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F.C.Porto - Juventus F.C. Vamos a eles, Dragões, temos muito mais a ganhar que a perder.


Para qualquer portista da minha geração, a primeira coisa que nos vem à memória e associamos quando se trata da Juventus, é Basileia, final da Taça das Taças, época 1983/1984. Os portuguesinhos do Porto, quase uns ilustres desconhecidos na europa do futebol - em anos anteriores já tínhamos eliminado o Barcelona e o Milan, criado grandes problemas ao Real Madrid, mas foram apenas uns fogachos, as excepções que confirmam a regra -, depois de deixarem pelo caminho Dínamo de Zagreb - derrota em Zagreb por 2-1 e vitória nas Antas por 1-0; Glasgow Rangers - nova derrota fora por 2-1 e nova vitória em casa por 1-0; Shakhtior Donetsk, agora Shaktar Donetsk - vitória nas Antas por 3-2, depois de termos estado a perder 2-0 e empate em Donetsk, 1-1; e nas meias-finais o Aberdeen, campeão em título da prova e na altura uma das melhores formações do Reino Unido, com uma vitória no saudoso Estádio das Antas por 1-0, resultado claramente lisongeiro para os escoceses e 1-0 na Escócia, aí, no terrível ambiente de Aberdeen, fruto de uma exibição irrepreensível - vejam os vídeos aqui, aqui, aqui e aqui e reparem naquele futebol, o agora chamado Tic-tac...- e de um sublime momento de inspiração de Vermelhinho, chegaram à final(*).
Como é conhecido, o F.C.Porto perdeu a final, injustamente e muito por culpa de uma arbitragem vergonhosa de um alemão de leste - na altura a Alemanha estava dividida e separada por um muro - chamado Adolf Prokop, frente a uma equipa que na altura era a base da selecção transalpina, campeã do Mundo no Mundial de 1982 em Espanha - Gentile, Scirea, Cabrini, Tardelli e Rossi -, reforçada com dois dos melhores jogadores da Europa, Boniek e Platini.
Agora voltamos novamente a defrontar a Juventus e tal como em 1984 os italianos são favoritos.
A Juventus, também conhecida por Velha Senhora, é crónica campeã de Itália, vai bem lançada para o sexto título consecutivo. O conjunto orientado por Massimiliano Allegri - dizem que está de saída para a Premier League, com o Arsenal na linha da frente -, é uma equipa muito experiente, bem organizada, colectivamente muito forte, recheada de craques - Buffon, Daniel Ales, Bonucci, Alex Sandro, Pjnanic, Khedira, Marchisio, Dybala, Higuaín, etc. -, daquelas que se facilitas, ao mínimo deslize castiga-te, resumindo, uma equipa e um plantel montado para lutar pela Champions, algo que o campeão italiano já não vence desde 1996.

Por tudo isso, repito, a equipa de Turim é favorita. Mas se devemos ter isso bem presente e respeitar a Velha Senhora, não devemos, nem podemos ter medo, entrar tolhidos, ser subservientes. Não, um F.C.Porto concentrando, personalizado, ousado, capaz de manter a coesão defensiva, equilíbrio no meio-campo e agressividade no ataque, pode, com a ajuda e o apoio de um Dragão cheio e a fervilhar de entusiasmo, criar dificuldades aos italianos, conseguir um resultado que lhe permita ir a Itália discutir a passagem aos quartos-de-final..
É um jogo e uma eliminatória muito difícil, mas a nossa História foi construída nas dificuldades, ao F.C.Porto nunca ninguém deu nada de mão beijada.
Vamos a eles, Dragões, temos muito mais a ganhar que a perder.

A minha equipa:
Casillas, Maxi, Felipe, Marcano e Alex Telles, Danilo, Herrera, Óliver e Brahimi, André Silva e Tiquinho Soares.

O árbitro de amanhã é também alemão, Felix Brych. Que seja mais feliz que o da final de Basileia e no fim do jogo nenhuma equipa tenha razões de queixa.

(*) Bem, logo no final do jogo foi uma grande festa, festa essa que se espalhou por todos os lados, mas com o epicentro a ter lugar no aeroporto de Pedras Rubras que foi literalmente invadido, pista e tudo, ao ponto do avião que transportava a equipa ter de ser desviado para Lisboa.

Fujam, vem aí o Sonso!


No panfleto da queimada de ontem, uma peça extraordinária e digna de ficar para memória futura. O título é, Rui Vitória: Não brinquem com o meu trabalho! e começa assim:
«A arbitragem do jogo de anteontem no Dragão foi talvez a gota de água que fez transbordar o copo da paciência de Rui Vitória... o tom de voz alterou-se e Rui Vitória deixou avisos em defesa do grupo. Não quero ser o bom aluno da turma... sou muito tolerante, mas há uma coisa [pancada na mesa] que tenho a dizer: [pancada na mesa]não brinquem com o meu trabalho [pancada na mesa], nem com o trabalho dos meus jogadores [pancada na mesa], nem se aproveitem do meu trabalho, porque sei que se tiver atitude acicatada aqui ou dentro do campo tenho seis milhões atrás de mim que se revêem muito naquilo que eu digo»

Apetece dizer:
Ui, que medo medo, fujam, vem aí o Sonso!
- Come a sopa, Maria, olha que eu chamo o Sonso!
Deixa a consola, Manuel, olha que o Sonso anda por aí...
Chegado agora de Marte e desconhecedor das práticas do clube do regime - Ó Sonso, o teu clube e o clube que representas profissionalmente, é useiro e vezeiro em colocar em causa o trabalho e os méritos de todos aqueles que lhe fazem frente. O teu clube e o clube que representas profissionalmente, colocou em causa um dos melhores treinadores do mundo, José Mourinho, alguns dos melhores jogadores do mundo, Deco, Vítor Baía, Ricardo Carvalho, etc., a melhor equipa da Europa e do Mundo, nos anos de 2003 e 2004. Querem respeito e reconhecimento, quando não respeitam e não reconhecem ninguém? -, o Sonso faz papel de anjinho, cara de mau, esperneia, e até dá pancadas na mesa. Pior, é preciso cuidado, até ameaça de soltar os "seis milhões. Mas quem pensa ele que é? Pensa que só porque representa o clube do regime, tem por trás uma comunicação social subserviente que lhe apara todos os golpes - não faz isso pelos teus lindos olhos, ó Sonso, faz com todos os treinadores do Benfica, com todos os jogadores, dirigentes... olha, até Vale e Azevedo era lambido...-, pode dizer o que quer? Não pode e se disser... não leva na cabeça dos vendilhões do templo, mas leva aqui, por exemplo.
Hoje, lá está o panfleto que o Serpa devia dirigir, mas não dirige, a elogiar o fair-play do Sonso, porque cumprimentou o árbitro que o expulsou.
Será que ainda não perceberam porque chamam Sonso ao Vitória? Será que o Sonso tinha cumprimentado o árbitro se tivesse perdido ou empatado? Eu acho que não, colocava a mão na boca e era de doutor até engenheiro, para cima.

A lixeira da manhã veio exigir uma acção do estado contra criminosos. Não sei a quem se referem, acho que ainda vivemos num estado de direito, não cabe à lixeira da manhã fazer justiça, dizer quem é criminoso ou quem não é. Deus nos livre de alguma vez aquela estrumeira ter esse poder... embora, como temos visto, eles são capazes de transformar o branco em preto e há quem jure que é preto. Mas se eles podem exigir, eu posso ao menos, perguntar:
Porque não fecha o estado aquela lixeira a céu aberto? Razões? Jornalismo não é mentir, insultar, caluniar, denegrir, manipular, não ter ética e deontologia.
Para que serve a ERC?

Ainda a propósito, o omnipresente.
Rui Pereira tem todo o direito de ser um benfiquista ferrenho, mas pelas funções que exerceu, devia ter algum recato, evitar participar em programas sem rigor e isenção, programas que não passam de autênticos libelos persecutórios, manifestos do mais primário anti-portismo, made in lixeira da manhã. Mas é pedir demasiado, se Rui Pereira quando era Ministro da Administração Interna não tinha pudor em ser um ferrinho na tribuna da Luz, estava sempre de pernas abertas para receber o clube do coração no ministério, não hesitou em colocar o Grande Porto numa espécie de estado de emergência para que o clube do regime não fosse perturbado, vai ter agora que já não é? Na mesma linha do Chouriço, Rui Pereira porta-se como um adepto que não se distingue nada daqueles adeptos tão criticados e apelidados de fundamentalistas e fanáticos.

Aqui; aqui; aqui; aqui, algumas pérolas de Rui Pereira quando era Ministro da Administração interna e a foto da tribuna da Luz, onde também aparece o actual Primeiro-Ministro, o na altura Ministro da Justiça, Alberto Martins, e mais atrás, cheio de inveja de não estar na primeira fila, a espreitar, está o Chouriço.

O freteiro com calo no cu como o macaco, Delgado, esse rasteiro ao serviço do clube do regime, quando o F.C.Porto cheio de razão, manifestava a sua indignação contra algumas arbitragens, dizia que eram desculpas para esconder contestação interna, más opções, maus resultados. Agora o Benfica faz o mesmo e já não há problemas, pode manifestar toda a indignação do mundo, só não deve deixar que o ruído chegue à cabine.

Já a Renascença, antes, quando queria alguém para dizer cobras e lagartos do F.C.Porto ia ouvir o Octávio Machado. Agora, na impossibilidade de ouvir o vocês sabem do que estou a falar, vai ouvir outro artista, António Figueiredo, alguém ligado ao maior escândalo do futebol português nos últimos 30 anos, o escabroso Estorilgate. São os chamados critérios católicos, escolhem alguém que já sabem que vai dizer as coisas mais rascas contra o F.C.Porto. Que tal gravarem e colocarem a cassete? É que a figurinha diz sempre as mesmas coisas...

Temos assistido nos últimos dias, melhor, a partir do momento que o F.C.Porto encostou no Benfica e ficou a depender apenas de si próprio para chegar ao título, a uma espécie de vale tudo, a máquina de propaganda está afinada e tem imensos tentáculos. Mostram-se imagens que dá jeito e escondem-se as que provam o contrário; repete-se até à exaustão aquilo que interessa e omite-se o que não interessa; é a teoria que uma mentira muitas vezes repetida passa a ser verdade. Não, não passa, por mais que que os prostitutos ao serviço do clube do regime, tentem.

PS - Um amigo lançou hoje um blog sobre as modalidades do F.C.Porto, o link já está em baixo, mas fica também aqui

Lisboa: menina e moça? Ou velha e caduca? Por Felisberto Costa


Lisboa é a capital do nosso país.
Situada numa zona de imensa beleza, com o estuário do Tejo a entrar preguiçosamente mar adentro, a capital portuguesa tornou-se num rainha-má. Não admite que possa haver cidades tão ou mais belas que ela! E como tal, Lisboa distribui maçãs envenenadas a torto e a direito ao resto do país, sendo o Porto a sua Branca-de-Neve preferida.
Deixando de lado a vertente político-social, pois isto é um post de um portista sobre o F.C. PORTO, para portistas em geral e alguns submarinos que entopem a Lipor, e concentrando as nossas atenções na modalidade rainha que é o futebol, Lisboa, representada ao alto nível pelos dois clubes da 2ª Circular, e bem publicitada por uma imprensa falada, escrita e digital bem organizada, bem montada, que faz de Goebbels, um amador, estes 2 clubes só por si representam à escala nacional, 9 milhões de portugueses. O milhão restante é a dividir pelas 33 equipas profissionais que disputam as 2 Ligas profissionais. O que dá a linda e poética média de 30 mil adeptos por clube! Ah! Pois! Eles contam que os portugueses são mestres na arte de adorar dois clubes em simultâneo! Pelo que a média sobe ligeiramente para todos os clubes, excepto para o F.C. PORTO! Coitados de nós! Ainda vamos receber um subsídio estatal por nos considerarem uma raça em vias de extinção!

Mas os devaneios de Lisboa não se ficam por aqui. Toda uma primeira volta, o clube dos 6 milhões foi levado escandalosamente ao colinho, e dando de barato os dois últimos campeonatos ganhos, onde também tivemos imensas culpas no cartório, gerando uma onda de revolta e nojo (sim, nojo!) de quem gosta mesmo de futebol. Foi o FC PORTO a ter que pedir uma reunião extra ao Conselho de Arbitragem para denunciar todas as alarvidades que os árbitros cometiam todas as semanas. E como não poderia deixar de ser foi um clube de Lisboa, que ficou com a fama de ser ele o responsável por essa onda de indignação. Já estamos habituados, portanto nada que não nos surpreenda. Como não nos surpreende, que o Sporting jamais foi o rival do clube 6 milhões! Não!! O único é o F.C. PORTO! Nós é que somos o inimigo a abater! Nós é que somos corruptos com fruta e chocolate, quando um simples voucher que é bem mais caro e atractivo que uma ida ás meninas, e esse presente é extensível a todos os árbitros sem excepção, enquanto com a fruta, não estou a ver árbitros casados e pais de família a escorregarem em cascas de banana, não passa de uma simples recordação!
A entrevista do Coroado ao jornalista do Observador (o único jornal digital onde consigo passar os meus olhos sem me indignar!), passou a 200 milhas oeste ao lado da imprensa lisboeta! Se fosse o F.C. PORTO…
As tradicionais esperas e invasões no Seixal, coisa que estou esperançado que em breve aconteçam, são tratadas em letras miudinhas, estilo contratos de seguro! No FC PORTO 2 tipos ameaçam o Soares Dias, e foi a claque dos Super Dragões em peso, a ser escarrapachada nas manchetes dos diários lisboetas!!!
E como a arrogância não conhece pudor, um orgão intoxicante de informação, exige do estado que o Ronaldo, perdão, que o Madureira, seja julgado por um microfone. Como é chão que jamais dará uvas, esse orgão agora vai perseguir, esmiuçar, chafurdar (coisa que são especialistas!), na vida intima do Super Dragão! Vá lá, ao menos o Sócrates já não estará só em manchetes desse pasquim!
Lisboa adora ser arrogante com os humildes. E torna-se tão pequenina, tão insignificante com os grandes!
Lisboa adora chamar Norte a quem é acima do Mondego, mas não tolera que lhes chamem sulistas!

Agora que vamos coladinhos a eles, e á hora que escrevo até vamos á frente, ainda que á condição, Lisboa perdeu as estribeiras, mandou á malvas o seu triste humor (#aculpaédobenfica#), e já histericamente pede reuniões de urgência ao mesmo conselho de arbitragem que semanalmente lhe presta vassalagem!
É de loucos? Não é Portugal no seu melhor!
É hora de estarmos unidos! É hora de estarmos atentos! É hora de apoiarmos os nossos! É hora de acabarmos com a treta de que NES não é treinador para nós! É hora de acabar com o estigma de quanto custam os nossos jogadores! Será Lisboa a fazer trinta por uma linha esse papel!
Neste momento andam 6 milhões de indivíduos com dores de cabeça. Neste momento é que faziam falta os vouchers, carago! Então, os gajos que nem 30 mil são estão á nossa frente! Com um bocadinho de jeito o filme “300” será proibido em Lisboa!
Há pânico no galinheiro!

Apetecia-me escrever sobre futebol. Apetecia-me escrever sobre o nosso FC PORTO. Mas este triste e patológico ódio a quem não é de Lisboa, leva-me a isso. Não admito que dois factos iguais, se tornem em duas verdades diferentes!
Apenas termino dizendo que ao falar em Lisboa, é claro e cristalino que não me refiro a todos os alfacinhas! Apenas e só aos arrivistas que lá desembarcaram com ou sem mala de cartão, e ficaram quais bois a olhar para um palácio! A estes migrantes que se transformaram em lisboetas mais lisboetas que um lisboeta original! Sobretudo a miseráveis portuenses que trocaram a cidade e o clube natal, por um tacho na capital!
Mas a esses ainda bem que migraram para lá. Afinal não é o Porto o destino mais escolhido pelos… estrangeiros!?

Estão borrados? Aproveitem os saldos e comprem fraldas


Pois é, meus amigos, toda esta gritaria e que até envolve pedidos urgentes de reuniões ao Conselho de Arbitragem, só pode surpreender os mais distraídos e quem não os conhecer. Como os conheço bem e não ando distraído, sempre disse que o Benfica anjinho, bonzinho, muito caladinho e desprendido, só ia durar enquanto as coisas lhes corressem bem. Falar de árbitros e arbitragem? Nem pensar, joguem mas é à bola,  tudo era maravilhoso, o futebol português um mar de rosas, o tetra estava quase no papo, ai de quem se atrevesse a colocar em causa a credibilidade do futebol luso, tocasse, nem que fosse com uma luva de pelica nos méritos do clube do regime. É a verdade de sempre para as bandas de Carnide, quando a vida lhes corre na perfeição, é tudo sempre muito limpinho, limpinho, a verdade desportiva em todo o seu esplendor.
Mas tudo mudou, o F.C.Porto aproximou-se, hoje, mesmo que à condição, já é líder e caiu-lhes a máscara. O Benfica que abdicou do Chouriço, anda agora a reboque do Chouriço. O que ontem era verdade hoje já mentira e ela aí está, a verdadeira face do clube da Luz, dos prostitutos ao seu serviço e sempre prontos a vender a alma ao Diabo, dos seus peões de brega, em toda a sua plenitude. A tenda está montada, o circo desceu à cidade, há atracções para todos os gostos e o barulho vai ser ensurdecedor. Podem contar com Vieira na pele do Rei Midas, com um número extraordinário e que consiste em mostrar que é bem verdade, tudo em que toca, vira... dívidas de centenas de milhões aos bancos. Podem contar com o Sonso que tem como lema, não gosto de ser comido de cebolada - se for de escabeche... ainda vá lá -, que quando se zanga até o circo abana e é uma espécie de mímico que não se expressa por gestos, coloca a mão à frente da boca e chama doutor a toda a gente... sim, porque ele não é cínico nem hipócrita, é um cavalheiro, com nome de rainha. Também há números com animais e aí há os ratinhos e ratazanas sic, há baleias e cachalotes na televisão do estado e na que começou por ser da Igreja e há macacos, mas com calo no cu, e sem esquecer os reco-recos, especialistas em números do mais arriscado contorcionismo. Também há os palhaços, ricos e pobres, alguns, coitados, não lhes chegam as tristes figuras que fazem na política, têm de vir meter nojo para a rádio. Para terminar e o circo acabar em apoteose, há o número do andor, onde, sentado numa cadeira e em cima de três almofadas, vem o anão, conhecido pelo nome de Chouriço. É um final glorigozo, um delírio, a multidão levanta-se, começa a bater palmas e a gritar: Chouriço! Chouriço! Chouriço! Chouriço!, o Chouriço, cresce, incha, pede que lhe retirem as almofadas e de repente... faz-se silêncio. Onde está o Chouriço que ninguém o vê?
É uma pena, mas o circo só não tem números com fogo. Compreende-se...

Podem gritar, apitar, espernear, utilizar a máquina de propaganda e todos os vendilhões do templo que não importa, vão ter de levar connosco. Podemos não ganhar, mas recolham a passadeira, tirem a tarja do Marquês, o Dragão voltou. Estão todos borrados? Olhem, aproveitem as promoções e comprem fraldas.
Àqueles que ainda tinham dúvidas sobre quem é o grande inimigo, com quem não devemos querer qualquer tipo de conversa em circunstância alguma, espero que já as tenham dissipado, daquela gente queremos distância.

In Dragões Diário:
«Medo:
Só assim se explica o pedido de reunião de emergência com o Conselho de Arbitragem feito pelo Benfica. Pela primeira vez na história do futebol português - e provavelmente do futebol mundial - um clube pede uma reunião com os dirigentes da arbitragem não estando a ser prejudicado. Em quase todos os jogos têm ficado penáltis por marcar na área do Benfica, a que se juntam agressões claras que não são punidas com o cartão vermelho. Na verdade, fazer um pedido de reunião a uma sexta-feira e publicitá-lo não é mais do que uma triste tentativa de coagir a arbitragem do jogo de amanhã em Braga. E por que faz isto o Benfica? Porque está com medo, porque sabe que o FC Porto está forte e porque tem consciência de que ao nosso clube foram subtraídos muitos pontos na classificação devido a decisões erradas de alguns árbitros, de resto como afirmam todos os especialistas minimamente independentes.Só assim se explica o pedido de reunião de emergência com o Conselho de Arbitragem feito pelo Benfica. Pela primeira vez na história do futebol português - e provavelmente do futebol mundial - um clube pede uma reunião com os dirigentes da arbitragem não estando a ser prejudicado. Em quase todos os jogos têm ficado penáltis por marcar na área do Benfica, a que se juntam agressões claras que não são punidas com o cartão vermelho. Na verdade, fazer um pedido de reunião a uma sexta-feira e publicitá-lo não é mais do que uma triste tentativa de coagir a arbitragem do jogo de amanhã em Braga. E por que faz isto o Benfica? Porque está com medo, porque sabe que o FC Porto está forte e porque tem consciência de que ao nosso clube foram subtraídos muitos pontos na classificação devido a decisões erradas de alguns árbitros, de resto como afirmam todos os especialistas minimamente independentes.»

F.C.Porto 4 - C.D.Tondela 0. Segunda-parte fortíssima merecia ainda mais golos


Jogando antes do Benfica, podendo, em caso de vitória, dormir, pelo menos duas noites no 1º lugar, o F.C.Porto defrontava o último classificado, Tondela, equipa que na época passada venceu no Dragão e com esse surpreendente resultado, ao mesmo tempo que fez o F.C.Porto bater no fundo, partiu para uma recuperação a todos os títulos notável e que lhe permitiu manter-se no principal campeonato do futebol português.
Em vésperas de um jogo muito importante para a Champions, frente à Juventus, todo poderoso campeão italiano, Nuno Espírito Santo fez alterações, poupou Danilo, Herrera e Brahimi, titulares em Guimarães, colocou nos seus lugares Rúben Neves, Corona e Otávio e o F.C.Porto, depois de uma primeira-parte que não foi famosa, fez uma segunda de alto nível, venceu por quatro golos sem resposta, podia, sem favor, vencer pelo dobro

Entrada forte dos Dragões, boa dinâmica, aos 4 minutos cabeçada de Soares para grande defesa de , prometia a equipa de Nuno Espírito Santo. Foi sol de pouca dura, muito por culpa de um meio-campo onde André André não é um organizador e Rúben Neves ainda acusava a paragem, o mesmo se podia dizer de Otávio, o jogo dos azuis e brancos tornou-se pastoso, muito coração, mas pouca razão, o Tondela soltou-se, foi aparecendo, obrigou a defesa portista a expor-se, Felipe e Marcano foram obrigados a arriscar, para safar jogadas de perigo, levaram amarelo. Quando já estava à vista o intervalo e o nulo teimava em manter-se, penalty sobre Soares aos 43 minutos, André Silva transformou, F.C.Porto em vantagem. Depois e já no tempo de desconto, Osório foi expulso e bem, Dragões com vida facilitada para a segunda-parte.

Na segunda-parte o conjunto de NES entrou muito e a jogar muito bem, lamentavelmente desperdiçou vários golos cantados, nos 15 minutos iniciais, sem qualquer exagero, o F.C.Porto podia estar a ganhar por 5-0, só estava a vencer por 2-0. Inacreditável a forma com vários os jogadores dos Dragões falharam golos feitos, foi preciso Rúben Neves marcar um golo extraordinário, num grande pontapé de fora da área, para que o F.C.Porto aumentasse a vantagem, porque, convém repetir, oportunidades de baliza aberta, falhadas, eram umas atrás das outras. Depois e até final continuou a superioridade total e absoluta do conjunto da casa - Casillas não fez uma defesa -, mais dois golos - o terceiro por Tiquinho Soares e de qualidade superior; o quarto também excelente de Diogo Jota - e outros tantos ou mais, falhados.

Tudo somado, vitória clara e indiscutível do F.C.Porto, 45 minutos magníficos, pena que  André Silva, muito precipitado e perdulário, tivesse faltado à chamada.
- Calma, André, forçar e demasiada sofreguidão não leva a nada, os golos vão surgir naturalmente, não compliques, simplifica.

Notas finais:
Fizemos a nossa obrigação, conseguimos a sexta vitória consecutiva,  lideramos à condição, aguardemos o que faz o Benfica em Braga.

As vitórias dão moral, aumentam a confiança, transmitem tranquilidade. A Juventus é outra dimensão, mas chega na melhor altura. Confio que estaremos à altura de um confronto muito exigente.

- Pepa, surreal és tu, meu mouro encardido. Não estás a falar para agradar a quem te paga, estás a falar com a tua costela benfiquista à flor da pele, para quem te encomendo o sermão, meu rafeiro!
Levaste quatro e dá-te por contente, podias ter levado oito!

- José Lopes, Xebeu, autêntica mago da bola, cada palpite é cada melro. Não dá sobre o euromilhões, nem totoloto, só sobre o F.C.Porto e é apenas para os amigos.

Maxi, Casemiro e uma grande defesa que afinal nunca existiu


Que Maxi não está em pleno, nota-se bem, mas isto só pode ser uma piada!
Então o F.C.Porto estava a vencer o Moreirense por 2-0 ao intervalo e claramente por cima no jogo, a equipa de Moreirense de Cónegos estava com 10 jogadores - Francisco Geraldes tinha sido expulso quase no final da primeira-parte -, Maxi lesionou-se aos 20 minutos, estava em sacrifício e veio para a segunda-parte, correndo riscos de agravar a lesão que mesmo assim o impediu de jogar com o Rio Ave, porquê?

Ao ver Casemiro jogar no Real Madrid, afirmar-se como um jogador importante, nuclear, até, aquele que equilibra a equipa e permite soltar Modric e Kroos e ainda por cima marcar um golão, num grande remate de fora área, não pude deixar de recuar ao tempo que o brasileiro serviu o F.C.Porto. Casemiro foi mal-amado, assobiado, no jogo frente ao Athletic de Bilbau, insultado, apenas porque naquela altura havia a fobia contra quem vinha de fora e indicado por Lopetegui, também porque havia quem quisesse à força que o seu lugar na equipa fosse de Rúben Neves. Hoje, vendo o apoio interno - que diferença na comunicação dos Dragões... - e externo a NES, cada vez me convenço mais que se Julen Lopetegui tivesse tido o mesmos apoios... não havia tanto colinho, o F.C.Porto tinha sido campeão na época 2014/2015.
Que atitudes dessas deixem de acontecer, acabem os patinhos feios, quem tem comportamentos profissionalmente correctos e honra a camisola - jogar mal é outro filme...-, seja respeitado.

A pedido de várias famílias, aqui está o ambientador que uso por causa dos maus cheiros. Se é 100% eficaz em relação à Tânia Laranjo, também é em relação aos benfiquistas que constantemente vêm aqui chamar-me doutor.

- Iker, aquela grande defesa que fizeste no último minuto do jogo frente ao Sporting e que correu mundo, afinal e segundo o Chouriço, nunca existiu. Como aquela mente suja e emporcalhada, semanalmente, diz que o Sporting queria perder, esse lance não existiu, foi ficção, tu não tiveste de te esticar todo e fazer uma das melhores defesas da tua carreira.

Pode dizer-se que uma equipa defendeu bem, mesmo não sofrendo golos, se essa equipa permitir meia-dúzia de oportunidades claras ao adversário, em lances de bola corrida, para além de um penalty que não foi transformado e outro que não foi assinalado? Acho que não, mas como cada vez percebo menos de bola...

Pensando no F.C.Porto vs Tondela, olhando para o toque de Midas, para o Benfica - Dortmund e um PS com o Brise na mão


O gráfico da classificação, no que diz respeito ao F.C.Porto, mostra bem as razões para algum nervosismo que se instalou para os lados de Carnide. Depois de ter sido dado como praticamente morto à 11ª jornada, o Dragão arrebitou, mesmo que à condição, já dormiu no 1º lugar, se vencer na próxima sexta-feira o Tondela, volta a ser novamente líder e pode esperar tranquilamente pelo que vai acontecer na Pedreira - muitos dos que vão assistir ao Braga-Benfica, vão estar divididos, nem sabem para que lado cair.
E a propósito do jogo frente à equipa do Distrito de Viseu, Nuno Espírito, disse: «Não existe outro jogo que não o Tondela. Não existe Juventus até sexta-feira. É um jogo que queremos vencer e os jogadores não vão cair no erro de pensar mais para a frente». É bom que assim seja, o Tondela estava praticamente na 2ª Liga na época passada, ressuscitou no Dragão, não podemos facilitar, temos de estar concentrados, totalmente focados, o campeão italiano vem depois. Não há adversários fáceis e os jogos frente a equipas que se fecham muito, não saem para jogar, obrigam a jogar em ataque continuado, não têm sido peras doces para o F.C.Porto.
A minha equipa é esta:
Casillas, Maxi ou Layún (o uruguaio está desgastado, o mexicano precisa de voltar, espero que agora mais próximo da sua capacidade, o que não era o caso quando jogou contra o Rio Ave), Felipe, Marcano e Alex Telles, Danilo, Herrera e Óliver, André Silva ou Corona, Soares e Brahimi.

Como podem ver e pelo que se vai sabendo, não há qualquer dúvida, Luís Filipe Vieira tem mesmo o toque de Midas. Basta ver as dívidas ao Novo Banco, dívidas essas que ele vai pagar, obviamente. Como? Provavelmente como pagou os 17 milhões do BPN. Ai não pagou, o Estado assumiu as dívidas? Privilégios do clube do regime.
Nota: a laranja os devedores, Benfica, accionista da SAD encarnada e empresas ligadas a Luís Filipe Vieira.

Sobre o Benfica - Dortmund de ontem:
Parem de brincar com a minha inteligência, o jogo foi transmitido pela televisão em canal aberto e eu vi. Vi que o Benfica, mais uma vez e em jogos frente a equipas com valor, Nápoles, F.C.Porto, Sporting ou B.Dortmund, não é nada daquilo que os vendilhões do templo andam constantemente a apregoar. O Benfica está cada vez mais à vista, é uma equipa forte com os fracos, fraca com os fortes, muito inferior na prática às teorias que sistematicamente vemos propagandeadas. Ontem ganhou, mas fez uma exibição miserável. Tirando os 5 minutos iniciais da primeira-parte e os primeiros 5 da segunda, foi uma equipa totalmente dominada, massacrada, o B.Dortmund criou e desperdiçou meia-dúzia de oportunidades claríssimas de golo, incluindo um penalty. Na etapa complementar, depois de um golo, limitou-se a defender no último terço do campo, raramente teve bola, quando a teve nunca soube o que fazer com ela, sair a jogar, apenas a despachava sem qualquer sentido e critério. Foi uma vitória caída do céu, daquelas que acontecem de longe a longe.
Se fosse o F.C.Porto, mesmo vencendo, fizesse uma exibição daquelas, era arrasado, basta ver o que disseram da segunda-parte dos Dragões no último F.C.Porto - Sporting. Mas como foi o clube do regime, outros interesses se levantam, é preciso branquear umas coisas, extrapolar outras, mimar e não desestabilizar. Idem para alguns dos jogadores. E nesse particular, com Pizzi a ser o melhor exemplo de um jogador normal transformado em craque por uma comunicação social de freteiros e recadeiros.

Mesmo sendo um adepto ferrenho do F.C.Porto sou muito mais sério a analisar jogos do meu clube que alguns que têm o dever de ser isentos e rigorosos, mas vêem sempre branco, mesmo quando entra pelos olhos dentro que é preto.

PS - Só pode ser piada, a lixeira da manhã a fazer um apelo ao Estado, porque alguém pediu emprestado o microfone da que cheira mal... Mas esta escumalha acha que em nome da liberdade de informação vale tudo, obrigar quem não quer falar a falar, nem que para isso lhe metam o microfone pela boca dentro? A lixeira da Cofina só sobrevive porque Portugal é um país de brandos costumes. Se fosse num país onde quem difama, calunia, mente, provoca, tivesse que pagar as consequências, há muito tempo que a lixeira da manhã tinha passado à história.

A propósito de André Silva e Soares, no F.C.Porto não queremos titularidades por falta de comparência de alternativas


Ele é o André Silva que perdeu visibilidade e esta à sombra de Soares, ou o Layún e Depoitre que custaram 6 milhões cada um, agora não jogam e são muitos milhões em segundo plano, foram apenas mais dois exemplos que li ontem num jornal desportivo, concretamente no panfleto da queimada. E exemplos destes sobre o F.C.Porto são uma constante, proliferam numa comunicação social que salvo raríssimas excepções, está sempre à procura de coisas negativas para dar à estampa, com objectivos bem definidos e que nem preciso de dizer, estamos todos cansados de saber. Já no caso do Benfica, é o contrário, andam sempre à procura de qualquer coisinha, por mais insignificante que seja, para exaltar as virtudes do clube do regime. Veja-se o caso de Carrillo. Entre o que o Benfica pagou ao empresário e paga ao jogador, o peruano é mais caro que qualquer um dos dois jogadores do F.C.Porto, citados, Carrillo não tem jogado nada, nunca ninguém se preocupou. Agora parece que fez um jogo bom, aí está ele a ser todo lambido - a propósito deste benfiquismo bafiento, até o 1º Ministro não se inibiu de numa visita não sei a onde, perguntar: foi golo do Benfica? Ainda bem, o dia não podia começar melhor; também num programa da RTP1, só porque uma concorrente escolheu um circulo vermelho, logo saltou, pois, o vermelho é que é bonito, eu sou vermelho, disse um membro que fazia parte do júri, para alegria de uma parte da plateia. Mas nós os que não somos do Benfica, temos de levar com isto constantemente? Tenham um bocadinho de pudor, nem nos tempos de Salazar o Benfica era tão exaltado e nessa altura isso dava muito jeito ao ditador...

Voltando à questão Soares/André Silva que já anda a germinar, mas que temos de matar rapidamente. No F.C.Porto não queremos titularidades por falta de comparência de alternativas, queremos concorrência que obrigue todos a dar à pinhanha, evite que alguém adormeça à sombra da bananeira, sabendo que estando bem ou mal, tem sempre o lugarzinho garantido. Depois, compete e quem de direito, no caso o treinador, fazer opções e aí, já sabemos, acontece o que acontece em todos os clubes, não há unanimidades, mas quem for escolhido tem de ser apoiado.

Notas finais:
Óliver é jogador do F.C.Porto, é novo, tem talento, um enorme potencial. Sobre o preço veremos no futuro se foi caro ou barato. Será que o jovem espanhol vai ser mais um estigmatizado por causa do que custou, na mesma linha de outros, como se o jogador tivesse alguma culpa por o F.C.Porto ter pago por ele 20 milhões de euros?

Nestes longos anos a ver futebol, já vi capitães chatos para os árbitros, para que os discípulos do Chouriço não fiquem com comichão, alguns do F.C.Porto. Mas nunca vi um capitão passar 90 minutos à volta do árbitro como vi Adrien fazer no último F.C.Porto vs Sporting - fiz referência a isso logo na altura, acho que no post do jogo.Talvez essa intimidade com os árbitros seja a razão para que não tenha sido expulso em Moreira de Cónegos. Sobre Adrien concordo com a análise do MST - ver artigo no post anterior.

Digamos que a pedido de várias famílias, foi ver o Dia Seguinte de ontem. Só aguentei até à parte em que o Chouriço acusava Guilherme Aguiar de estar a dar um recado. Antes tinha dito estes mimos: fartaram-se de gamar; roubado escandalosamente. Gamar e roubar, compreende-se, são termos caros ao Chouriço, à traumas que dificilmente se ultrapassam, já chamar recadeiro a alguém que está no programa de forma pachorrenta e raramente se chateia - mesmo quando devia, porque tinha razões mais que suficientes para isso -, é o fim da picada, vindo de alguém que recebe a agenda e muitas vezes é apanhado a dizer ipsis verbis o que diz Pedro Guerra noutro programa de género e que vai para o ar à mesma hora.

Os anjinhos da Luz ameaçaram de faca e pistola Jorge Coroado. Crime? Expulsou Claudio Caniggia. E esta, hein?


Muito interessante a conversa entre Rui Miguel Tovar e Jorge Coroado, principalmente porque ficamos  a saber uma coisa que desconhecíamos, os anjinhos da Luz antes de partirem os dentes a Pedro Proença e darem um cachaço no assistente José Ramalho, por exemplo, já tinham feito grandes tropelias anteriormente, ameaçaram de pistola e faca o éx-árbitro e agora comentador, Jorge Coroado, porque ele, vejam lá, teve o desplante de expulsar o jogador do Benfica, Claudio Caniggia. Numa altura que os peões de brega, chouriços, baleias, freteiros com calo e menos calo, reco-recos e afins, andam muito preocupados porque dois alegados adeptos do F.C.Porto foram à Maia mandar umas bocas, não é extraordinário saber-se que eles nos métodos de persuasão, estão muito mais avançados e há muito mais tempo? É, com certeza.
A azul as declarações de Coroado.

«Pastéis de Belém. Um para cada, só em jeito de início de conversa. Que isto vai demorar. Ai vai, vai. Jorge Coroado é um árbitro como poucos. Começa pelo currículo respeitável de mais de 200 jogos na 1.ª divisão portuguesa. É o primeiro de sempre a ultrapassar essa barreira. De 1986 a 2000, é um fartote. Como os pastéis. E é homem para grandes cometimentos, como expulsar três benfiquistas na Luz ou dois portistas no Bessa. Venha de lá o parlapiê.

Ò Rui, e esta conversa é para onde?
Observador, o site.

Conheço, sim. E papel, nada?
Era bom, não era?

Então não? Sabe, aprendi imenso nos jornais.
Eu também. A geografia, por exemplo. Quando havia o sorteio da 1.ª eliminatória das competições europeias, era uma maravilha. O Sporting em Timisoara, o Boavista em Marx-Stadt, o Belenenses em Mostar, o Vitória em Istambul, o Porto em Helsínquia, o Benfica em Budapeste. Ainda hoje, esse conhecimento de estabelecer relação entre as cidades e os países é dos desportivos.

Isso mesmo. Outros tempos. Aprendíamos imenso com os jornais. Muito mesmo. Olhe, aprendi a ler pelos jornais. Lia a Guidinha.
A Guidinha?
Era uma crónica do Luís de Sttau Monteiro no “Diário de Lisboa”. Também foi ele o autor d’A Mosca, no mesmo jornal. Aquilo era a minha leitura. Na escola, a professora pedia-nos para pontuar o texto. Sabe como é, incluir vírgulas, pontos finais, parágrafos, exclamações, interrogações.

Ainda bem que está aí. De onde é? Onde mora? O que faz?
Vivia ali na zona do Belenenses.

E ia ao Restelo?
Muitas, muitas vezes. E composto, bem composto. Não é como agora [e abana a cabeça em desaprovação pela média de 4 mil adeptos/jogos nos 11 jogos para o campeonato 2016-17].

Já queria ser árbitro?
Não, nem pensar. Se bem que me lembro perfeitamente de ter 9 anos de idade e ver milhares de pessoas a manifestarem-se contra um homem só, o árbitro. Para mim, aquilo tudo não tinha cabimento. Mas ainda não pensava nisso da arbitragem, até porque fui praticante de atletismo do Belenenses até aos 18 anos.

Eu li o anúncio Associação de Futebol de Lisboa n’A Bola, lembro-me como se fosse agora. Estava lá um quadradinho e, claro, aquilo espicaçou-me. Provocou em mim uma curiosidade infinita. Fui lá inscrever-me no curso e saber as regras.  

E o futebol?
Exceção feita aos jogos propriamente ditos, sobretudo os dos grandes no Restelo, onde a festa era imensa, a minha memória mais forte é o dia seguinte.

As segundas-feiras?
Na barbearia debaixo da minha casa, discutia-se bola, bola e mais bola. Com o jornal A Bola ali ao lado, claro está.

Xiiiii, é o tempo dos tri-semanários desportivos.
Isso mesmo, A Bola à 2.ª, 5.ª e sábado, Record à 3.ª, 6.ª e domingo e ainda o Mundo Desportivo.

E quando nasce essa mania da arbitragem?
Vi o anúncio da Associação de Futebol de Lisboa n’A Bola.

Estavam à procura de árbitros?
Antes, era assim. Agora, o anúncio está na internet. Eu li o anúncio n’A Bola, lembro-me como se fosse agora. Estava lá um quadradinho e, claro, aquilo espicaçou-me. Provocou em mim uma curiosidade infinita. Fui lá inscrever-me no curso e saber as regras.

Lembra-se da sua estreia absoluta?
Fiscal-de-linha de António Ferreira, num Loures-Sacavenense em juniores.

Uau, boa memória. E o segundo jogo, já agora?
Em Algés, um jogo entre equipas do Casal Ventoso, novamente como fiscal-de-linha.

E como árbitro?
Fui o primeiro de sempre a passar os 200 jogos na 1.ª divisão.

E a estreia?
Vidal Pinheiro, outubro 1986, um Salgueiros-Farense. Acaba 2-0. Nesse jogo, marca o Mike Walsh, aquele que jogou no Porto. Era pai de quadrigémeos, que figura.

Repito-me, que memória.
Essa da estreia na 1.ª divisão é fácil: 1986 foi um grande ano para mim.

Então?
É o ano do meu casamento e da minha entrada no BCP [Banco Comercial Português].

Como foi essa viagem para o Salgueiros-Farense?
Viajei de véspera. Aliás, viajava sempre de véspera. Como os jogos eram sempre ao domingo, às 15 ou 16, dependia do horário de inverno ou verão, saía daqui com os meus fiscais-de-linha ao sábado. Dormia na cidade em questão e apitava tranquilamente no domingo.

E vinha quando?
Sempre a seguir ao jogo. E sem parar. Havia quem parasse em Águeda, onde havia um restaurante conhecido por receber este e aquele. Eu não. Sempre fui direto, sem parar.

Dava para chegar a casa e ver o Domingo Desportivo?
Dava para chegar a casa e jantar com a minha mulher.

Em 1986, a A1 dá até…
Só até ao Carregado. Daqui a Braga, eram sete horas. Daqui a Vila Pouca de Aguiar, para apitar em Chaves, eram umas 10 horas. Se saísse daqui às 13 horas, chegava às 23.

Quanto recebeu por essa primeira viagem ao Porto?
20 escudos.

Como?
Ainda dei 20 escudos da minha algibeira.

Como assim?
Entre despesas de deslocação, alimentação, hospedagem e pagamento da diária aos meus fiscais-de-linha, fiquei a dever 20 escudos a mim mesmo.

Outros tempos?
Meeesmo. Para começar, só recebíamos subsídio se viajássemos 150 km para fora de Lisboa, ida e volta. De 150 km a 250 km, recebíamos tanto. De 250 km a 500 km, outro tanto. Para cima de 500 km, mais um tanto.

E os hotéis?
Isso era à sorte. Havia bons, assim-assim e maus, muito maus. Melhorou muito a partir de uma certa altura em que o profissionalismo tomou, e bem, conta do futebol no seu todo.

Como era um hotel muito mau?
Bem, uma vez apanhei um hotel que nunca mais. Tanto assim é que fiz queixa ao Turismo Cruzeiro, era assim que se chamava a companhia que nos marcava os hotéis. Foi lá em cima, em Trás-os-Montes: a cama não tinha uma perna, a banheira tinha mais surro que Deus me livre e se atirasse a carcaça do pequeno-almoço à cabeça de um dos meus fiscais-de-linha, pobre coitado, ficava inutilizado.

Benfica-Torreense. O que lhe diz este jogo?
Na Luz. O Torreense, que faz aí a sua última época na 1.ª divisão, era treinado pelo Manuel Cajuda. E onde errei foi não ter assinalado um penálti contra o Benfica, por falta do Neno. O próprio confirmou-me anos depois. Fez falta sobre um brasileiro chamado Bigu.
Uma vez apanhei um hotel que nunca mais. Tanto assim é que fiz queixa ao Turismo Cruzeiro, era assim que se chamava a companhia que nos marcava os hotéis. Foi lá em cima, em Trás-os-Montes: a cama não tinha uma perna, a banheira tinha mais sarno que Deus me livre e se atirasse a carcaça do pequeno-almoço à cabeça de um dos meus fiscais-de-linha, pobre coitado, ficava inutilizado.

E mais, e mais?
Zero-zero e expulsei Paulo Sousa, na primeira parte, por falta. Depois, já no fim, o César Brito, por palavras, e o Pacheco, também por palavras. Aliás, a história do Pacheco tem piada.

Então?
O Mozer é que me contou, depois confrontei o Pacheco e ele confirmou-me. Ao minuto 90, há um lance na área do Torreense, gera-se uma confusão e é daí que sai o vermelho para o César Brito, por palavras. O Pacheco, que até nem estava ali, veio a correr na minha direção e disse-me na cara, neste português, ‘meu filho da puta, não tens colhões para me mostrar o vermelho’. Ainda ele não tinha terminado a frase e já lhe estava a exibir o vermelho, não por palavras, porque como lhe digo nem ouvi o que ele me disse, a forma de se dirigir a mim é que foi insultuosa e merecedora de expulsão. Conta o Mozer, e depois o Pacheco, que quando mostrei o vermelho, o Pacheco desabafou ‘tens mesmo colhões!’ Há mais, atenção.

Uyyyyy…
No final do jogo, o Gaspar Ramos convidou-me para ir à sala de imprensa e aceitei. Cheguei lá e não havia nem um jornalista, só sócios do Benfica. Saí logo, claro. Ainda nesse dia, fui convidado para ir à RTP. Foi uma experiência inesquecível e divertida.

Então?
Dividi estúdio com o Toni, então adjunto do Eriksson no Benfica, e ele saiu-se com uma boa: que a minha atuação foi uma vingança com 30 anos de atraso. [Jorge Coroado abana a cabeça a rir-se]

Trinta anos?
Como eu sou do Belenenses, o Toni lembrou-se daquele Benfica-Belenenses de 1970 em que o árbitro João Nogueira expulsou Torres e Malta da Silva antes do intervalo. A multidão da Luz invadiu o campo e interrompeu o jogo. O árbitro safou-se de boa, devidamente protegido pelo Toni, então capitão do Benfica. Cabe realçar o facto de estar um dia de chuva e a maior parte das pessoas estar munida de um guarda-chuva, uma apreciável arma para quem quer acertar contas.

Como saiu da Luz nesse dia?
Pelo outro lado.

Eram frequentes essas saídas pelas traseiras?
Não, raro, raro, muito raro.

E era de expulsar muitos?
Uma vez, em 1977, um jogo das distritais de Lisboa acabou mais cedo porque expulsei sete jogadores do Castelo e dois do Atlético de Algés. Estava no início da minha carreira e também ainda estávamos no PREC. Se hoje o respeito pela autoridade é diminuto, na altura era inexistente

Qual o seu pior momento?
Em 1991, um Gil-Farense em Barcelos, só me deixaram dois vidros intactos. Fiz queixa, claro, e pagaram-me os 300 contos de arranjo.

Qual era o carro?
Um portentoso Citröen BX.

Sobreviveu a Barcelos?
E ainda apanhou mais, coitado. Em Paços, ficou sem pára-brisas nem as tampas das jantes. E também levou um pontapé.

De quem?
Um fulano.

Ahhhhh, vá lá. Qual fulano?
Olhe, lembra-se daqueles debates de bola à 2.ª feira, na barbearia debaixo do meu prédio? Pois bem, era uma dessas pessoas. Sportinguista doente.

Olho para cima e um sujeito atira-me um cachecol do Chelsea. Nunca tinha visto aquele sujeito. O cachecol foi comigo para o balneário. Tomei banho e saí do estádio, com o cachecol na mão. Antes de entrar no carro, em direção ao restaurante para o jantar, meti o cachecol à volta do pescoço. Os adeptos do Chelsea que ainda andavam por ali entraram em delírio e perseguiram-nos até ao restaurante.

Qual era o jogo?
Sporting-Benfica em juvenis.

Também apitava as camadas jovens?
Até ao fim da minha carreira, mesmo já internacional, apitava ao sábado e depois ao domingo. No meu último ano, apitei ainda 17 jogos de juniores da AF Lisboa.

Então apanhou grandes craques.
Siiiim. Lembro-me bem de Figo, Simão, Paulo Sousa e Rui Costa. Vi-os crescer.

Como internacional, qual foi o primeiro jogo?
Itália-URSS em La Caserta, perto de Nápoles. Um jogo do campeonato militar.

E o primeiro jogo de seleções senior?
Futebol feminino, um Espanha-Suécia. Em Barcelona. Lembro-me bem do quarto de hotel no Princesa Sofia, ao lado do Camp Nou. Um quarto de luxo, com uma diária a rondar os 80 contos. Desnecessário. Apanhei alguns quartos assim, luxuosos demais. Alguns deles, o quarto era gigante.

E chegou até onde, a nível internacional?
Em 11 anos, uma meia-final da Liga dos Campeões e outra da Taça das Taças.

Nunca foi a um Mundial ou a um Europeu?
Gostava de ter ido, claro que sim, mas a minha maior alegria é ter apitado a final da Taça, no Jamor. E repeti a dose. Um Porto-Braga em 1998 e um Porto-Marítimo em 2001. Aliás, essa foi a minha despedida. Não podia escolher melhor desfecho de carreira do que subir aquelas escadas e ser saudado pelo presidente da República. Mágico.
É falta sô árbitro: curiosa imagem a meio de um Sporting-Salgueiros em 2001

Dessas meias-finais da UEFA, qual a melhor história?
Sem dúvida alguma, o Chelsea-Saragoça. Estava em causa um lugar na final e o Saragoça entrou a todo o vapor. Aquele argentino, o Esnaider, fez uma entrada arrepiante. Virei-me para ele e disse-lhe ‘põe-te à tabela, ainda me lembro o que fizeste à seleção portuguesa no Mundial sub-20 em 1991.” Acalmou de imediato.

Quem ganhou?
O Chelsea ganhou o jogo, 3-1. O Saragoça passou à final, 4-3 no conjunto das duas mãos. Há um recuerdo engraçado. No final do jogo, encaminhei-me para o balneário e, à entrada do túnel, há alguém que diz insistentemente referee. Olho para cima e um sujeito atira-me um cachecol do Chelsea. Nunca tinha visto aquele sujeito. O cachecol foi comigo para o balneário. Tomei banho e saí do estádio, com o cachecol na mão. Antes de entrar no carro, em direção ao restaurante para o jantar, meti o cachecol à volta do pescoço. Os adeptos do Chelsea que ainda andavam por ali entraram em delírio e perseguiram-nos até ao restaurante.

E depois?
Entraram no restaurante, sempre a cantar. O dono do restaurante estava para expulsá-los, só que percebeu a cena e deixou-os ficar a beber uma cerveja connosco. Foi um exemplo de desportivismo exemplar. Aquilo é diferente, lá em Inglaterra.

Também deve ter apanhado uns sustos valentes, não?
Nem me diga nada: Sigma Olomouc-Fenerbahçe. Acabou 7-1 [Novembro 1992].

Para o Fenerbahçe?
Para o Sigma. Expulsei três jogadores do Fenerbahçe.

Três?
Inclusive o capitão. Esse atirou-me a bola com um pontapé. Vermelho sem hesitação.

E depois?
O Fenerbahçe descontrolou-se em absoluto. A equipa tinha cinco ou seis jogadores agenciados pelo Valter Ferreira [responsável pela vinda de zairenses em massa nos anos 80: N’Dinga, N’Kama mais Basaúla] e foi uma cegada total. Perderam e foram eliminados. À porta do balneário, um fotógrafo turco estava como intruso e dei um pontapé na máquina. Aquilo descarrilou por completo. Só para ver, disseram-me em francês que ia chegar a Portugal com um sobretudo de quatro tábuas. Durante umas semanas, largas, tanto a GNR como a PSP vigiaram os meus filhos, da escola para casa e de casa para a escola. Todos os meus movimentos e os da minha mulher também eram observados a rigor pelas forças de segurança. Enfim, o futebol tem disto.

Qual é o outro lado?
Um Kaiserslautern-Ajax só com oito faltas, por exemplo [Dezembro 1992]. Saí do jogo fresquinho que nem uma alface. Desengane-se quem pensa que esses jogos são danados para os árbitros. Os do pára-arranca é que são uma chatice pegada. Quando as equipas não jogavam um terço do tempo, saía todo roto do campo.

Apanhou algum português lá fora?
Uma vez, sim. O Rui Costa [Setembro 2000]. Entrou em campo a dizer-me ‘Jorge, somos portugueses, não somos?’

Como acabou?
A Fiorentina perdeu 3-1 na Áustria, com o Tirol.

Disseram-me em francês que ia chegar a Portugal com um sobretudo de quatro tábuas. Durante umas semanas, largas, tanto a GNR como a PSP vigiaram os meus filhos, da escola para casa e de casa para a escola. Todos os meus movimentos e os da minha mulher também eram observados a rigor pelas forças de segurança.

E cá, alguém o tirou do sério?
Olhe, um Paços-Varzim da 2.ª divisão. Eu dizia sempre aos meus fiscais-de-linha para não agitarem a bandeirola na marcação de um golo e que andassem sempre de um lado para o outro, na linha lateral. Assim, os adeptos não fixavam o alvo. Nessa tarde, o Varzim marca na sequência de um canto. É um golo em que a bola entra e um defesa corta para lá da linha. Eu valido o golo e o meu fiscal agita a bandeira. Está a ver, não está? Um golo polémico e os adeptos atiram-se ao árbitro. Como o árbitro está longe, o alvo é o fiscal-de-linha. Em vez de se mexer, ele ficou quieto junto à linha que liga o meio-campo e a lateral. De repente, levou com uma garrafa partida junto ao olho. Se aquilo lhe acertasse mais abaixo, ficava cego. O jogo foi interrompido e ele foi socorrido na cabina, pelo médico do Paços. Um senhor cinco estrelas, a quem me curvo mais uma vez.

Quem atirou a garrafa?
Vi-o pelo canto do olho e sabia quem era, só que fugiu. Ainda trepei a vedação naquele primeiro instinto de o apanhar, mas era urgente acompanhar o fiscal-de-linha para o balneário e suturá-lo. Ainda bem. Naquela tarde, era capaz de me atirar ao homem e sei lá o que lhe fazia.

E o jogo foi reatado?
Aquilo era sangue e mais sangue no balneário. O médico coseu o sobrolho do fiscal-de-linha e ele estava aparentemente bem, só que não havia condições para prosseguir. O público estava completamente irado e nós não sentíamos bem em voltar a jogar. Para tal, era preciso esperar por 30 minutos para acabar com o jogo. Agora, imagine a cena: o fiscal-de-linha deitado, virado para mim, e o médico do Paços, de costas para mim.

E agora?
Pergunto-lhe: ‘Sentes-te em condições?’ E ele a dizer que sim. Eu estava a ir aos arames. Pela segunda vez nessa tarde. Às tantas, pisei-lhe a mão para ele perceber que não podia querer ir a jogo, não havia condições. O médico do Paços só se ria. Tinha percebido a ideia. E também me disse que o fiscal-de-linha não estava em condições de reassumir as funções. A meia-hora passou, o perigo também.

Há histórias dessas na 1.ª divisão?
Nãããããão.

Vejo aqui que expulsou o João Pinto aos 20 minutos de um Porto-Vitória SC.
[Jorge Coroado esboça um sorriso engraçado] Bem lembrado, foi duplo amarelo. E esse lance foi o penálti do 1-1, se não me engano. O Porto perdeu 3-2 nas Antas [Abril 1996]. No fim, o Pinto da Costa veio ter comigo e perguntou-me ‘como é que tinha visto penálti?’.

Então, porquê?
Foi um lance no outro lado da área e o sol, por trás da tribuna, encadeava-me. Só que, mesmo assim, vi o gesto manhoso do João Pinto. Ele esperava que me enganava, só que isso não era assim tão fácil.

Não?
Há certos movimentos físicos possíveis e outros impossíveis. Esse do João Pinto era impossível. Só se fosse falta, digo. O Pinto da Costa também me disse que tinha sido corajoso com o penálti mais a expulsão, ainda por cima do capitão. E deu-me os parabéns pela arbitragem.

Outra desse género?
Outra? [pensa alto] Ahhhh, um Braga-Porto para a Supertaça. Está 1-1, expulso Zahovic com vermelho direto, antes do intervalo, e apito penálti para o Braga aos 80-e-muitos minutos. Na marcação, o Kralj defende o remate do Silva. Acaba 1-1 e o Pinto da Costa pergunta-me: ‘Que sangue lhe corre nas veias para marcar um penálti contra o Porto no fim?’.

E há sempre aquele Benfica-Sporting de 1995.
Que processo, esse. Bem kafkiano.

O vermelho ao Caniggia, porquê?
A ideia é dar um amarelo ao Caniggia e outro ao Sá Pinto, por troca de empurrões na sequência de uma falta perto da área do Benfica. Só que o Caniggia insulta-me. Chama-me ‘filho da puta’ e manda-me para a ‘puta que te pariu’. Dei-lhe o amarelo. Depois ouvi isso e dei-lhe vermelho direto. O que as pessoas pensaram foi que eu me tinha enganado. Que eu julgava que ele já tinha amarelo e que portanto foi segundo amarelo. Nada disso. Foi amarelo, o primeiro dele naquele jogo, e depois o vermelho direto, porque não aceito insultos de ninguém. Seja em português ou em castelhano.

E depois?
Na cabina do árbitro, o Gaspar Ramos [dirigente do Benfica] estava muito nervoso e incontrolável. Pedi-lhe então que se retirasse. É verdade que aquela casa [Estádio da Luz] era dele, e ele até era delegado ao jogo, pelo que podia estar ali mas não naquele estado, mas aquele espaço era meu.

A verdade é que a FPF instaurou-lhe um processo?
Já lhe disse que foi kafkiano, não já?

Então?
Mal entrei na sala para depor, o relator do processo [Sampaio Nora, do Conselho de Justiça da FPF, pertencente à lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica uns anos depois] disse-me para estar tranquilo porque não gostava de mim.

Entrada a pés juntos?
É como lhe digo: já se passaram tantos anos que ainda nem sei se hei-de rir ou de chorar. Foi um processo kafkiano.

E os jogadores, colaboraram?
Os do Benfica defenderam a sua dama. Do Sporting, só houve um que me defendeu e disse o que tinha ouvido. Foi o Sá Pinto. Os outros encolheram-se. Como o Marco Aurélio, aquele central. [Jorge Coroado começa a falar com sotaque brasileiro]. ‘Eu até ajudava você, Coroado, mas não sei o dia de amanhã, né?’ Em resumo: eles tinham medo de dizer o quer que fosse porque isso hipotecava o futuro deles. Conclusão: a FPF anulou esse jogo e promoveu um outro, de repetição, no Restelo, que a FIFA desvalorizou. Nas contas finais desse campeonato 1994-95, o jogo que conta é o meu.
Mal entrei na sala para depor, o relator do processo [Sampaio Nora, do Conselho de Justiça da FPF, pertencente à lista de Vale e Azevedo para as presidenciais do Benfica uns anos depois] disse-me para estar tranquilo porque não gostava de mim.

Olhe, e o Caniggia?
Vi-o só mais uma vez, na minha despedida internacional. Para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões, num jogo entre Rangers e Maribor, em Glasgow [Agosto 2001]. Ele viu-me e deu-me a sensação de estar assustado. Falámos um pouco, ele disse-me que nunca quis criar problemas e eu disse-lhe para estar tranquilo. Nessa noite, ele marcou dois golos [3-1] e não o expulsei. Assunto arrumado.

Arrumado? Sei de uns episódios estranhos por conta do vermelho ao Caniggia.
Nada de especial. Fui ameaçado de morte com uma pistola e depois com uma faca, à porta do meu emprego, ali na José Malhoa.

O quê?
De manhãzinha, ainda antes da 8h30. Foram pequenos-almoços diferentes. Eram adeptos de cabeça perdida que queriam fazer justiça com as próprias mãos. O da pistola só me queria assustar, o da faca do mato tentou atingir-me só que falhou o alvo e estragou-me o casaco. A sorte dele é que conseguiu fugir. O azar é que lhe fiquei com faca.

Ainda a tem?
Para a posteridade.

Qual o jogador por quem sente mais admiração nos anos de arbitragem?
A essa pergunta tenho de responder Paco Fortes. Sem pestanejar, o Paco.

O Paco, grande homem.
Pode crer. Lamento imenso a situação que ele viveu recentemente, em Barcelona, quando andou para aí aos tombos. Ainda bem que a comissão dos antigos jogadores do Barcelona agarrou nele e deu-lhe trabalho e comida. Houve um tempo em que o Paco significava Farense, São Luís, Algarve. Grande, grande homem. 

E porquê essa adoração toda?
Estávamos em 1993 e fui apitar o Salgueiros-Farense, uma semana depois da morte da minha mãe. Às tantas, assinalo uma falta e o Stefan, um defesa luso-brasileiro do Farense, passa-se. Acto contínuo, insulta a memória da minha mãe. Bem, aí fui eu quem se passou. Expulsei-o.

No fim do jogo, a caminho do balneário, o Paco Fortes está acompanhado pelo Stefan no cimo das escadas e pergunta-me o porquê de o ter expulsado. Digo-lhe de minha justiça e sabe o que faz o Paco?

Nem ideia.
Dá um murro ao Stefan. No primeiro treino do Farense depois desse episódio, o Paco está à espera do Stefan à entrada do estádio e voltam-se a embrulhar-se.
Por falar nisso, embrulhe lá mais seis pastéis se faz favor.»




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