos, que com o Dragão não se brinca.
Tenho noção que o jogador, psicologicamente, não vem nas melhores condições, mas encontrará no F.C.Porto, muita gente pronta a ajudá-lo, a fazê-lo esquecer e a dizer-lhe, que ainda é jovem, está num grande clube, muito a tempo de se transferir... Se continuar a trabalhar com profissionalismo, determinação, empenho, ouvindo e aprendendo, crescendo enquanto homem e profissional, porque tem valor, mais tarde ou mais cedo, sairá e rir-se-à na cara dos dirigentes italianos, que brincaram de uma maneira ignóbil, consigo.

Dizem os jornais que Lucho vai sair. El comandante foi um óptimo profissional e um jogador em destaque, nas temporadas, 4 épocas, em que serviu o Tetracampeão. Se sair, como é óbvio e desde que não interfira com os interesses do F.C.Porto, desejo-lhe os maiores sucessos, felicidades e ponto final. Não vou ficar a chorar e a lamentar-me, pela sua saída, até porque já me habituei, de há muitos anos a esta parte, a perceber, que os jogadores gostam todos muito dos clubes, passam a vida a fazer juras de amor e a beijar o emblema, mas basta aparecer outro que lhes dê mais e lá vão eles, nem que para isso andem de cavalo para burro, como é manifestamente o caso. O campeonato português não é, longe disso, brilhante, mas não fica nada a dever ao francês e F.C.Porto em relação ao Marselha, é uma diferença como da água para o vinho. Mas o argentino vai, se sair, ter a oportunidade de verificar isso...

Mais duas notas acerca deste assunto: se o Nº 8 portista sair de facto, tenho a certeza que o substituto, rapidamente o fará esquecer.
Lucho chegou ao F.C.Porto com 24 anos e custou à volta de 11 milhões de euros. Depois de ter dado um excelente rendimento desportivo, é transferido com uma boa margem de lucro, aos 28 anos. É um belíssimo exemplo de política desportiva correcta e deve ser sempre o caminho que os responsáveis portistas devem seguir.

Nas modalidades, o Hóquei conseguiu mais uma vez, a dobradinha. É aquela máquina! Oxalá o Andebol - vai começar a final da Taça - possa seguir-lhe o exemplo.

Encerrado para férias. Regresso previsto para 1 de Julho



Meus caros amigos, o ano desportivo foi difícil, com muitas lutas, muito trabalho, muitas canseiras...Foi preciso abater os abutres e lançar muito fogo. O Dragão está cansado, sem chama, precisa de férias. Assim, e até ao fim do mês, estarei a banhos no sul do país. Regressarei no início de Julho com a chama recuperada e pronto para mais uma época, que como todas - ninguém nos dá nada de barato -, exigirá de nós, todo o empenho, entusiasmo e dedicação.
Levo o portátil, mas só o utilizarei num caso extremo...Ah, os passarinhos ficam por cá atentos e prontos a fazer-me chegar qualquer novidade, porque, mesmo de férias, um Dragão que se preze, está sempre ligado ao seu clube.
Um grande abraço

No post 500, algumas das razões para o nosso sucesso



Um anónimo deixou na caixa de comentários parte de um trabalho do DN, sobre o F.C.Porto, que me chamou a atenção. Fui ver e pela importância, acho que todo o trabalho merece um post.
É o post 500 e nada melhor para comemorar o meio milhar, que mostrar algumas das razões porque o F.C.Porto ganha. A este trabalho falta acrescentar a paixão, o apoio entusiástico e a cultura de exigência, de uma massa adepta cada vez maior, que não permite distrações.

As peças jornalísticas são de autoria de Francisco José Marques.

Parte 1: A máquina de ganhar do FC Porto

Poucos mandam, mas os que mandam têm uma paixão incrível pe-lo clube. Uma viagem ao interior do tetracampeão nacional através da qual se percebe como funciona ao sabermos como foi contratado o brasileiro Hulk.
Um grupo reduzido de quadros, a maioria deles na fronteira dos 40 anos, uma paixão pelo clube a roçar a religião e uma fé inquebrantável na liderança de Pinto da Costa são os segredos da máquina de ganhar do FC Porto.
José Eduardo Bettencourt, candidato à presidência do rival Sporting, não teve dúvidas em transformar em slogan de campanha o modelo do tetracampeão FC Porto, que diz querer replicar em Alvalade.
"Ao contrário do que as pessoas pensam, a estrutura do FC Porto é muito simples", diz Jesualdo Ferreira, que destaca um conjunto de pessoas a "obrigar a que as coisas evoluam permanentemente" e que os "jogadores e treinadores beneficiam das condições proporcionadas pela máquina do clube".
Mas então porque ganha tantas vezes o FC Porto? Esta é uma viagem ao interior do FC Porto, em que o protagonismo não é de Bruno Alves, de Lucho González, de Jesualdo Ferreira, de Pinto da Costa ou da administração da SAD, mas de um grupo de quase anónimos executivos que têm a missão de dotar a equipa das ferramentas para continuar a ganhar.
Mais do que a lenda de tudo funcionar em circuito fechado, ou de um sem número de segredos mais ou menos bem guardados, o FC Porto é hoje uma organização direccionada unicamente para a vitória, em que a equipa profissional de futebol é cliente de uma estrutura encarregada de fornecer todos os produtos necessários à vitória, sejam eles a transferência de um jogador que reforce a equipa, a aquisição de uma nova máquina para o departamento médico, a contratação de uma ama que cuide de um filho de um jogador durante a noite para que o descanso do atleta não seja perturbado, ou até a existência de um director de cena para que nos jogos em casa tudo o que não tem a ver com o que se passa dentro das quatro linhas decorra como seguindo o guião de uma peça de teatro.
No Verão passado, a SAD do FC Porto anunciou, através de comunicado enviado à CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), a contratação de Hulk. Na altura, a notícia só não passou despercebida porque o FC Porto estava disposto a pagar cinco milhões de euros por metade do passe de um desconhecido com nome de super-herói que jogava na longínqua e sem sex-appeal liga japonesa. Um campeonato depois, Hulk foi unanimemente considerado a revelação da Liga, contribuiu para mais um título e será seguramente uma das grandes transferências do clube depois de ajudar na conquista de mais alguns troféus.
Mas a história da contratação de Hulk começou dois anos antes, quando um dos mais importantes quadros do clube passava noites sucessivas a observar jogos dos campeonatos do Japão e da Coreia, à procura de um jogador oriental que pudesse integrar o plantel da equipa profissional, como titular, para permitir ao clube beneficiar das receitas geradas pela exposição do clube ao rico mercado do Extremo Oriente.
Esse jogador nunca chegou, mas foi no meio dessas sucessi- vas observações que foi detectado o talento de Hulk, enviado um emissário para o observar in loco e posteriormente assinado o contrato, depois de passar os sucessivos filtros do clube, processo completado ao fim de quase duas épocas desportivas.

Parte 2: Jogadores só pensam em futebol

O Gabinete de Apoio às Famílias é uma das maiores inovações do FC Porto e um bom exemplo do nível de excelência a que chega o objectivo de que os jogadores se centrem apenas no rendimento que apresentam nos treinos e nos jogos.
O gabinete destina-se unicamente à equipa profissional e tem por atribuição tratar de tudo o que diga respeito às famílias. Escolher casa quando chegam ao clube, entrega de carro, escolha de colégio para os filhos, ligação de água, electricidade, gás, ligação de TV com os canais do país de origem são só uma amostra do que o clube assume, para que nada possa obstar ao rendimento desportivo.
Mais importante é o apoio que é prestado quando há alguma coisa que impede um jogador de render o máximo. Um filho bebé que chore muito durante a noite perturba o sono do atleta e para que isso não aconteça o Gabinete de Apoio às Famílias envia uma ama para passar a noite com a criança, de forma a que o jogador possa dormir normalmente e no dia seguinte encontrar-se em condições ideais para treinar.
E foi nesta última época que foi criado um sistema de piquete, que faz com que através de uma simples chamada telefónica seja activado o serviço necessário para acudir a qualquer imprevisto, desde um simples canalizador a um médico, 24 horas por dia.
O clube considera que tem a obrigação de proporcionar todas as condições à equipa profissional, mas depois exige dedicação máxima a todos os jogadores.

Parte 3: Os homens do presidente que também dão vitórias

O episódio da contratação de Hulk (ver peça na página ao lado) ilustra uma das principais características do actual FC Porto: a informação. Ter acesso à informação é quase uma obsessão da nova geração de quadros que hoje assume as funções executivas no futebol do clube, com o director-geral Antero Henrique à cabeça.
Gerir a informação - seja pela constante observação dos adversários, dos potenciais futuros jogadores do clube, seja pela adopção das mais modernas técnicas médico-desportivas que fazem com que seja o clube europeu com menor taxa de lesões nos últimos dois anos - são só alguns exemplos da estrutura do futebol dos dragões.
Antero Henrique, aos 41 anos, é ao mesmo tempo o cérebro e o operacional de toda a máquina de ganhar do futebol portista. Director-geral há quatro épocas, as do tetra, transmontano de Vinhais que fez todo o percurso profissional no FC Porto, desde a revista dragões, onde se iniciou em 1989, e que não gosta que se saiba que o primeiro carro que o clube lhe entregou era vermelho, Antero Henrique aplicou à equipa profissional a máxima de que o cliente (a equipa) tem sempre razão. Toda a estrutura e todos os sectores do clube são fornecedores da equipa profissional, que tem depois a obrigação de pagar os "mimos" com títulos.
Jesualdo Ferreira, que instantes após a conquista do tetra agradeceu publicamente o trabalho de Antero Henrique, diz que o "objectivo é que a estrutura seja sempre mais ágil e simples". "A palavra é simplicidade e nisso o Antero é fundamental", explica.
Com a figura tutelar de Pinto da Costa como referência, Antero Henrique rodeou-se de uma série de quadros que lhe reconhecem liderança, criatividade e inteligência. A todos exige traços em comum: jovens que viveram na adolescência as primeiras grandes vitórias do clube na década de 80 do século passado e têm de ser muito bons na sua área específica.
Acácio Valentim, de 33 anos, é o team-manager da equipa profissional e é um bom exemplo do caldo de cultura do FC Porto. É dele a responsabilidade para que nada falte à equipa e é a ele que cabe fazer a ponte com todos os outros sectores, gerindo o dia-a-dia do plantel profissional. Valentim chegou ao clube no final da década de 90 para um estágio profissional, mas acabou por ficar no departamento de comunicação. Depressa se constatou que o que lhe faltava em conhecimentos futebolísticos lhe sobrava em organização e capacidade de trabalho. Hoje é ele que responde a todas as necessidades da equipa e não há jogador que se atreva a pôr em causa a autoridade do team-manager.
O ex-jornalista Rui Cerqueira, de 37 anos, responsável pelo departamento de comunicação, chegou ao clube há apenas três anos, mas não teve dificuldade em integrar-se numa equipa em que o protagonismo é deixado aos jogadores e treinadores. Cerqueira nunca deu uma conferência de imprensa, nunca foi porta-voz de nada nem de ninguém, mas nunca houve jogador ou treinador que fosse para uma entrevista ou uma simples conferência de imprensa sem ter passado pela preparação com o director de comunicação, que zela para que toda a gente fale a uma só voz e que a imagem do clube não seja beliscada por declarações dissonantes.
A noção do "objectivo comum" e a paixão ao FC Porto levam às vezes a episódios caricatos, como quando Rui Cerqueira pedia o despedimento de uma das novas estrelas da equipa, porque tinha cometido o pecado de falar a um jornal do seu país de origem sem autorização: "Despede-o, despede-o", gritava Cerqueira...
Menos conhecido e com funções quase secretas, Luís André, de 38 anos, é o psicólogo do futebol. Além do acompanhamento de todos os profissionais do clube, André ajuda a equipa técnica e a equipa médica na avaliação dos jogadores. E foi dele o parecer que aconselhou a que fosse accionada a opção do contrato do sempre ansioso Mariano González no final da temporada passada, dizendo que o atleta tinha finalmente condições para efectuar uma boa época.
O nutricionista Vítor Hugo é outra das peças-chave para o bom funcionamento da equipa, com um acompanhamento permanente na alimentação dos jogadores, para que estes comam o que gostam mas também o que o organismo de um atleta de alta competição necessita. O uruguaio Rodríguez é disso um bom exemplo. Quando chegou ao Dragão, vindo do Benfica, era mais lento, menos resistente e, acima de tudo, com menos capacidade de explosão. Um programa alimentar fê-lo perder seis quilos em meia época, tornando-se desde Janeiro um dos jogadores mais determinantes da equipa.
O economista Urgel Martins, de 35 anos, é outro dos quadros desconhecidos do grande público mas que desempenha um papel fundamental, seja na execução orçamental - é uma espécie de consciência, de grilo falante, que diz até onde se pode ir -, seja na coordenação no Visão 611, o projecto que reestruturou todo o futebol do clube logo a seguir à época falhada de 2005.
Com responsabilidades no departamento de scouting, João Afonso, de 42 anos, fecha o grupo de quadros mais jovens. Afonso tem como missão coordenar e acompanhar o extenso grupo de observadores do clube, tanto em Portugal, como no estrangeiro.
Nelson Puga, de 49 anos, é muito mais do que o médico do FC Porto. Ex-atleta do clube em voleibol, Puga alia o conhecimento médico à fisiologia, decisivo numa equipa profissional, e a uma paixão ao clube quase inimitável - na noite anterior à final de Gelsenkirchen não deixou Mourinho ir dormir enquanto o treinador não lhe disse que o FC Porto era 51% favorito.
A responsabilidade de Puga não se esgota na área médica. O lateral Cissokho, por exemplo, chegou ao Dragão sem saber respirar em esforço e corria curvado, aspectos que foram rapidamente corri-gidos e, menos de dois meses depois, o inexperiente lateral francês corria direito e com um fôlego sem fim, até na Liga dos Campeões.
Luís Castro (47), responsável pelo departamento de formação, Luís Gonçalves (53), que lidera o departamento de scounting, e Vítor Frade (64), metodólogo de todos os escalões e responsável pela ponte entre o clube e a Universidade do Porto (é também professor na Faculdade de Desporto) fecham o núcleo duro que gravita em torno de Antero Henrique.

Parte 4: Uma revolução chamada Visão 611

Visão 611 é o nome do projecto de reestruturação de todo o futebol do FC Porto que está em curso desde 2006 e que se extinguirá em 2011 e que é hoje uma das forças motrizes do clube.
Normalmente visto como um projecto para os escalões de for-mação e só a ele destinado, o Visão 611 (o nome advém de se ter iniciado no ano 6 do século XXI e terminar no ano 11) revolucionou e modernizou toda a estrutura do fute- bol e tem como único destino potenciar a equipa profissional.
Rendimento, desenvolvimento e recrutamento são as três palavras--chave, cada uma delas ligada às três áreas do futebol do clube - equipa profissional, escalões de formação e departamento de scouting (contratação de jogadores).
Desde que foram implementadas estas novas políticas, a equipa profissional venceu todos os campeonatos, tem vindo a melhorar o aproveitamento na Liga dos Campeões e tem rentabilizado de forma notável alguns investimentos no mercado de transferências.
O primeiro mérito foi o clube ter percebido que precisava de mudar. Tudo aconteceu na época de ressaca das vitórias de Sevilha (Taça UEFA) e Gelsenkirchen (Liga dos Campeões), no ano de 2005, quando a equipa perdeu o único campeonato nos últimos sete anos, tendo conquistado a Taça Intercontinental e a Supertaça nacional.
Como numa qualquer empresa, saber mudar quando as coisas ainda estão a correr bem é quase sempre a melhor forma de manter o sucesso e é também por isso que dentro de dois anos se iniciará nova etapa, já em fase de planeamento. Antecipar é outra das palavras caras no vocabulário do FC Porto, única forma que internamente se diz ser possível para manter o clube na frente em Portugal e visto como um exemplo internacionalmente.
Rendimento é o que se exige à equipa profissional e para isso o clube decidiu colocar todos os recursos ao serviço do plantel e equipa técnica. Todos os departamentos trabalham para a equipa - ao scouting, por exemplo, cabe dar resposta às debilidades do plantel. Isso faz-se através da criação de equipas-sombra, constituídas por jogadores de outros clubes e que cumpram os requisitos para jogar no FC Porto, quer do ponto de vista de qualidade quer do ponto de vista de preço de transferência. Foi assim que Sapunaru foi a escolha óbvia quando Bosingwa foi transferido para o Chelsea. Não por ser o melhor lateral-direito do mundo, mas por o departamento de scouting, liderado por Luís Gonçalves, engenheiro de formação, mas há vários anos profissional do clube, o indicar como o mais indicado para a bolsa do clube.
O lateral-esquerdo Cissokho é outro jogador contratado depois de um percurso meteórico dentro das equipas-sombra, bastando-lhe meia época para convencer o FC Porto a garantir um jogador para a posição em que a nível mundial é mais difícil encontrar atletas de qualidade gastando pouco mais de 300 mil euros.
Desenvolvimento é o que está mais directamente ligado à formação de novos jogadores. Em 2006 houve uma mudança radical na forma de trabalhar e os resultados só devem começar a surgir na plenitude dentro de seis, sete anos. Para já, as equipas de sub-14 e sub--13 são a coqueluche do Vitalis Park, na Constituição, pela qualidade e estilo, um dos primeiros traços de um futuro a médio prazo que se começa a desenhar no FC Porto.

Calma, tranquilidade e confiança


Como já anda por aí, muita gente a ferver em pouca água, mesmo tendo prometido não falar de entradas e saídas, caro ou barato, devia entrar este e sair aquele, etc., resolvi dizer umas coisitas.

É óbvio, que, com a contratação de C.Ronaldo pelo Real Madrid, o mercado vai agitar-se e muito. O Manchester não vai ficar quieto - fala-se em Benzema e Ribery... - e isso pode ter o efeito dominó e atingir alguns clubes, nomeadamente aqueles com menos capacidades económicas e financeiras. Os jogadores do F.C.Porto, muito valorizados, são um alvo apetecível. Ele é o Lisandro e o Cissokho para o Lyon, o Meireles para o Sevilha, ou junto com o Lucho para o Marselha, assim como já há propostas, dizem, superiores a 35 milhões de euros pelo Hulk e pelo que se ouve e lê, a certeza, B.Alves no Barcelona. Estou quase a ir de férias e posso dizer-vos, vou tranquilo. Confio na capacidade e na experiência, de quem dirige o F.C.Porto, assim como tenho não tenho dúvidas, o Tetracampeão, na época 2009/2010, como acontece de há muitos anos a esta parte, lá estará com um plantel que dará todas as garantias para lutar por objectivos, que como sempre, serão altos.

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