Não vou na história do novo Martim Ødegaar, essas comparações não são boas, criam expectativas muito altas, só prejudicam.
É este o caminho, esta deve ser a regra, mas todas as regras têm excepções...
Ao mesmo tempo que se olha para dentro, se valoriza o que cá temos - exemplo os nove jovens da formação que vão trabalhar com a equipa principal na pré-época, ver os nomes na foto - e se criam melhores condições para potenciar o talento made in FCP, é preciso ter um scouting atento, preferencialmente à juventude, mas não só, que existe por esse mundo fora. Sim, de maneira que se possa chegar a tempo, antes que os tubarões do futebol europeu - tubarões no sentido de capacidade financeira -, já que se não fora isso não há assim muitos melhores que o FCP. Digo melhores e não digo maiores, porque, como se vê pelo exemplo português, a grandeza não é qualidade. Esta deve ser a regra, mas todas as regras têm excepções e aproveito a contratação deste jovem norueguês, Eirik Granaas https://www.ojogo.pt/.../veja-como-joga-eirik.../18096592 -, para deixar a minha opinião sobre um frenesim que decorreu entre a nação que torce pelo FCP após a declaração de Robert Lewandowski sobre o futuro: «Posso jogar numa liga inferior e aproveitar a vida»
Esta declaração do internacional polaco foi interpretada como um sinal que podia ser no FCP e motivou discussão entre muitos portistas, com uns a aceitarem e achar que seria uma grande aquisição. Outros que não faz sentido contratar um jogador que vai fazer 38 anos, é muito caro, não tem nesta altura a disponibilidade física e mental para o futebol de Francesco Farioli que obriga os avançados a pressionar, trabalhar muito na ajuda, capacidade para atacar a profundidade, por exemplo. Lewandowski, dizem, não tem essas características e já não está para aí virado. Façamos de conta que AVB não tinha sido claro no desmentido, dizendo que o FCP não tem capacidade financeira para chegar ao avançado polaco e analisemos.
Vamos lá ver.
Como disse o presidente faz algum tempo, para além de outras fontes de receita, há três que são fundamentais. As receitas dos contratos televisivos, participação na Champions League e transferências de jogadores. Ora, neste último item, como disse, a regra tem de ser formar e contratar bem e aqui, preferência a jovens jogadores - daí o elogio à contratação de Eirik Granaas -, valorizar e transferir com mais valias. Também como referi, todas as regras têm excepções. E há casos em que se contratam jogadores que pela sua idade apenas se espera que tenham rendimento desportivo. Há vários exemplos, os últimos são Luuk de Jong e Thiago Silva. Portanto, para mim, sem loucuras, dentro de valores que o FCP já pratica, se Lewandowski - ou outro nas mesmas condições -, ainda estiver disponível para um clube exigente e para os sacrifícios que o campeonato português exige - não terá a exigência dos cinco campeonatos mais fortes, mas não é fácil, um passeio no parque jogar em alguns campos e frente a equipas que não arriscam nada -, então venha ele. No caso de Lewandowski ainda seria capaz de marcar mais de vinte golos, seria uma clara mais valia para o FCP e para o campeonato português. Ao nível de Iker Casillas que, é a minha opinião, não foi aproveitado no seu prestígio como devia, principalmente fora dele.
É este o caminho e este caminho permite dizer o seguinte: quando a grande maioria que não torce pelo FCP - não falemos dos outros... -, já prognosticava uma longa travessia de deserto, o regresso dos "Andrades", um FCP fraco, inofensivo, incapaz de incomodar, discutir títulos, que não ia contar nos anos mais próximos, azar, saiu-lhes um Dragão forte, dominador, poderoso, de chama alta, ganhador.
A melhor forma de analisarmos o significado deste Porto campeão total, seniores, juniores, juvenis e iniciados, são, por um lado, o incómodo causado nos peões de brega, freteiros, recadeiros, cartilheiros e afins, por outro, as loucuras que os nossos principais rivais estão dispostos a cometer para discutir com os Dragões os títulos nas provas internas da próxima época - Sporting já gastou mais de 60 milhões, Benfica li, "Rui Costa tem 190 milhões para reforços".
A entrevista de AVB ao Jogo, JN e TSF:
O FC Porto, no ano passado, fez o maior investimento da história, ao gastar 100 milhões de euros em reforços. Este ano vai gastar tanto como no ano anterior?
- Foi uma revolução necessária, uma injeção clara de talento e uma aposta que o FC Porto precisava de ter. O nosso primeiro desafio, como vocês bem sabem, foi a realidade económica, época 24/25, que nos permitiu um encaixe financeiro também considerável, mas que nos obrigava de novo a refazer a equipa para a época de 25/26 e reinvestir no talento da equipa. Portanto, foi um mercado histórico, sem paralelo na história do clube, mas absolutamente necessário para quem queria ser candidato ao título. Acho que se tivéssemos chegado ao fim da época 25/26 e o FC Porto não tivesse sido campeão nacional, é porque não tinha feito bem o seu trabalho ao nível de renovação e investimento no plantel. Portanto, uma revolução profunda, mas absolutamente necessária, que nos dá agora bases para atacar o mercado de outra forma. É importante ter consciência de que a realidade económica do FC Porto não está totalmente resolvida. Claro que a sua dívida foi prolongada a longo prazo, digamos assim, mas temos responsabilidades financeiras. Temos sempre uma responsabilidade financeira enorme da qual não podemos escapar. Neste momento, trabalhamos a partir de outra base, uma base que não tínhamos no ano passado. Uma base boa, em que queremos manter os melhores talentos na equipa principal e reforçá-la em pontos estratégicos identificados pelo treinador. Não irá ser um mercado de 100 milhões, claro está, porque estas bases nos permitem olhar para o mercado de uma forma diferente e também muito mais ponderada.
E nessa perspetiva consegue garantir também a permanência desses principais jogadores ou está sempre sujeito aos interesses do mercado?
- Sim, sempre sujeito aos interesses do mercado, que neste momento se comporta de uma forma muito específica, também pelo acontecimento do Mundial. O FC Porto, para ser competitivo, tem de tentar manter a sua base. É claro que os clubes portugueses têm necessidade imediata de tesouraria e de caixa, porque têm de fazer face aos seus compromissos e ter fluxos de caixa suficientes que façam face a esses compromissos, desde logo os salários e pagamentos a clubes, pagamentos também de transferências anteriormente feitas. E é por isso que somos sempre obrigados a mexer o mercado. Nesta fase não temos nada em concreto pelos nossos jogadores, o que nos dá uma base boa e proteção, mas temos de ter consciência de que é preciso criar esses fluxos de caixa para nos mantermos sustentáveis durante a época, do ponto de vista das nossas obrigações.
Há algum alvo preferencial que o FC Porto tenha identificado em termos de contratações?
- Sim, muitos alvos, muitos deles referenciados. Acho que sobretudo o mercado desta fase, o mercado de junho e julho, é o mercado mais caro e é onde a maior parte dos clubes se protege relativamente aos seus ativos e pede quantias mais avultadas. Este é um mercado que normalmente se promove mais tarde. Por conta das entradas de novos treinadores, por conta dos inícios das pré-épocas, por conta também dos inícios das escolhas desses próprios treinadores, por conta das necessidades de fluxos de caixa de outros clubes. Portanto, diria que é um mercado que se agitará em agosto, nas semanas finais de agosto, onde os clubes têm necessidades imediatas mais prementes e então ativam-se no mercado de outra forma. Isto às vezes é limitativo dos ideais de um treinador que normalmente quer começar uma pré-época com um plantel totalmente disponível e já totalmente feito. No entanto, também não podemos deixar de pensar na forma como atuamos no início desta época, 25/26, e ter em consideração que alguns jogadores do FC Porto também chegaram mais tarde, desde logo o Kiwior, que chegou no último dia da janela de transferências.
Olhando para esse equilíbrio do plantel, há setores da equipa que o preocupam mais? A defesa, o meio-campo, o ataque?...
- O que marcou a época foi a lesão dos seus dois pontas-de-lança mais distintivos. Um representa a maior transferência de sempre feita por um clube português, que é o Samu; e no outro caso, o de Luuk de Jong, a transferência surpresa dos Países Baixos para o campeonato português de um jogador referência do futebol europeu. Portanto, essas lesões limitaram o FC Porto, obrigaram-nos a ir ao mercado em antecipação com a chegada do Terem Moffi. Neste momento, temos projetado o Samu para estar em pleno das suas capacidades físicas e desportivas para inícios/meados de novembro. Há uma série de responsabilidades de calendário nacional e calendário europeu para os quais o FC Porto, neste momento, tem apenas duas opções, o André Silva e o DeniszGul.
É aí que aparece o Lewandowski...
- É aí que aparece o Lewandowski fabricado pelos sonhos dos adeptos...
E não entrou aí também o sonho do presidente?
- Partir do pressuposto de que, por termos três polacos, isso seria suficiente para convencer um dos melhores jogadores do Mundo e um dos jogadores mais caros, em termos salariais, e que, tanto quanto sei, está hoje [sexta-feira] mesmo a assinar pelo Chicago Fire...
Está fora, portanto...
- Sim, sempre esteve fora. É sempre bom sonhar com grandes chegadas. O que não podemos ter é delírios que impeçam a sustentabilidade financeira do clube.
Farioli, enquanto treinador vencedor, conseguiu potenciar vários jogadores. Que papel é que tem hoje o treinador no êxito da equipa e que perspetiva é que tem para a próxima temporada, com a fasquia tão alta?
- Fora a parte que está relacionada com tudo o que é o seu âmbito técnico e específico e a liderança, a motivação dos jogadores e o trabalho diário, está o homem que se relacionou com a estrutura do FC Porto como ninguém. Desde logo com o Tiago Madureira, com o Henrique Monteiro, com o scouting, com as diferentes estruturas de apoio, com a performance, com a área médica, com a nutrição. Um grande e forte gestor de homens e de recursos humanos e, evidentemente, de jogadores, que nesta época também se transcenderam e que assimilaram as ideias do treinador como ninguém. Que o souberam respeitar e que souberam implementar em campo as suas ideias, traduzindo-se num FC Porto atrativo e pressionante, que defende e honra os pergaminhos do clube.
É o líder certo da "famiglia portista", como ele próprio a classificou?
- Sim, sem dúvida. O líder certo da família é um conceito que ele próprio criou, que abraçou. E que sem dúvida defendeu durante a época. E isto também é muito Porto. É a capacidade que estes jogadores e treinador tiveram para perceber que aqui é a nossa realidade e adaptar-se a ela.
O F. C. Porto não tem equipas de modalidades femininas como andebol, basquetebol e hóquei em patins, ao contrário dos rivais. É possível vir a ter até ao final do seu mandato?
- No feminino, é difícil. Porque nós temos a nossa sustentabilidade económica controlada, mas urgente na mesma, principalmente relativamente a fluxos de caixa. Ter mais equipas femininas implica também custos maiores, que têm que ser controlados. É uma ambição do F.C. Porto. Do meu programa eleitoral, falta-me cumprir uma promessa: a confirmação da criação da Fundação Futebol Clube do Porto, que aguardamos que juridicamente esteja totalmente resolvida. Com a Fundação vem o atletismo amador e o regresso ao atletismo em várias vertentes, mas também o regresso do voleibol masculino, que até à data penso que é uma das modalidades mais vencedoras da história do clube. O futsal é o próximo passo. Está lançado na terceira divisão, com potencial para crescer. Agora, pedimos aos sócios alguma tolerância, porque o nível a que estão os nossos rivais é altíssimo, desde logo porque participam nas competições europeias, pelo que há um gap e uma margem enorme até chegarmos ao topo, até podermos ambicionar a conquistar o título na primeira divisão. Portanto, isto é para ser gradual e é para ser também um projeto formativo. O lançamento de mais modalidades femininas é um outro desafio que tem que estar relacionado intimamente com o lançamento do pavilhão em Ramalho Ortigão.
Em que ponto está esse processo?
- Há um direito de superfície que foi dado ao F. C. Porto nos próximos 75 anos para lançar um novo pavilhão. Portanto, para pensarmos em modalidades femininas, temos que ter uma nova casa. A nova casa tem um sítio, que é esse, o pavilhão Ramalho Artigão, mas é preciso arranjar os meios de financiamento para o construir e depois, a longo prazo, potencialmente, esperemos, no segundo mandato, lançar esse desafio de crescer na diversidade, que é uma obrigação e uma responsabilidade social do F.C. Porto.
A questão do estádio, a questão do naming é recorrente. Pergunto-lhe se o naming do estádio é negociável e quanto é que pode valer esse naming?
- Se recuarmos algumas décadas, quando havia a intenção de afirmação publicitária no plano nacional, havia determinadas empresas que patrocinavam os três clubes. Se partimos de um pressuposto baixo, de que o naming de um estádio de um dos três grandes vale pelo menos três milhões de euros, qualquer empresa multinacional que se queira implementar no território nacional patrocinaria os três grandes clubes portugueses, o que implicaria imediatamente um investimento de nove milhões de euros em publicidade no território português. Portanto, isto simplesmente não é viável para as grandes companhias. Depois, companhias nacionais não se querem vincular especificamente a um clube, com medo de represálias de comportamento dos seus próprios clientes que sejam de outros clubes. Portanto, é um desafio, é preciso uma lógica muito coordenada e específica relativamente a estes investidores que queiram este nível de exposição mediática. O F. C. Porto está à procura, tal como está à procura a Legends pelo F. C. Porto.
Esse valor que tem, os tais três milhões de euros, é uma referência do mercado?
- É uma referência do mercado. Isto tudo depois depende da quantidade de ativos que se metem ou que se colocam num patrocínio de um naming do estádio, mais a relação com a própria base de dados, ou seja, os adeptos do Futebol Clube do Porto, que nós não queremos que seja invasiva ao ponto de tratarmos a nossa base de dados como clientes que têm que servir os interesses de outras companhias. Portanto, é tudo muito sensível. A verdade é que estamos no mercado. Acreditamos que a exposição mediática de um naming é forte. Reformula também o conceito dos estádios. Acho que o nome Dragão é unânime para todos, portanto, teria que ser mantido.
Preocupa-o perder Diogo Costa?
- O Diogo Costa é o futuro deste clube, quero muito vê-lo entrar em campo com a camisola 2 para o ano, mas é um dos melhores ativos do FC Porto, tem as suas próprias ambições. Tem uma carreira única e sem paralelo no FC Porto. Quer vencer aqui e quer continuar a vencer. Portanto, nós estamos encantados da vida em tê-lo aqui de braçadeira no braço e com o número 2 nas costas.
E vai estar no Dragão na próxima época?
- Não sei se vai cá estar porque é uma decisão tripartida entre proposta de um clube, o FC Porto aceitar a cláusula de rescisão ou não, e depois o atleta chegar a acordo com determinado clube. Portanto, não posso dizer que o Diogo não é dos atletas mais assediados que nós temos.
Quem ficou, e já tinha sido anteriormente chamado aos trabalhos da Seleção A, foi o Rodrigo Mora, também ele um jogador muito assediado. Acha que vai ser possível ele continuar no FC Porto?
- O nosso objetivo é manter a base, mas não desligando da sustentabilidade económica e financeira. Portanto, há claramente uma necessidade de fazermos tesouraria, de fazermos transferências para termos dinheiro e operarmos com as nossas responsabilidades. O objetivo é manter a base e mexermos o mínimo possível. Nessa base estão os melhores jogadores do FC Porto, os seus melhores ativos. No nosso pensamento tem de estar pagar salários aos jogadores, pagar salários aos funcionários, cumprir com as nossas responsabilidades e cumprir com um mercado de transferências de 100 milhões de euros do ano passado.
A entrada do André no F. C. Porto marca uma cisão com o passado. E essa relação com o passado continua a ter alguns focos de tensão, pensando aqui no enorme peso histórico de Pinto da Costa. Pergunto-lhe como é que estão as relações com a família do ex-presidente e as pontes que sempre foi procurando fazer, mas que nem sempre foram conseguidas.
- Sim, tentar encurtar pontes... A presença da família de Pinto da Costa é um motivo de aproximação ao nome Pinto da Costa e ao seu legado, um legado familiar, evidentemente. Claro que há uma coisa em que F. C. Porto não se mete, que são as disputas que têm a ver com essa família. O que nos une é Jorge Nuno Pinto da Costa e é Jorge Nuno Pinto da Costa que une todos os portistas. Portanto, tudo o que sucede relativamente à família são homenagens e sobretudo um direito que os assiste de viver a glória que o seu pai atingiu no F. C. Porto. Agora, o clube tem que estar alheio a tudo o que são as problemáticas familiares. Nesse campo não nos metemos. Convidamos com simpatia a família, sempre que há algum evento que achamos que seja importante, relacionado não só com a história de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas também com a história do F. C. Porto, desde logo vencer títulos.
Guarda algum tipo de mágoa por essa pacificação não ter sido completa? E acha, por outro lado, que o universo portista já está pacificado com essa memória e com esse legado de Jorge Nuno Pinto da Costa?
- Eu não tenho feito outra coisa que seja honrar o passado de Jorge Nuno Pinto da Costa. Essa é uma obrigação e uma responsabilidade enorme que eu tenho que ter. Portanto, nós tivemos uma afluência histórica ao memorial de Jorge Nuno Pinto da Costa, que foi lançado este ano, um ano após o seu falecimento. E essa afluência histórica também é o cordão umbilical dos portistas com o presidente dos presidentes do F. C. Porto. Portanto, nesse campo, a minha maior responsabilidade é continuar a elevar e honrar o bom nome de Jorge Nuno Pinto da Costa.
Para fecharmos este capítulo, consegue identificar a melhor memória que tem com Pinto da Costa?
- Voltar a 2010-2011, comigo a treinador principal, foi uma época histórica onde tudo correu tão bem que a nossa relação foi perfeita, mas há vários momentos da minha história onde eu me cruzo com ele, desde logo enquanto Robsonzinho, o "estatístico" de Bobby Robson, como era apelidado.
Era assim que ele o tratava?
Era assim que me tratava com carinho. Portanto, isso são boas e eternas memórias. Uma mais marcante terá sido a primeira chamada que tive com ele, que basicamente confirmava a intenção de que eu fosse treinador do F. C. Porto para a época de 2010-2011. Acho que essa tem uma enorme profundidade porque é o sentido da honra da palavra, o sentido do expoente máximo representativo do F. C. Porto. Portanto, são estes momentos altamente emocionais que me vinculam ao presidente.
O Sérgio Conceição deu-lhes parabéns depois deste título de futebol?
- Deu os parabéns ao FC Porto, como tinha de ser. Percebendo a vossa entrada no lado que nos relaciona com o Sérgio, quero lembrar que ele também construiu este museu onde nos encontramos. É dos treinadores mais vitoriosos de sempre da história do FC Porto, em número de títulos, e é alguém que está intimamente relacionado com o clube. Eu disse ao próprio que não queria que lhe acontecesse o que aconteceu comigo, que foi um distanciamento da instituição para com o treinador André Villas-Boas, provavelmente fruto das ambições de destino de vida do André Villas-Boas, sócio do FC Porto. A verdade é que aconteceu muito por conta do FC Porto ter escolhido um seu anterior adjunto [Vítor Bruno] como futuro treinador principal e na cabeça do treinador Sérgio Conceição essas coisas estão relacionadas no campo emocional com as lealdades e as traições, provavelmente o atraiçoaram de uma forma que ele pensa que é desonesta, mas que é honesta em todos os sentidos. O FC Porto tinha de ser livre nas suas escolhas, era o que mais faltava se não fosse. No entanto, eu gostava muito de receber o Sérgio Conceição no centro do relvado.
É um convite?
É um convite, que o próprio não irá aceitar. Recebê-lo num estádio cheio. Seguramente não aceitará comigo na presidência do FC Porto. De estádio cheio, adeptos de pé, a aplaudir um treinador histórico. Esse é o reconhecimento que ele merece. E acho que é algo que já distinguiu esta presidência relativamente ao José Mourinho e relativamente ao Vítor Pereira. Gostava muito que o Sérgio tivesse esse momento, tal como o Pepe. Se os próprios entendem que com esta presidência é impossível, é um problema que lhes corresponde e ao qual eu sou completamente alheio. O meu desejo é esse. Gostava que tivéssemos essa oportunidade.
O FC Porto mudou um bocadinho a estratégia para blindar os jogadores em função daquilo que aconteceu com o Cardoso Varela?
- No caso do Cardoso Varela, o FC Porto fez o barulho necessário para que um caso como esse não volte a acontecer. O Cardoso Varela não está sentado aqui ao meu lado, mas estou seguramente convicto que provavelmente diria que cometeu um erro. Não por si, mas pela ganância de outros que o levaram a sair do FC Porto. A ganância de outros, provavelmente vendida à sua família, uma família pobre, de grandes dificuldades económicas, que provavelmente se deixou ir por palavras e por um ou outro sonho. Não quero dizer que essas mudanças às vezes não funcionem. Na realidade do Cardoso Varela é que não funcionou, o jogador está perdido na Croácia, no Dínamo de Zagreb B, à espera de um melhor futuro e com certeza lamenta que tenha dado este passo, principalmente quando o FC Porto defendeu de forma muito clara o seu futuro, quando o Vítor Bruno lhe disse que seria englobado na pré-época da equipa principal, tal como o Rodrigo Mora. Custa ver que um talento como ele se tenha perdido. Depois há outra parte que está relacionada com o assédio a jovens, que é uma competição. Isto está relacionado com o crescimento exponencial dos clubes da Premier League, que neste momento têm redes de scouting absolutamente infalíveis. Mas não só as redes de scouting, como também a análise de dados, as ferramentas de dados, as ferramentas de filtros desses dados, que lhes permite chegar ao talento muito mais rápido do que os clubes portugueses, que normalmente eram utilizados como pontes para chegarem a esses clubes, e que nos obrigam também a defender os nossos próprios ativos com melhores condições, melhores ofertas, melhor venda do que é um projeto formativo futuro.
Mas o contrário também acontece. O FC Porto contratou agora um prodígio de 16 anos da Noruega.
- Mas com acordo total de clube. O FC Porto pagou caro por um miúdo de 16 anos, pelo potencial de jogador futuro, que vem para uma escola melhor, que nós acreditamos que é esta, quando a competição é maior, para se desenvolver, mas que nunca foi feita à revelia do Fredrikstad FK, neste caso. Portanto, o FC Porto não deixa de pagar cerca de 1,8 milhões por um diamante por lapidar, basicamente.
E esse trabalho em dupla via, vamos chamar-lhe assim, tem de continuar a ser feito?
- Sim, no fundo é uma lógica muito simples...
... mas não há o risco de ser mal-entendido pelos sócios? Vamos apostar na formação, mas depois vamos contratar fora um miúdo de 16 anos?
- O FC Porto sempre se afirmou, não só na formação, mas também e sobretudo, no seu scouting ao longo dos anos. Foi capaz de convencer os melhores jogadores do mundo, que depois se afirmaram mais tarde, a passarem pela escola FC Porto. O FC Porto distinguiu-se por conseguir atrair o melhor talento do mundo, como James Rodriguez, Falcao, Hulk. Juntando depois a isso a escola formativa do clube, como jogadores como Ricardo Carvalho, Vitinha, Rúben Neves e Diogo Costa, entre outros. Na linha de scouting, o FC Porto tem que se antecipar cada vez mais aos outros e ir buscar aos 16 e aos 17 anos, enquanto eles custam mais ou menos entre os 2 e os 10 milhões de euros. Porque a partir daí custam entre os 10 e os 20, os 20 e os 30, e os 30 e os 40
Qual é a política atual do FC Porto perante os agentes?
- O FC Porto trabalha com todos. E isso é outro dos grandes fenómenos em mutação no futebol atualmente. Porque os jogadores passam a transitar entre agências. Ou seja, a relação de compromisso, de amor, daquele que primeiro te identificou e que te vai levar até ao fim da tua carreira, deixou de existir. Os jogadores são assediados por outros agentes com compensações, para virem para as suas agências, porque também esses fazem o seu próprio "scout" relativamente ao potencial talento e ao que eles podem render futuramente. Houve um corte de uma relação umbilical com aquele agente que descobriu o talento e ficou até ao fim da carreira. Os jogadores agora são assediados por outros agentes e vemos por isso muitos câmbios. Esse é o primeiro fenómeno. O segundo, é que os fundos começaram a comprar as agências de jogadores. Portanto, há basicamente um, dois, três fundos que dominam praticamente 20 agências de futebolistas. E esse é o novo veículo pelo qual poderemos ver ainda mudanças mais dinâmicas e específicas entre clubes, pelos interesses de determinados fundos em colocar determinados jogadores em determinados clubes. Portanto, tudo novas problemáticas e novos fenómenos.
Nesta altura não há agentes preferenciais?
- Não, deixou de haver. É o representante do atleta, basicamente.
Relativamente à formação, o FC Porto conseguiu o pleno de títulos andando com a casa às costas, como o próprio André reconheceu. Na melhor das hipóteses, quando é que teremos o centro de alto rendimento em Gaia concluído?
- É processo longo e difícil, sobretudo pela falta de capacidade económica do FC Porto de autossustentar o projeto. O nosso desafio é escolher o veículo financeiro para construir o centro de treino. O FC Porto fez duas coisas. Uma, pagou com o seu próprio capital a compra do terreno, detendo a propriedade do Centro de Alto Rendimento. Pagou também do seu bolso a movimentação de terras, que tem nove meses pela frente, fruto da inclinação que está associada ao terreno. Construir um centro de treinos daquela dimensão terá um custo a situar-se entre os 40 a 50 milhões de euros, fruto também do aumento dos custos.
Dificilmente vê como concluído no final deste seu mandato?
- Dificilmente. Estamos em campo para escolher esse veículo financeiro para avançar para a sua construção. Mas, é uma problemática grande para nós.
O FC Porto foi, nos últimos tempos, abordado por investidores estrangeiros?
- Não, formal e diretamente não. Se abrirmos um dia a porta a investimento estrangeiro, seja em que moldes for, será o princípio do fim do FC Porto enquanto clube de associados. O nosso objetivo é que, enquanto clube de associados, se mantenha e se prolongue no maior espaço de tempo da sua história. É assim que deve ser. As dificuldades económicas e financeiras são típicas de um clube português. E é por isso que há que reformatar todo o novo conceito de receitas para que sejamos sustentáveis enquanto clube de associados. Eu acho que sermos um clube de associados é uma vantagem competitiva neste momento no panorama do futebol europeu, porque não estamos sujeitos às extravagâncias de diferentes proprietários que vão dominando as diferentes sociedades que gerem os diferentes clubes, sejam sociedades ou fundos. E da extravagância de um chinês se passa para um russo, de um russo para um americano, de um americano para um inglês. E nesta disrupção se vão destruindo culturas, valores e princípios. Portanto, a entrada de capital estrangeiro no FC Porto, e a presença de um acionista maioritário, está fora de questão. Isso seria o fim do associativismo. É o princípio do fim e é algo que devemos combater. Chegar a esse ponto só num caso evidente de falência financeira. É um passo que nós temos de evitar em absoluto. Portanto, se isso acontecesse, e se acontecesse comigo, seria uma falha grave minha enquanto presidente.
Não é uma perspetiva demasiado conservadora e até romântica, atendendo às dificuldades tradicionais dos clubes portugueses?
- Em primeiro lugar, regressando ao aspeto de vantagem competitiva: eu acho que ela é evidente. Nós não estamos sujeitos a estas disrupções. O FC Porto é um clube de princípios e de valores e de uma exigência interna clara. Na sua génese estão os associados. Portanto, usar isto para mim é uma vantagem competitiva dentro do panorama europeu, sendo que na parte financeira os clubes portugueses sofrem quando competem com os outros. Depois, as novas formas de receita, desde logo aquela que nós criamos com as Dragon Notes, permitem criar sustentabilidade aos clubes associados. Nós fomos os primeiros, os pioneiros, o Sporting seguiu-se agora com o seu próprio Lion Notes, ou o que lhe quiser chamar, e potencialmente o Benfica poderá lançar-se numa nova emissão de dívida relacionada com as receitas que o seu estádio gera para levantar capital e, no fundo, reformatar-se e reformular-se economicamente. Portanto, há novas formas de criar receita. Esgotadas essas, para onde é que caminhamos? E aqui entramos na discussão das dificuldades que os clubes europeus atualmente têm para competir com a Premier League, o animal que distingue o futebol europeu e que se tornou de tal forma poderoso que o FC Porto agora compete com clubes do Championship por jogadores, porque os da Premier League já estão noutro patamar. Portanto, como é que os clubes europeus se unem para criarem condições novas de receitas económicas que tornem viável competirem com a Premier League? Até que ponto e quando passaremos a ter competições intrafronteiriças que permitam os clubes europeus gerarem mais receitas?
Acredita que essa independência económica do FC Porto continua muito alicerçada no desempenho desportivo e na capitalização dos ativos, sobretudo os jogadores?
- Sim, e no mercado de transferências. Portanto, receitas europeias, direitos audiovisuais e entradas na Liga dos Campeões.
Podemos deduzir que está em condições de nos dizer que se vai recandidatar? Está a dois anos de concluir o mandato, o tempo passa muito rápido...
- Sim, passa rápido. Um título está conquistado, em dois anos restam mais dois por disputar, sendo que o último apanhará, evidentemente, as eleições de abril, perante os estatutos do FC Porto. Acho que os sócios votarão pelo trabalho. Eu sempre disse que o presidente do FC Porto deve ser eleito de forma unânime. Penso que é isto que une também os portistas. O FC Porto é mais forte quando está unido. Por muito que eu goste de respeitar a democracia, penso que a história do FC Porto obriga que o seu presidente seja eleito de forma unânime, para haver união comum em torno de objetivos a atingir, que é o sucesso do clube. Dito desta forma, enquanto o meu projeto FC Porto, seja ele qual for, for unânime, aqui estarei para liderá-lo. A partir do momento que eu perceber que deixo de ser unânime, nem sequer me recandidato, porque antes de ser presidente sou também sócio, sei perceber as dinâmicas que estão associadas à união do clube e jamais me poderia candidatar se visse que não tinha um projeto claramente vencedor.
Portanto, conta com uma vitória ainda mais esmagadora dentro de dois anos...
- Em primeiro lugar, espero conquistar o título 26/27 e, a partir daí, ser a base da construção de um FC Porto cada vez melhor.
Essas feridas do passado já foram todas lambidas? Essa pacificação e conciliação já foram alcançadas?
- O FC Porto agarra-se a este passado, por isso é que fizemos também esta entrevista no museu, pela construção da sua história, pelo reconhecimento único do clube que somos e dos princípios e valores que nos marcam enquanto adeptos. Eu fui marcado por esta geração, pela liderança de Pinto da Costa, que foi de 42 anos. Tenho 48 anos, portanto, alta e profundamente marcada por uma liderança única e vencedora. Estes novos sócios que agora chegam, que crescem a 20% ao ano, eu quero que eles sejam marcados da mesma forma que eu.
O que é que o FC Porto não tinha quando chegou à presidência, em 2024, e agora tem?
- Houve sobretudo uma mudança radical em termos de projeto, sustentabilidade económica, relacionamento com a massa associativa, na forma de comunicar com o verdadeiro dono do clube e se calhar uma visão mais projetada no tempo, fruto da juventude do seu atual presidente. Foi nisso que os sócios votaram, basicamente. Há uma nova forma de nos relacionarmos com os associados, mais viva, mais direta, frontal e honesta, que os honra. Ser sócio do FC Porto, ter um lugar anual, custa dinheiro, é muito caro. E é por isso que os sócios também têm de ser recompensados, na forma como se relacionam com o seu clube de coração. Como é que se melhora isso? Necessidades, serviços, comunicação, benefícios e títulos.
Para si, ainda faz sentido o mantra "nós contra Lisboa?"
- Acho que não há outra forma de o ver enquanto se mantiver a disparidade de tratamento relativamente ao FC Porto, aos seus méritos, à forma como conquista, à forma como nos penalizam, como desgostam de nós, como desgostam dos nossos ativos. Acho que é uma cultura muito própria e nossa, mas que deve ser sustentada no tempo.
O período de convulsão interna que o FC Porto viveu antes do André chegar à presidência teve também uma relação direta com as claques. Qual é o estado da arte em termos de relações institucionais entre a Direção do clube e as organizações de adeptos?
- Há uma relação muito estreita e direta com o grupo organizado de adeptos, após uma revisão profunda do protocolo. Protocolo esse que um dia, como vocês bem sabem, eu queria ver lançado e aprovado em sede da Assembleia Geral. Penso que já não precisamos desse passo, porque a relação é cordial, é frontal. O que sobretudo deixou de acontecer com um dos grupos organizados de adeptos é que deixou de haver desvio de fundos. Isto é claro e é factual. O FC Porto perdia cerca de dois milhões de euros por ano relativamente à bilhética que estava relacionada com um grupo organizado de adeptos, mais outras problemáticas que estavam relacionadas com algumas casas. Portanto, isso ficou resolvido a partir do momento em que o FC Porto se transformou digitalmente e deixou de haver capacidade de haver ilícitos relacionados com a bilhética. A partir do momento em que isso deixou de acontecer, a relação passou a ser factual, frontal e honesta. Evidentemente, houve retaliação, mas houve uma retaliação desportiva relativamente à época 24/25, que se eu fosse adepto a teria feito também da mesma forma, não da forma violenta, mas de forma vocal e comunicativa relativamente a objetivos que tínhamos obrigatoriamente que atingir e não atingimos. Se calhar houve pouca tolerância para um ano de transição, absolutamente necessário, porque as fragilidades económicas que nós encontramos... Algumas são públicas, outras só nós sabemos. E foram muitas e duras. O FC Porto, que era um clube que tinha salários em atraso, não incumpriu uma única vez com nenhum dos atletas em nenhuma modalidade e nenhum dos seus funcionários em 2025/26. Isto é algo que nos orgulha enquanto gestores e é o patamar de excelência que queremos atingir para o futuro.
Podemos qualificar as relações do F.C.Porto com o Benfica e o Sporting como institucionalmente toleráveis ou há uma diferença de tratamento e respeito entre Rui Costa e Frederico Varandas? E, tendo em conta o atual cenário, é de prever uma maior aproximação entre F.C.Porto e Benfica?
- A relação institucional com o Benfica é de grande elevação e respeito. Houve mais exageros da minha parte, enquanto presidente do F. C. Porto, no sentido de Rui Costa do que o contrário. Até já fiz recentemente um "mea culpa". Tento retratar-me sempre que posso e faço-o novamente aqui. Há uma rivalidade histórica com o clube líder no número de campeonatos nacionais - não no número de títulos nacionais e internacionais de futebol, que esse é nosso -, mas que o F.C. Porto quer ultrapassar o mais rapidamente possível. Tudo o que é mágico e que envolve o F. C. Porto e o Benfica é algo que devemos dignificar nessa rivalidade histórica. Ora, isso não se passa com o Sporting, simplesmente porque a sua liderança neste momento entra por um patamar de injúria, calúnia e vitimização com o F. C. Porto que nós não podemos tolerar. E, apesar de haver alguma unificação do ponto de vista estratégico sobre o que o futebol português precisa, a realidade é que, fruto dessa vitimização permanente, das calúnias, das injúrias que semanalmente invocam contra F. C. Porto, não há relação possível, nem pode haver relação possível.
Que explicação encontra para isso? O F. C. Porto transformou-se num alvo útil à gestão interna do Sporting?
- Talvez sim, suportado por um grupo de Comunicação Social com maior afinidade clubística com o Sporting e que tenta, basicamente, filtrar e opinar orientado por uma visão estratégica e uma voz popular para o Sporting. Tudo o que foi feito no Sporting pelo presidente Frederico Varandas foi a transformação de um clube recentemente vencedor, que se afirma e que foi construído para se tornar vencedor. Algo que não era, porque vivia sempre em instabilidade política ou desportiva muito evidente. Portanto, isso é um sucesso e um mérito do próprio. Agora não pode é viver na permanente vitimização, injúria e calúnia para com o F. C. Porto, a qual teve o seu expoente máximo no caso do pavilhão e do cheiro a amoníaco. O Sporting ultrapassou todos os limites do razoável. O F. C. Porto já deu todos os documentos bem sustentados ao Ministério Público e o mais provável é acontecer um arquivamento desse caso inventado pelo Sporting. E, a partir daí, o F. C. Porto irá com tudo contra o Sporting.
Essa blindagem institucional do F. C. Porto para com o Sporting vai manter-se durante o seu mandato?
- Não há margem para nenhum tipo de abertura e pacificação?
Pela personalidade do próprio (Frederico Varandas) não vejo que haja qualquer possibilidade de relacionamento. São tipologias de personalidade com que eu não consigo dar-me nem respeitar.
Aquela frase de Frederico Varandas após o jogo da primeira-mão das meias-finais da Taça de Portugal - "eles têm medo" -, foi utilizada no balneário portista?
Bom, terá sido utilizada seguramente pelos jogadores e pelo treinador, não sei até que ponto. Há sempre estratégias de motivação que os líderes utilizam para fazer transcender os seus atletas, acho que isso faz parte do desporto, a forma como arranjamos pontos motivacionais no jogo a jogo para trazermos a vitória. Portanto, isso é mais uma pergunta para o mister Farioli do que para mim. Eu sempre fui um líder muito mais emocional e muito mais irracional. Seguramente o André Villas-Boas treinador teria utilizado. Não sei se o Francesco Farioli, treinador teria feito da mesma forma que eu. Ou se o fez da mesma forma.
Qual é o seu grau de satisfação no que se refere à chave de repartição de receitas em matéria de direitos televisivos que foi aprovada na Assembleia Geral da Liga?
- Bom, para já é uma concessão dos grandes, relativamente a essa chave. E os grandes basicamente é o F.C. Porto e o Sporting, porque o Benfica esteve fora da mesma. Houve uma concessão, mas um risco também, porque se algum dia um destes três grandes cair na quarta posição pagará pelo fator performance desportiva que está relacionado com a chave da repartição. Estou satisfeito com o que foi acordado em sede da Assembleia Geral e previamente acordado em sede de direcção da Liga Centralização. Agora falta ir a mercado para chegarmos ao número que pensamos que o futebol português vale.
Qual é esse número?
- Esse número situa-se entre os 200 e 250 milhões de euros. Era um número, digamos, perfeito ou perfeitamente alcançável para o futebol português. Evidentemente pode oscilar. Nós queremos que ele seja construtivo num primeiro ciclo para um segundo ciclo, tanto que vai em crescendo. Mas para isso é fundamental que o futebol português melhore na sua transversalidade relativamente a outras problemáticas, desde logo a qualidade das suas infraestruturas, a qualidade da tecnologia de VAR. Na fiscalidade também, porque permitirá aos clubes terem um pouco mais de fluxo de caixa para gerir relativamente a futuros investimentos. Portanto, há uma série de novas problemáticas que urge resolver.
Com a nova realidade dos streamings que temos visto no Mundial, acredita que o caminho é para aumentar esse valor ou está um bocadinho cético?
- Há que ser criativo na forma como se vendem os direitos. Isto é mais uma resposta para o André Mosqueira do Amaral (diretor-executivo da Liga), que tem estado muito ativo na venda do produto do futebol português. Eu acho que há novas maneiras de criarmos mais conteúdos, também dos próprios clubes meterem mais ativos dentro do processo de centralização. Por isso é que o F. C. Porto tinha que oferecer resistência a qualquer outra proposta, porque os três grandes, apesar de tudo, são o grande motor do futebol e nós não temos o comportamento regional que têm outros países, nem os clubes nacionais com todo o respeito, têm o poder que têm outros clubes noutros países e noutras geografias. Portanto, enquanto motor do futebol, os três grandes tinham que se defender também nesta chave de repartição
Mencionou também a questão dos custos de contexto, da melhoria da tecnologia VAR. Acha que estão a ser dados os passos corretos ou poderia ter sido feito muito mais?
- É necessário mudar o licenciamento, as exigências do licenciamento. Essa é uma preocupação que existe, também muito via do que aconteceu com o F. C. Porto B na época passada. A uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses é premente, esse é o primeiro passo. Mas antes de passarmos ao passo tecnológico, é precisa uma uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios. As mesmas câmaras, a mesma qualidade, o mesmo número de câmaras. E depois a melhoria da tecnologia e das ferramentas. Portanto, desde logo, linha de golo e offsides semiautomáticos. Essas alterações tecnológicas devem estar vinculadas também à centralização, numa parceria que poderia ser feita com a Federação Portuguesa de Futebol e com a Liga Portugal, para, de certa forma, suportar os custos iniciais desse tipo de investimentos, que é uma das grandes problemáticas que os clubes levantam relativamente à uniformização do sistema da tecnologia. Ultrapassadas essas problemáticas, o produto do futebol português também melhora, há menos casos nos nossos jogos, melhores decisões de arbitragem. A tecnologia ao serviço da verdade desportiva. E não ter casos, como tivemos o ano passado, no F. C. Porto B, em que um offside evidente não foi decidido por conta da exposição à luz solar e ao posicionamento da câmara e das colunas dos estádios. É algo patético que temos de combater. Nós fizemos muito barulho o ano passado, agora temos a Federação finalmente connosco, porque em sede da Liga Portugal o Pedro Proença foi muito recetor deste nosso movimento e agora quer passar para essa obrigatoriedade como promotor de uma melhoria. As câmaras utilizadas na Premier League para decidir foras de jogo são capazes de decidir 60 frames por segundo. As câmaras portuguesas estão entre os 5 e os 10 frames por segundo para tomar uma decisão sobre um fora de jogo. Portanto, isso é a diferença entre a bola estar colada ao pé ou estar ligeiramente afastada em cinco centímetros. A partir daí é muito mais difícil para quem opera a tecnologia VAR tomar decisões que sejam coerentes. Portanto, há uma parte que está relacionada com a tecnologia e há outra parte que está relacionada com a informação e a educação dos próprios árbitros, que tem a ver com o conselho de arbitragem, com o próprio desenvolvimento dos árbitros e a forma como são penalizados ou recompensados. Já vimos árbitros que passam de apitar um jogo na Liga 2 promovidos para um clássico e não vimos uma regularidade que compense relativamente os melhores.
Que transformações foram feitas no âmbito do futebol de formação que conduziram a este sucesso, para muitos inesperado, em todos os escalões?
- Foram transformações profundas que queremos sustentar no tempo. É o mesmo que queremos fazer relativamente à equipa sénior: que o F. C. Porto não deixe mais este lugar, que é seu, que é o primeiro lugar, na formação também. Apesar de tudo, não é necessário ganhar títulos na formação para termos uma boa formação, uma visão e um projeto identificativo do que é um jogador à Porto que quer chegar à equipa principal. Neste campo, encontrámos estabilidade, desde que colocamos o José Tavares nesta posição, um homem que conhece profundamente a casa, onde já foi vencedor, e que gradualmente implementa de novo o seu projeto, a sua visão formativa. Desde 2010-2011, em 39 títulos disponíveis, o F. C. Porto, na formação, só tinha ganho seis. Portanto, conquistar de volta um pleno é algo muito reconfortante relativamente ao futuro. O bingo do pleno é que estes miúdos cheguem, efetivamente, à equipa principal, pelo que esse projeto é muito mais a médio e longo prazo. A afirmação deste pleno que terminamos agora com os sub-15 só se conquistará dentro de quatro anos, quando, por exemplo, o Tiago Portugal chegar à equipa principal. Portanto, ganhar títulos foi a consolidação também desse projeto formativo que trouxe o Tiago Portugal como exemplo à equipa principal. É um projeto formativo que corresponde sempre a 10 anos. Serão 10 anos em que eu espero que o José Tavares esteja à frente do projeto. Se vincularmos isto a mandatos ou a anos de mandatos, serão 12 anos, basicamente, seguindo as melhores práticas. Quantos jogadores da formação chegarão à equipa principal com capacidade para ganhar título?s e se afirmarem no panorama de jogador do Futebol Clube do Porto.
AVB sobre a selecção e o mundial:
- Em primeiro lugar, do ponto de vista desportivo, conta pouco. É possível inverter, é possível que Portugal ganhe na mesma o Campeonato do Mundo que alimenta os sonhos de todos os portugueses. É uma entrada em falso que aconteceu com muitas outras seleções que empataram os seus primeiros jogos, desde logo as favoritas.
A Espanha também empatou e há muitas outras seleções nacionais que são candidatas que empataram e que tiveram dificuldades. Portanto, em primeiro lugar, enquadrar do ponto de vista da qualificação. Do ponto de vista desportivo, a exibição foi fraca, não esteve à altura do que é uma geração de ouro absoluto do futebol português. Isso parece-me evidente, penaliza-nos e obriga-nos a uma semana de críticas absurdas e de dúvidas relativamente à qualidade de cada um daqueles jogadores. Portanto, acho que tem que haver um enquadramento natural do processo competitivo e esse acho que não está em causa. É altura de repensar, de se refocarem, de pensar estratégias, se calhar de irem menos à praia e de irem mais à sala de reuniões. E, evidentemente, nessa força da união, Portugal tem todas as condições ainda para se qualificar, que também era o que mais faltava num grupo daqueles. Posto isto, ambições ainda desmedidas, porque é uma geração de ouro, porque queremos, ambicionamos muito, porque queremos também que o maior talento do futebol mundial, o homem que deu tanto a Portugal (Cristiano Ronaldo) saia agarrado ao troféu de campeão do Mundo, tal como Messi fez no Catar", disse ainda o presidente do FC Porto.
Sobre Cristiano Ronaldo.
- Isso faz parte da gestão do treinador. O treinador gere como bem entender o máximo goleador da história do futebol. E ele saberá melhor como geri-lo. Agora, a verdade é que sim, a Seleção Nacional obrigou-nos a esta semana dura de repensamento, de críticas, de dúvidas e de penalização, mas penso que se reencontrará. Queremos querer, talento suficiente tem para o fazer e acho que dará a melhor imagem no próximo jogo.
Ainda dentro do mesmo tema, mas saindo aqui um bocadinho da questão da monetização, preocupa-o esta perda de identidade no futebol, quer dentro de portas quer em termos internacionais? Vemos agora, por exemplo, que está a decorrer o Mundial, pausas para hidratação em estádios com ar condicionado, onde a temperatura é perfeitamente aceitável... Esse excesso de mercantilismo preocupa-o?
- São sinais preocupantes dos tempos, há sinais que requerem determinadas adaptações, nós também nos fomos adaptando. Estive presente na final da Copa América do ano passado, entre a Argentina e a Colômbia, e o intervalo foram 30 minutos para um espetáculo da Shakira. Portanto, eu acho que as instituições internacionais tentam reinventar também modelos económicos. São instituições sem fins lucrativos, mas que obrigam a determinadas posições, a exposição da quantidade de patrocinadores que têm, e também às vezes para oferecer um melhor produto aos adeptos, que alguns gostam, outros não. Novas realidades, acho que as mais preocupantes são as multipropriedades, onde em sede de comitê de competições de clubes da UEFA mostramos cada vez mais resistência e preocupação para o domínio das mesmas. Na realidade portuguesa essas multipropriedades são um veículo apenas de investimento, portanto as nossas sociedades desportivas que não aqueles clubes de futebol que são puramente ainda associativos estão a mudar de dono à mesma frequência, com grandes dificuldades económicas, incluídas em multipropriedades, onde servem os interesses do clube-mãe e do investidor e do proprietário e não os interesses dos seus associados e adeptos. É uma realidade transversal ao futebol europeu, cada vez mais premente, mas em relação à qual os clubes europeus estão preocupados e a tentar que não haja uma proliferação destes multiclubes europeus. Também me parece evidente que esta ideia de multiclube está a falir, porque no início foram pensadas como projetos de desenvolvimento de cadeia de jogadores, portanto, dos jogadores passarem de crescimento em crescimento e passarem de clube em clube e crescerem desportivamente. Portanto, também acho que essa ideia, esse ideal, está a falir. Mas há muitas ameaças às realidades da forma como nós, mais conservadores, pensamos no fenómeno do futebol. Agora, há sempre uma capacidade de adaptação do consumidor.



Já vi vídeos deste jovem norueguês , tem muito de Frohold , transporta bem a bola , tem bom passe (ate longos) , forte nos duelos individuais , tem chegada á área .
ResponderEliminarEu sei que estes videos do youtube valem o que valem . mas também a um ano atras estava a ver videos do Frohold e fiquei logo convencido que tínhamos adquirido um diamante nórdico , eu sinto o mesmo com este jovem , claro que este é diferente , pois tem 16 anos e vai para a equipe B , mas a minha previsão é que não estará la muito tempo .
Não ponho espectativa nenhuma pela vinda de Lewandovski para não sair defraudado ou ficar frustrado , mas se eventualmente vier ...
O Dennis Gul não vai valorizar neste mundial , ontem falhou dois golos feitos .
O Yirenkyi seria bem vindo . mas o clube dele pede muito .
Sem tirar nem por Vila.
ResponderEliminarMas escrevo hoje porque a capa do record é um mimo. Benfica o mais prejudicado é subtilmente Porto o mais beneficiado.
Para o ano vai ser um fartote…
Porque ganhámos nunca contabilizam os erros contra nós que superam em muito os contra os benfas… uma vergonha… do sbording nem nota…
Mais uma vergonha sem limites.
Já fui às páginas do Record no facebook deixar este miminho. Se alguém quiser fazer o mesmo... quantos mais melhor:
EliminarA lixeira da Média Livre, fala dos erros de arbitragem, diz que os jogos do FCP foram os mais atingidos, que o Benfica foi o grande com mais razões de queixa, mas não se atreve a dizer que o Sporting foi o mais beneficiado e deixa à interpretação dos leitores a possibilidade de nos jogos do FCP, os erros serem a favor dos Dragões. Record dirigido por esse sportinguista sem vergonha chamado Bernardo Ribeiro, agora como no passado, uma lixeira a céu aberto e de cheiro nauseabundo.
É este o caminho.
ResponderEliminarOs melhores da formação.
Miúdos contratados muito jovens, com 16 ou 17 anos, com base no melhor scouting, para fintar os tubarões.
E jogadores veteranos mas ainda dentro do prazo de validade, a custo zero, para renderem desportivamente e pela grande experiência que trazem.
E depois claro, vender muito bem vendidos, os miúdos que se formou ou se foi buscar muito jovens por pouco dinheiro.
Estou a gostar muito de ver o nosso presidente e a nossa estrutura em acção.
Já li a entrevista do presidente AVB ao Jogo e recomendo. Sem compromissos, se logo tiver possibilidade coloco aqui.
ResponderEliminarAinda bem que publiquei o texto antes da entrevista...
Excecionalmente comprei OJOGO e JN, mas era BOM a divulgação daí se for colocada aqui neste INDISPENSAVEL BLOG, só posso agradecer em NOME DO PORTISMO.
EliminarEste miúdo norueguês parece uma excelente pérola do scouting. Apesar disso tenho um pouco de mix feelings com esta contratação, pois já temos um meio campo de enorme potencial, que precisa este ano de jogar com muita frequência nos B, com Mide, Tiago Silva e Lima à cabeça.
ResponderEliminarCaro DVP,
ResponderEliminarAcabo de ler a entrevista do nosso presidente. Recomendo a todos. Que sorte temos em ter alguém com esta elevação, quaidade e portosmo a suceder ao mais bem sucedido presidente de sempre. Estamos no bom caminho
O prometido é devido. É uma entrevista longa, mas porque aborda vários temas importantes no presente e futuro do FCP, merece ser lida. Vai provocar muitas comichões, já vi algumas por aí, mas é bom sinal. Obviamente, a questão da unanimidade, na minha interpretação, significa uma grande maioria.
ResponderEliminarPodem ouvir a entrevista do nosso presidente no site da TSF .
ResponderEliminarEu ouvi e gostei , falou de tudo , diferentes tópicos , desde financeira , estratégica , naming , sustentabilidade , arbitragem , formação , centralização , CAR que ainda vai demorar .
Falou das claques , saber que o nosso clube num passado recente perdia 2 milhões por ano de bilhetica por desvios ...
Bom saber que vamos com tudo contra o sporting pela palhaçada que fizeram no Dragão caixa no andebol .
Entrevista muito boa e esclarecedora .
«O FC Porto vai juntar-se ao campeão português Sporting na fase de grupos da Liga dos Campeões de andebol, anunciou esta segunda-feira a Federação Europeia (EHF).
ResponderEliminarCom o alargamento de 16 para 24 equipas, os dragões receberam um dos 13 'wild cards' atribuídos pela EHF, enquanto o Sporting, por ser campeão português, já tinha a presença assegurada.»
Excelente notícia.
Ontem era para realçar esta parte da entrevista, mas depois passou-me. Realço hoje:
«Se calhar houve pouca tolerância para um ano de transição, absolutamente necessário, porque as fragilidades económicas que nós encontramos... Algumas são públicas, outras só nós sabemos. E foram muitas e duras. O FC Porto, que era um clube que tinha salários em atraso, não incumpriu uma única vez com nenhum dos atletas em nenhuma modalidade e nenhum dos seus funcionários em 2025/26. Isto é algo que nos orgulha enquanto gestores e é o patamar de excelência que queremos atingir para o futuro.»
" Fragilidades económicas :
ResponderEliminarque nós encontramos... Algumas são públicas, outras só nós sabemos.
E foram muitas e duras.
O FC Porto, que era um clube que tinha salários em atraso, não incumpriu uma única vez com nenhum dos atletas em nenhuma modalidade e nenhum dos seus funcionários em 2025/26.
Isto é algo que nos orgulha enquanto gestores e é o patamar de excelência que queremos atingir para o futuro.»"
Convém os portistas ( sócios e adeptos) nunca esquecerem a Realidade de onde partimos e ter a consciência que indo Melhorando , as dificuldades se mantem e vão durar algumas épocas até entrar numa Normalidade.
É que quem vagueia pela internet portista, vê pedidos ou exigências que nao fazem sentido, no momento que atravessamos ainda.
Muito ja se andou mas ha caminho para fazer.
entendo também esta entrevista como um alerta e um relembrar de onde viemos ... competitivos sim,sempre! mas sem loucuras....muito bem!
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