Populares Mês

A propósito da contratação do jovem, 16 anos, norueguês, Eiriki Granaas...

 

Não vou na história do novo Martim Ødegaar, essas comparações não são boas, criam expectativas muito altas, só prejudicam. 

É este o caminho, esta deve ser a regra, mas todas as regras têm excepções...
Ao mesmo tempo que se olha para dentro, se valoriza o que cá temos - exemplo os nove jovens da formação que vão trabalhar com a equipa principal na pré-época, ver os nomes na foto - e se criam melhores condições para potenciar o talento made in FCP, é preciso ter um scouting atento, preferencialmente à juventude, mas não só, que existe por esse mundo fora. Sim, de maneira que se possa chegar a tempo, antes que os tubarões do futebol europeu - tubarões no sentido de capacidade financeira -, já que se não fora isso não há assim muitos melhores que o FCP. Digo melhores e não digo maiores, porque, como se vê pelo exemplo português, a grandeza não é qualidade. Esta deve ser a regra, mas todas as regras têm excepções e aproveito a contratação deste jovem norueguês, Eirik Granaas https://www.ojogo.pt/.../veja-como-joga-eirik.../18096592 -, para deixar a minha opinião sobre um frenesim que decorreu entre a nação que torce pelo FCP após a declaração de Robert Lewandowski sobre o futuro: «Posso jogar numa liga inferior e aproveitar a vida»
Esta declaração do internacional polaco foi interpretada como um sinal que podia ser no FCP e motivou discussão entre muitos portistas, com uns a aceitarem e achar que seria uma grande aquisição. Outros que não faz sentido contratar um jogador que vai fazer 38 anos, é muito caro, não tem nesta altura a disponibilidade física e mental para o futebol de Francesco Farioli que obriga os avançados a pressionar, trabalhar muito na ajuda, capacidade para atacar a profundidade, por exemplo. Lewandowski, dizem, não tem essas características e já não está para aí virado. Façamos de conta que AVB não tinha sido claro no desmentido, dizendo que o FCP não tem capacidade financeira para chegar ao avançado polaco e analisemos.

Vamos lá ver.
Como disse o presidente faz algum tempo, para além de outras fontes de receita, há três que são fundamentais. As receitas dos contratos televisivos, participação na Champions League e transferências de jogadores. Ora, neste último item, como disse, a regra tem de ser formar e contratar bem e aqui, preferência a jovens jogadores - daí o elogio à contratação de Eirik Granaas -, valorizar e transferir com mais valias. Também como referi, todas as regras têm excepções. E há casos em que se contratam jogadores que pela sua idade apenas se espera que tenham rendimento desportivo. Há vários exemplos, os últimos são Luuk de Jong e Thiago Silva. Portanto, para mim, sem loucuras, dentro de valores que o FCP já pratica, se Lewandowski - ou outro nas mesmas condições -, ainda estiver disponível para um clube exigente e para os sacrifícios que o campeonato português exige - não terá a exigência dos cinco campeonatos mais fortes, mas não é fácil, um passeio no parque jogar em alguns campos e frente a equipas que não arriscam nada -, então venha ele. No caso de Lewandowski ainda seria capaz de marcar mais de vinte golos, seria uma clara mais valia para o FCP e para o campeonato português. Ao nível de Iker Casillas que, é a minha opinião, não foi aproveitado no seu prestígio como devia, principalmente fora dele.

É este o caminho e este caminho permite dizer o seguinte: quando a grande maioria que não torce pelo FCP - não falemos dos outros... -, já prognosticava uma longa travessia de deserto, o regresso dos "Andrades", um FCP fraco, inofensivo, incapaz de incomodar, discutir títulos, que não ia contar nos anos mais próximos, azar, saiu-lhes um Dragão forte, dominador, poderoso, de chama alta, ganhador.
A melhor forma de analisarmos o significado deste Porto campeão total, seniores, juniores, juvenis e iniciados, são, por um lado, o incómodo causado nos peões de brega, freteiros, recadeiros, cartilheiros e afins, por outro, as loucuras que os nossos principais rivais estão dispostos a cometer para discutir com os Dragões os títulos nas provas internas da próxima época - Sporting já gastou mais de 60 milhões, Benfica li, "Rui Costa tem 190 milhões para reforços". 


A entrevista de AVB ao Jogo, JN e TSF:
O FC Porto, no ano passado, fez o maior investimento da história, ao gastar 100 milhões de euros em reforços. Este ano vai gastar tanto como no ano anterior?
- Foi uma revolução necessária, uma injeção clara de talento e uma aposta que o FC Porto precisava de ter. O nosso primeiro desafio, como vocês bem sabem, foi a realidade económica, época 24/25, que nos permitiu um encaixe financeiro também considerável, mas que nos obrigava de novo a refazer a equipa para a época de 25/26 e reinvestir no talento da equipa. Portanto, foi um mercado histórico, sem paralelo na história do clube, mas absolutamente necessário para quem queria ser candidato ao título. Acho que se tivéssemos chegado ao fim da época 25/26 e o FC Porto não tivesse sido campeão nacional, é porque não tinha feito bem o seu trabalho ao nível de renovação e investimento no plantel. Portanto, uma revolução profunda, mas absolutamente necessária, que nos dá agora bases para atacar o mercado de outra forma. É importante ter consciência de que a realidade económica do FC Porto não está totalmente resolvida. Claro que a sua dívida foi prolongada a longo prazo, digamos assim, mas temos responsabilidades financeiras. Temos sempre uma responsabilidade financeira enorme da qual não podemos escapar. Neste momento, trabalhamos a partir de outra base, uma base que não tínhamos no ano passado. Uma base boa, em que queremos manter os melhores talentos na equipa principal e reforçá-la em pontos estratégicos identificados pelo treinador. Não irá ser um mercado de 100 milhões, claro está, porque estas bases nos permitem olhar para o mercado de uma forma diferente e também muito mais ponderada.

E nessa perspetiva consegue garantir também a permanência desses principais jogadores ou está sempre sujeito aos interesses do mercado?
- Sim, sempre sujeito aos interesses do mercado, que neste momento se comporta de uma forma muito específica, também pelo acontecimento do Mundial. O FC Porto, para ser competitivo, tem de tentar manter a sua base. É claro que os clubes portugueses têm necessidade imediata de tesouraria e de caixa, porque têm de fazer face aos seus compromissos e ter fluxos de caixa suficientes que façam face a esses compromissos, desde logo os salários e pagamentos a clubes, pagamentos também de transferências anteriormente feitas. E é por isso que somos sempre obrigados a mexer o mercado. Nesta fase não temos nada em concreto pelos nossos jogadores, o que nos dá uma base boa e proteção, mas temos de ter consciência de que é preciso criar esses fluxos de caixa para nos mantermos sustentáveis durante a época, do ponto de vista das nossas obrigações.

Há algum alvo preferencial que o FC Porto tenha identificado em termos de contratações?
- Sim, muitos alvos, muitos deles referenciados. Acho que sobretudo o mercado desta fase, o mercado de junho e julho, é o mercado mais caro e é onde a maior parte dos clubes se protege relativamente aos seus ativos e pede quantias mais avultadas. Este é um mercado que normalmente se promove mais tarde. Por conta das entradas de novos treinadores, por conta dos inícios das pré-épocas, por conta também dos inícios das escolhas desses próprios treinadores, por conta das necessidades de fluxos de caixa de outros clubes. Portanto, diria que é um mercado que se agitará em agosto, nas semanas finais de agosto, onde os clubes têm necessidades imediatas mais prementes e então ativam-se no mercado de outra forma. Isto às vezes é limitativo dos ideais de um treinador que normalmente quer começar uma pré-época com um plantel totalmente disponível e já totalmente feito. No entanto, também não podemos deixar de pensar na forma como atuamos no início desta época, 25/26, e ter em consideração que alguns jogadores do FC Porto também chegaram mais tarde, desde logo o Kiwior, que chegou no último dia da janela de transferências.

Olhando para esse equilíbrio do plantel, há setores da equipa que o preocupam mais? A defesa, o meio-campo, o ataque?...
- O que marcou a época foi a lesão dos seus dois pontas-de-lança mais distintivos. Um representa a maior transferência de sempre feita por um clube português, que é o Samu; e no outro caso, o de Luuk de Jong, a transferência surpresa dos Países Baixos para o campeonato português de um jogador referência do futebol europeu. Portanto, essas lesões limitaram o FC Porto, obrigaram-nos a ir ao mercado em antecipação com a chegada do Terem Moffi. Neste momento, temos projetado o Samu para estar em pleno das suas capacidades físicas e desportivas para inícios/meados de novembro. Há uma série de responsabilidades de calendário nacional e calendário europeu para os quais o FC Porto, neste momento, tem apenas duas opções, o André Silva e o DeniszGul.

É aí que aparece o Lewandowski...
- É aí que aparece o Lewandowski fabricado pelos sonhos dos adeptos...

E não entrou aí também o sonho do presidente?
- Partir do pressuposto de que, por termos três polacos, isso seria suficiente para convencer um dos melhores jogadores do Mundo e um dos jogadores mais caros, em termos salariais, e que, tanto quanto sei, está hoje [sexta-feira] mesmo a assinar pelo Chicago Fire...

Está fora, portanto...
- Sim, sempre esteve fora. É sempre bom sonhar com grandes chegadas. O que não podemos ter é delírios que impeçam a sustentabilidade financeira do clube.

Farioli, enquanto treinador vencedor, conseguiu potenciar vários jogadores. Que papel é que tem hoje o treinador no êxito da equipa e que perspetiva é que tem para a próxima temporada, com a fasquia tão alta?
- Fora a parte que está relacionada com tudo o que é o seu âmbito técnico e específico e a liderança, a motivação dos jogadores e o trabalho diário, está o homem que se relacionou com a estrutura do FC Porto como ninguém. Desde logo com o Tiago Madureira, com o Henrique Monteiro, com o scouting, com as diferentes estruturas de apoio, com a performance, com a área médica, com a nutrição. Um grande e forte gestor de homens e de recursos humanos e, evidentemente, de jogadores, que nesta época também se transcenderam e que assimilaram as ideias do treinador como ninguém. Que o souberam respeitar e que souberam implementar em campo as suas ideias, traduzindo-se num FC Porto atrativo e pressionante, que defende e honra os pergaminhos do clube.

É o líder certo da "famiglia portista", como ele próprio a classificou?
- Sim, sem dúvida. O líder certo da família é um conceito que ele próprio criou, que abraçou. E que sem dúvida defendeu durante a época. E isto também é muito Porto. É a capacidade que estes jogadores e treinador tiveram para perceber que aqui é a nossa realidade e adaptar-se a ela.

O F. C. Porto não tem equipas de modalidades femininas como andebol, basquetebol e hóquei em patins, ao contrário dos rivais. É possível vir a ter até ao final do seu mandato?
- No feminino, é difícil. Porque nós temos a nossa sustentabilidade económica controlada, mas urgente na mesma, principalmente relativamente a fluxos de caixa. Ter mais equipas femininas implica também custos maiores, que têm que ser controlados. É uma ambição do F.C. Porto. Do meu programa eleitoral, falta-me cumprir uma promessa: a confirmação da criação da Fundação Futebol Clube do Porto, que aguardamos que juridicamente esteja totalmente resolvida. Com a Fundação vem o atletismo amador e o regresso ao atletismo em várias vertentes, mas também o regresso do voleibol masculino, que até à data penso que é uma das modalidades mais vencedoras da história do clube. O futsal é o próximo passo. Está lançado na terceira divisão, com potencial para crescer. Agora, pedimos aos sócios alguma tolerância, porque o nível a que estão os nossos rivais é altíssimo, desde logo porque participam nas competições europeias, pelo que há um gap e uma margem enorme até chegarmos ao topo, até podermos ambicionar a conquistar o título na primeira divisão. Portanto, isto é para ser gradual e é para ser também um projeto formativo. O lançamento de mais modalidades femininas é um outro desafio que tem que estar relacionado intimamente com o lançamento do pavilhão em Ramalho Ortigão.

Em que ponto está esse processo?
Há um direito de superfície que foi dado ao F. C. Porto nos próximos 75 anos para lançar um novo pavilhão. Portanto, para pensarmos em modalidades femininas, temos que ter uma nova casa. A nova casa tem um sítio, que é esse, o pavilhão Ramalho Artigão, mas é preciso arranjar os meios de financiamento para o construir e depois, a longo prazo, potencialmente, esperemos, no segundo mandato, lançar esse desafio de crescer na diversidade, que é uma obrigação e uma responsabilidade social do F.C. Porto.

Em que ponto está esse processo?
- Há um direito de superfície que foi dado ao F. C. Porto nos próximos 75 anos para lançar um novo pavilhão. Portanto, para pensarmos em modalidades femininas, temos que ter uma nova casa. A nova casa tem um sítio, que é esse, o pavilhão Ramalho Artigão, mas é preciso arranjar os meios de financiamento para o construir e depois, a longo prazo, potencialmente, esperemos, no segundo mandato, lançar esse desafio de crescer na diversidade, que é uma obrigação e uma responsabilidade social do F.C. Porto.

A questão do estádio, a questão do naming é recorrente. Pergunto-lhe se o naming do estádio é negociável e quanto é que pode valer esse naming?
- Se recuarmos algumas décadas, quando havia a intenção de afirmação publicitária no plano nacional, havia determinadas empresas que patrocinavam os três clubes. Se partimos de um pressuposto baixo, de que o naming de um estádio de um dos três grandes vale pelo menos três milhões de euros, qualquer empresa multinacional que se queira implementar no território nacional patrocinaria os três grandes clubes portugueses, o que implicaria imediatamente um investimento de nove milhões de euros em publicidade no território português. Portanto, isto simplesmente não é viável para as grandes companhias. Depois, companhias nacionais não se querem vincular especificamente a um clube, com medo de represálias de comportamento dos seus próprios clientes que sejam de outros clubes. Portanto, é um desafio, é preciso uma lógica muito coordenada e específica relativamente a estes investidores que queiram este nível de exposição mediática. O F. C. Porto está à procura, tal como está à procura a Legends pelo F. C. Porto.

Esse valor que tem, os tais três milhões de euros, é uma referência do mercado?
- É uma referência do mercado. Isto tudo depois depende da quantidade de ativos que se metem ou que se colocam num patrocínio de um naming do estádio, mais a relação com a própria base de dados, ou seja, os adeptos do Futebol Clube do Porto, que nós não queremos que seja invasiva ao ponto de tratarmos a nossa base de dados como clientes que têm que servir os interesses de outras companhias. Portanto, é tudo muito sensível. A verdade é que estamos no mercado. Acreditamos que a exposição mediática de um naming é forte. Reformula também o conceito dos estádios. Acho que o nome Dragão é unânime para todos, portanto, teria que ser mantido.

Preocupa-o perder Diogo Costa?
- O Diogo Costa é o futuro deste clube, quero muito vê-lo entrar em campo com a camisola 2 para o ano, mas é um dos melhores ativos do FC Porto, tem as suas próprias ambições. Tem uma carreira única e sem paralelo no FC Porto. Quer vencer aqui e quer continuar a vencer. Portanto, nós estamos encantados da vida em tê-lo aqui de braçadeira no braço e com o número 2 nas costas.

E vai estar no Dragão na próxima época?
- Não sei se vai cá estar porque é uma decisão tripartida entre proposta de um clube, o FC Porto aceitar a cláusula de rescisão ou não, e depois o atleta chegar a acordo com determinado clube. Portanto, não posso dizer que o Diogo não é dos atletas mais assediados que nós temos.

Quem ficou, e já tinha sido anteriormente chamado aos trabalhos da Seleção A, foi o Rodrigo Mora, também ele um jogador muito assediado. Acha que vai ser possível ele continuar no FC Porto?
- O nosso objetivo é manter a base, mas não desligando da sustentabilidade económica e financeira. Portanto, há claramente uma necessidade de fazermos tesouraria, de fazermos transferências para termos dinheiro e operarmos com as nossas responsabilidades. O objetivo é manter a base e mexermos o mínimo possível. Nessa base estão os melhores jogadores do FC Porto, os seus melhores ativos. No nosso pensamento tem de estar pagar salários aos jogadores, pagar salários aos funcionários, cumprir com as nossas responsabilidades e cumprir com um mercado de transferências de 100 milhões de euros do ano passado.

A entrada do André no F. C. Porto marca uma cisão com o passado. E essa relação com o passado continua a ter alguns focos de tensão, pensando aqui no enorme peso histórico de Pinto da Costa. Pergunto-lhe como é que estão as relações com a família do ex-presidente e as pontes que sempre foi procurando fazer, mas que nem sempre foram conseguidas.
- Sim, tentar encurtar pontes... A presença da família de Pinto da Costa é um motivo de aproximação ao nome Pinto da Costa e ao seu legado, um legado familiar, evidentemente. Claro que há uma coisa em que F. C. Porto não se mete, que são as disputas que têm a ver com essa família. O que nos une é Jorge Nuno Pinto da Costa e é Jorge Nuno Pinto da Costa que une todos os portistas. Portanto, tudo o que sucede relativamente à família são homenagens e sobretudo um direito que os assiste de viver a glória que o seu pai atingiu no F. C. Porto. Agora, o clube tem que estar alheio a tudo o que são as problemáticas familiares. Nesse campo não nos metemos. Convidamos com simpatia a família, sempre que há algum evento que achamos que seja importante, relacionado não só com a história de Jorge Nuno Pinto da Costa, mas também com a história do F. C. Porto, desde logo vencer títulos.

Guarda algum tipo de mágoa por essa pacificação não ter sido completa? E acha, por outro lado, que o universo portista já está pacificado com essa memória e com esse legado de Jorge Nuno Pinto da Costa?
- Eu não tenho feito outra coisa que seja honrar o passado de Jorge Nuno Pinto da Costa. Essa é uma obrigação e uma responsabilidade enorme que eu tenho que ter. Portanto, nós tivemos uma afluência histórica ao memorial de Jorge Nuno Pinto da Costa, que foi lançado este ano, um ano após o seu falecimento. E essa afluência histórica também é o cordão umbilical dos portistas com o presidente dos presidentes do F. C. Porto. Portanto, nesse campo, a minha maior responsabilidade é continuar a elevar e honrar o bom nome de Jorge Nuno Pinto da Costa.

Para fecharmos este capítulo, consegue identificar a melhor memória que tem com Pinto da Costa?
- Voltar a 2010-2011, comigo a treinador principal, foi uma época histórica onde tudo correu tão bem que a nossa relação foi perfeita, mas há vários momentos da minha história onde eu me cruzo com ele, desde logo enquanto Robsonzinho, o "estatístico" de Bobby Robson, como era apelidado.

Era assim que ele o tratava?
Era assim que me tratava com carinho. Portanto, isso são boas e eternas memórias. Uma mais marcante terá sido a primeira chamada que tive com ele, que basicamente confirmava a intenção de que eu fosse treinador do F. C. Porto para a época de 2010-2011. Acho que essa tem uma enorme profundidade porque é o sentido da honra da palavra, o sentido do expoente máximo representativo do F. C. Porto. Portanto, são estes momentos altamente emocionais que me vinculam ao presidente.

O Sérgio Conceição deu-lhes parabéns depois deste título de futebol?
- Deu os parabéns ao FC Porto, como tinha de ser. Percebendo a vossa entrada no lado que nos relaciona com o Sérgio, quero lembrar que ele também construiu este museu onde nos encontramos. É dos treinadores mais vitoriosos de sempre da história do FC Porto, em número de títulos, e é alguém que está intimamente relacionado com o clube. Eu disse ao próprio que não queria que lhe acontecesse o que aconteceu comigo, que foi um distanciamento da instituição para com o treinador André Villas-Boas, provavelmente fruto das ambições de destino de vida do André Villas-Boas, sócio do FC Porto. A verdade é que aconteceu muito por conta do FC Porto ter escolhido um seu anterior adjunto [Vítor Bruno] como futuro treinador principal e na cabeça do treinador Sérgio Conceição essas coisas estão relacionadas no campo emocional com as lealdades e as traições, provavelmente o atraiçoaram de uma forma que ele pensa que é desonesta, mas que é honesta em todos os sentidos. O FC Porto tinha de ser livre nas suas escolhas, era o que mais faltava se não fosse. No entanto, eu gostava muito de receber o Sérgio Conceição no centro do relvado.

É um convite? 
É um convite, que o próprio não irá aceitar. Recebê-lo num estádio cheio. Seguramente não aceitará comigo na presidência do FC Porto. De estádio cheio, adeptos de pé, a aplaudir um treinador histórico. Esse é o reconhecimento que ele merece. E acho que é algo que já distinguiu esta presidência relativamente ao José Mourinho e relativamente ao Vítor Pereira. Gostava muito que o Sérgio tivesse esse momento, tal como o Pepe. Se os próprios entendem que com esta presidência é impossível, é um problema que lhes corresponde e ao qual eu sou completamente alheio. O meu desejo é esse. Gostava que tivéssemos essa oportunidade.

O FC Porto mudou um bocadinho a estratégia para blindar os jogadores em função daquilo que aconteceu com o Cardoso Varela?
- No caso do Cardoso Varela, o FC Porto fez o barulho necessário para que um caso como esse não volte a acontecer. O Cardoso Varela não está sentado aqui ao meu lado, mas estou seguramente convicto que provavelmente diria que cometeu um erro. Não por si, mas pela ganância de outros que o levaram a sair do FC Porto. A ganância de outros, provavelmente vendida à sua família, uma família pobre, de grandes dificuldades económicas, que provavelmente se deixou ir por palavras e por um ou outro sonho. Não quero dizer que essas mudanças às vezes não funcionem. Na realidade do Cardoso Varela é que não funcionou, o jogador está perdido na Croácia, no Dínamo de Zagreb B, à espera de um melhor futuro e com certeza lamenta que tenha dado este passo, principalmente quando o FC Porto defendeu de forma muito clara o seu futuro, quando o Vítor Bruno lhe disse que seria englobado na pré-época da equipa principal, tal como o Rodrigo Mora. Custa ver que um talento como ele se tenha perdido. Depois há outra parte que está relacionada com o assédio a jovens, que é uma competição. Isto está relacionado com o crescimento exponencial dos clubes da Premier League, que neste momento têm redes de scouting absolutamente infalíveis. Mas não só as redes de scouting, como também a análise de dados, as ferramentas de dados, as ferramentas de filtros desses dados, que lhes permite chegar ao talento muito mais rápido do que os clubes portugueses, que normalmente eram utilizados como pontes para chegarem a esses clubes, e que nos obrigam também a defender os nossos próprios ativos com melhores condições, melhores ofertas, melhor venda do que é um projeto formativo futuro.

Mas o contrário também acontece. O FC Porto contratou agora um prodígio de 16 anos da Noruega.
- Mas com acordo total de clube. O FC Porto pagou caro por um miúdo de 16 anos, pelo potencial de jogador futuro, que vem para uma escola melhor, que nós acreditamos que é esta, quando a competição é maior, para se desenvolver, mas que nunca foi feita à revelia do Fredrikstad FK, neste caso. Portanto, o FC Porto não deixa de pagar cerca de 1,8 milhões por um diamante por lapidar, basicamente.

E esse trabalho em dupla via, vamos chamar-lhe assim, tem de continuar a ser feito?
- Sim, no fundo é uma lógica muito simples...

... mas não há o risco de ser mal-entendido pelos sócios? Vamos apostar na formação, mas depois vamos contratar fora um miúdo de 16 anos?
- O FC Porto sempre se afirmou, não só na formação, mas também e sobretudo, no seu scouting ao longo dos anos. Foi capaz de convencer os melhores jogadores do mundo, que depois se afirmaram mais tarde, a passarem pela escola FC Porto. O FC Porto distinguiu-se por conseguir atrair o melhor talento do mundo, como James Rodriguez, Falcao, Hulk. Juntando depois a isso a escola formativa do clube, como jogadores como Ricardo Carvalho, Vitinha, Rúben Neves e Diogo Costa, entre outros. Na linha de scouting, o FC Porto tem que se antecipar cada vez mais aos outros e ir buscar aos 16 e aos 17 anos, enquanto eles custam mais ou menos entre os 2 e os 10 milhões de euros. Porque a partir daí custam entre os 10 e os 20, os 20 e os 30, e os 30 e os 40

Qual é a política atual do FC Porto perante os agentes?
- O FC Porto trabalha com todos. E isso é outro dos grandes fenómenos em mutação no futebol atualmente. Porque os jogadores passam a transitar entre agências. Ou seja, a relação de compromisso, de amor, daquele que primeiro te identificou e que te vai levar até ao fim da tua carreira, deixou de existir. Os jogadores são assediados por outros agentes com compensações, para virem para as suas agências, porque também esses fazem o seu próprio "scout" relativamente ao potencial talento e ao que eles podem render futuramente. Houve um corte de uma relação umbilical com aquele agente que descobriu o talento e ficou até ao fim da carreira. Os jogadores agora são assediados por outros agentes e vemos por isso muitos câmbios. Esse é o primeiro fenómeno. O segundo, é que os fundos começaram a comprar as agências de jogadores. Portanto, há basicamente um, dois, três fundos que dominam praticamente 20 agências de futebolistas. E esse é o novo veículo pelo qual poderemos ver ainda mudanças mais dinâmicas e específicas entre clubes, pelos interesses de determinados fundos em colocar determinados jogadores em determinados clubes. Portanto, tudo novas problemáticas e novos fenómenos.

Nesta altura não há agentes preferenciais?
- Não, deixou de haver. É o representante do atleta, basicamente.

Relativamente à formação, o FC Porto conseguiu o pleno de títulos andando com a casa às costas, como o próprio André reconheceu. Na melhor das hipóteses, quando é que teremos o centro de alto rendimento em Gaia concluído?
- É processo longo e difícil, sobretudo pela falta de capacidade económica do FC Porto de autossustentar o projeto. O nosso desafio é escolher o veículo financeiro para construir o centro de treino. O FC Porto fez duas coisas. Uma, pagou com o seu próprio capital a compra do terreno, detendo a propriedade do Centro de Alto Rendimento. Pagou também do seu bolso a movimentação de terras, que tem nove meses pela frente, fruto da inclinação que está associada ao terreno. Construir um centro de treinos daquela dimensão terá um custo a situar-se entre os 40 a 50 milhões de euros, fruto também do aumento dos custos.

Dificilmente vê como concluído no final deste seu mandato?
- Dificilmente. Estamos em campo para escolher esse veículo financeiro para avançar para a sua construção. Mas, é uma problemática grande para nós.

O FC Porto foi, nos últimos tempos, abordado por investidores estrangeiros?
- Não, formal e diretamente não. Se abrirmos um dia a porta a investimento estrangeiro, seja em que moldes for, será o princípio do fim do FC Porto enquanto clube de associados. O nosso objetivo é que, enquanto clube de associados, se mantenha e se prolongue no maior espaço de tempo da sua história. É assim que deve ser. As dificuldades económicas e financeiras são típicas de um clube português. E é por isso que há que reformatar todo o novo conceito de receitas para que sejamos sustentáveis enquanto clube de associados. Eu acho que sermos um clube de associados é uma vantagem competitiva neste momento no panorama do futebol europeu, porque não estamos sujeitos às extravagâncias de diferentes proprietários que vão dominando as diferentes sociedades que gerem os diferentes clubes, sejam sociedades ou fundos. E da extravagância de um chinês se passa para um russo, de um russo para um americano, de um americano para um inglês. E nesta disrupção se vão destruindo culturas, valores e princípios. Portanto, a entrada de capital estrangeiro no FC Porto, e a presença de um acionista maioritário, está fora de questão. Isso seria o fim do associativismo. É o princípio do fim e é algo que devemos combater. Chegar a esse ponto só num caso evidente de falência financeira. É um passo que nós temos de evitar em absoluto. Portanto, se isso acontecesse, e se acontecesse comigo, seria uma falha grave minha enquanto presidente.

Não é uma perspetiva demasiado conservadora e até romântica, atendendo às dificuldades tradicionais dos clubes portugueses?
- Em primeiro lugar, regressando ao aspeto de vantagem competitiva: eu acho que ela é evidente. Nós não estamos sujeitos a estas disrupções. O FC Porto é um clube de princípios e de valores e de uma exigência interna clara. Na sua génese estão os associados. Portanto, usar isto para mim é uma vantagem competitiva dentro do panorama europeu, sendo que na parte financeira os clubes portugueses sofrem quando competem com os outros. Depois, as novas formas de receita, desde logo aquela que nós criamos com as Dragon Notes, permitem criar sustentabilidade aos clubes associados. Nós fomos os primeiros, os pioneiros, o Sporting seguiu-se agora com o seu próprio Lion Notes, ou o que lhe quiser chamar, e potencialmente o Benfica poderá lançar-se numa nova emissão de dívida relacionada com as receitas que o seu estádio gera para levantar capital e, no fundo, reformatar-se e reformular-se economicamente. Portanto, há novas formas de criar receita. Esgotadas essas, para onde é que caminhamos? E aqui entramos na discussão das dificuldades que os clubes europeus atualmente têm para competir com a Premier League, o animal que distingue o futebol europeu e que se tornou de tal forma poderoso que o FC Porto agora compete com clubes do Championship por jogadores, porque os da Premier League já estão noutro patamar. Portanto, como é que os clubes europeus se unem para criarem condições novas de receitas económicas que tornem viável competirem com a Premier League? Até que ponto e quando passaremos a ter competições intrafronteiriças que permitam os clubes europeus gerarem mais receitas?

Acredita que essa independência económica do FC Porto continua muito alicerçada no desempenho desportivo e na capitalização dos ativos, sobretudo os jogadores?
- Sim, e no mercado de transferências. Portanto, receitas europeias, direitos audiovisuais e entradas na Liga dos Campeões.

Podemos deduzir que está em condições de nos dizer que se vai recandidatar? Está a dois anos de concluir o mandato, o tempo passa muito rápido...
- Sim, passa rápido. Um título está conquistado, em dois anos restam mais dois por disputar, sendo que o último apanhará, evidentemente, as eleições de abril, perante os estatutos do FC Porto. Acho que os sócios votarão pelo trabalho. Eu sempre disse que o presidente do FC Porto deve ser eleito de forma unânime. Penso que é isto que une também os portistas. O FC Porto é mais forte quando está unido. Por muito que eu goste de respeitar a democracia, penso que a história do FC Porto obriga que o seu presidente seja eleito de forma unânime, para haver união comum em torno de objetivos a atingir, que é o sucesso do clube. Dito desta forma, enquanto o meu projeto FC Porto, seja ele qual for, for unânime, aqui estarei para liderá-lo. A partir do momento que eu perceber que deixo de ser unânime, nem sequer me recandidato, porque antes de ser presidente sou também sócio, sei perceber as dinâmicas que estão associadas à união do clube e jamais me poderia candidatar se visse que não tinha um projeto claramente vencedor.

Portanto, conta com uma vitória ainda mais esmagadora dentro de dois anos...
- Em primeiro lugar, espero conquistar o título 26/27 e, a partir daí, ser a base da construção de um FC Porto cada vez melhor.

Essas feridas do passado já foram todas lambidas? Essa pacificação e conciliação já foram alcançadas?
- O FC Porto agarra-se a este passado, por isso é que fizemos também esta entrevista no museu, pela construção da sua história, pelo reconhecimento único do clube que somos e dos princípios e valores que nos marcam enquanto adeptos. Eu fui marcado por esta geração, pela liderança de Pinto da Costa, que foi de 42 anos. Tenho 48 anos, portanto, alta e profundamente marcada por uma liderança única e vencedora. Estes novos sócios que agora chegam, que crescem a 20% ao ano, eu quero que eles sejam marcados da mesma forma que eu.

O que é que o FC Porto não tinha quando chegou à presidência, em 2024, e agora tem?
- Houve sobretudo uma mudança radical em termos de projeto, sustentabilidade económica, relacionamento com a massa associativa, na forma de comunicar com o verdadeiro dono do clube e se calhar uma visão mais projetada no tempo, fruto da juventude do seu atual presidente. Foi nisso que os sócios votaram, basicamente. Há uma nova forma de nos relacionarmos com os associados, mais viva, mais direta, frontal e honesta, que os honra. Ser sócio do FC Porto, ter um lugar anual, custa dinheiro, é muito caro. E é por isso que os sócios também têm de ser recompensados, na forma como se relacionam com o seu clube de coração. Como é que se melhora isso? Necessidades, serviços, comunicação, benefícios e títulos.

Para si, ainda faz sentido o mantra "nós contra Lisboa?"
- Acho que não há outra forma de o ver enquanto se mantiver a disparidade de tratamento relativamente ao FC Porto, aos seus méritos, à forma como conquista, à forma como nos penalizam, como desgostam de nós, como desgostam dos nossos ativos. Acho que é uma cultura muito própria e nossa, mas que deve ser sustentada no tempo.

O período de convulsão interna que o FC Porto viveu antes do André chegar à presidência teve também uma relação direta com as claques. Qual é o estado da arte em termos de relações institucionais entre a Direção do clube e as organizações de adeptos?
- Há uma relação muito estreita e direta com o grupo organizado de adeptos, após uma revisão profunda do protocolo. Protocolo esse que um dia, como vocês bem sabem, eu queria ver lançado e aprovado em sede da Assembleia Geral. Penso que já não precisamos desse passo, porque a relação é cordial, é frontal. O que sobretudo deixou de acontecer com um dos grupos organizados de adeptos é que deixou de haver desvio de fundos. Isto é claro e é factual. O FC Porto perdia cerca de dois milhões de euros por ano relativamente à bilhética que estava relacionada com um grupo organizado de adeptos, mais outras problemáticas que estavam relacionadas com algumas casas. Portanto, isso ficou resolvido a partir do momento em que o FC Porto se transformou digitalmente e deixou de haver capacidade de haver ilícitos relacionados com a bilhética. A partir do momento em que isso deixou de acontecer, a relação passou a ser factual, frontal e honesta. Evidentemente, houve retaliação, mas houve uma retaliação desportiva relativamente à época 24/25, que se eu fosse adepto a teria feito também da mesma forma, não da forma violenta, mas de forma vocal e comunicativa relativamente a objetivos que tínhamos obrigatoriamente que atingir e não atingimos. Se calhar houve pouca tolerância para um ano de transição, absolutamente necessário, porque as fragilidades económicas que nós encontramos... Algumas são públicas, outras só nós sabemos. E foram muitas e duras. O FC Porto, que era um clube que tinha salários em atraso, não incumpriu uma única vez com nenhum dos atletas em nenhuma modalidade e nenhum dos seus funcionários em 2025/26. Isto é algo que nos orgulha enquanto gestores e é o patamar de excelência que queremos atingir para o futuro.

Podemos qualificar as relações do F.C.Porto com o Benfica e o Sporting como institucionalmente toleráveis ou há uma diferença de tratamento e respeito entre Rui Costa e Frederico Varandas? E, tendo em conta o atual cenário, é de prever uma maior aproximação entre F.C.Porto e Benfica?
- A relação institucional com o Benfica é de grande elevação e respeito. Houve mais exageros da minha parte, enquanto presidente do F. C. Porto, no sentido de Rui Costa do que o contrário. Até já fiz recentemente um "mea culpa". Tento retratar-me sempre que posso e faço-o novamente aqui. Há uma rivalidade histórica com o clube líder no número de campeonatos nacionais - não no número de títulos nacionais e internacionais de futebol, que esse é nosso -, mas que o F.C. Porto quer ultrapassar o mais rapidamente possível. Tudo o que é mágico e que envolve o F. C. Porto e o Benfica é algo que devemos dignificar nessa rivalidade histórica. Ora, isso não se passa com o Sporting, simplesmente porque a sua liderança neste momento entra por um patamar de injúria, calúnia e vitimização com o F. C. Porto que nós não podemos tolerar. E, apesar de haver alguma unificação do ponto de vista estratégico sobre o que o futebol português precisa, a realidade é que, fruto dessa vitimização permanente, das calúnias, das injúrias que semanalmente invocam contra F. C. Porto, não há relação possível, nem pode haver relação possível.

Que explicação encontra para isso? O F. C. Porto transformou-se num alvo útil à gestão interna do Sporting? 
- Talvez sim, suportado por um grupo de Comunicação Social com maior afinidade clubística com o Sporting e que tenta, basicamente, filtrar e opinar orientado por uma visão estratégica e uma voz popular para o Sporting. Tudo o que foi feito no Sporting pelo presidente Frederico Varandas foi a transformação de um clube recentemente vencedor, que se afirma e que foi construído para se tornar vencedor. Algo que não era, porque vivia sempre em instabilidade política ou desportiva muito evidente. Portanto, isso é um sucesso e um mérito do próprio. Agora não pode é viver na permanente vitimização, injúria e calúnia para com o F. C. Porto, a qual teve o seu expoente máximo no caso do pavilhão e do cheiro a amoníaco. O Sporting ultrapassou todos os limites do razoável. O F. C. Porto já deu todos os documentos bem sustentados ao Ministério Público e o mais provável é acontecer um arquivamento desse caso inventado pelo Sporting. E, a partir daí, o F. C. Porto irá com tudo contra o Sporting.

Essa blindagem institucional do F. C. Porto para com o Sporting vai manter-se durante o seu mandato? 
- Não há margem para nenhum tipo de abertura e pacificação?
Pela personalidade do próprio (Frederico Varandas) não vejo que haja qualquer possibilidade de relacionamento. São tipologias de personalidade com que eu não consigo dar-me nem respeitar.

Aquela frase de Frederico Varandas após o jogo da primeira-mão das meias-finais da Taça de Portugal - "eles têm medo" -, foi utilizada no balneário portista?
Bom, terá sido utilizada seguramente pelos jogadores e pelo treinador, não sei até que ponto. Há sempre estratégias de motivação que os líderes utilizam para fazer transcender os seus atletas, acho que isso faz parte do desporto, a forma como arranjamos pontos motivacionais no jogo a jogo para trazermos a vitória. Portanto, isso é mais uma pergunta para o mister Farioli do que para mim. Eu sempre fui um líder muito mais emocional e muito mais irracional. Seguramente o André Villas-Boas treinador teria utilizado. Não sei se o Francesco Farioli, treinador teria feito da mesma forma que eu. Ou se o fez da mesma forma.

Qual é o seu grau de satisfação no que se refere à chave de repartição de receitas em matéria de direitos televisivos que foi aprovada na Assembleia Geral da Liga?
- Bom, para já é uma concessão dos grandes, relativamente a essa chave. E os grandes basicamente é o F.C. Porto e o Sporting, porque o Benfica esteve fora da mesma. Houve uma concessão, mas um risco também, porque se algum dia um destes três grandes cair na quarta posição pagará pelo fator performance desportiva que está relacionado com a chave da repartição. Estou satisfeito com o que foi acordado em sede da Assembleia Geral e previamente acordado em sede de direcção da Liga Centralização. Agora falta ir a mercado para chegarmos ao número que pensamos que o futebol português vale.

Qual é esse número?
- Esse número situa-se entre os 200 e 250 milhões de euros. Era um número, digamos, perfeito ou perfeitamente alcançável para o futebol português. Evidentemente pode oscilar. Nós queremos que ele seja construtivo num primeiro ciclo para um segundo ciclo, tanto que vai em crescendo. Mas para isso é fundamental que o futebol português melhore na sua transversalidade relativamente a outras problemáticas, desde logo a qualidade das suas infraestruturas, a qualidade da tecnologia de VAR. Na fiscalidade também, porque permitirá aos clubes terem um pouco mais de fluxo de caixa para gerir relativamente a futuros investimentos. Portanto, há uma série de novas problemáticas que urge resolver.

Com a nova realidade dos streamings que temos visto no Mundial, acredita que o caminho é para aumentar esse valor ou está um bocadinho cético?
- Há que ser criativo na forma como se vendem os direitos. Isto é mais uma resposta para o André Mosqueira do Amaral (diretor-executivo da Liga), que tem estado muito ativo na venda do produto do futebol português. Eu acho que há novas maneiras de criarmos mais conteúdos, também dos próprios clubes meterem mais ativos dentro do processo de centralização. Por isso é que o F. C. Porto tinha que oferecer resistência a qualquer outra proposta, porque os três grandes, apesar de tudo, são o grande motor do futebol e nós não temos o comportamento regional que têm outros países, nem os clubes nacionais com todo o respeito, têm o poder que têm outros clubes noutros países e noutras geografias. Portanto, enquanto motor do futebol, os três grandes tinham que se defender também nesta chave de repartição

Mencionou também a questão dos custos de contexto, da melhoria da tecnologia VAR. Acha que estão a ser dados os passos corretos ou poderia ter sido feito muito mais?
- É necessário mudar o licenciamento, as exigências do licenciamento. Essa é uma preocupação que existe, também muito via do que aconteceu com o F. C. Porto B na época passada. A uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios portugueses é premente, esse é o primeiro passo. Mas antes de passarmos ao passo tecnológico, é precisa uma uniformização da tecnologia VAR em todos os estádios. As mesmas câmaras, a mesma qualidade, o mesmo número de câmaras. E depois a melhoria da tecnologia e das ferramentas. Portanto, desde logo, linha de golo e offsides semiautomáticos. Essas alterações tecnológicas devem estar vinculadas também à centralização, numa parceria que poderia ser feita com a Federação Portuguesa de Futebol e com a Liga Portugal, para, de certa forma, suportar os custos iniciais desse tipo de investimentos, que é uma das grandes problemáticas que os clubes levantam relativamente à uniformização do sistema da tecnologia. Ultrapassadas essas problemáticas, o produto do futebol português também melhora, há menos casos nos nossos jogos, melhores decisões de arbitragem. A tecnologia ao serviço da verdade desportiva. E não ter casos, como tivemos o ano passado, no F. C. Porto B, em que um offside evidente não foi decidido por conta da exposição à luz solar e ao posicionamento da câmara e das colunas dos estádios. É algo patético que temos de combater. Nós fizemos muito barulho o ano passado, agora temos a Federação finalmente connosco, porque em sede da Liga Portugal o Pedro Proença foi muito recetor deste nosso movimento e agora quer passar para essa obrigatoriedade como promotor de uma melhoria. As câmaras utilizadas na Premier League para decidir foras de jogo são capazes de decidir 60 frames por segundo. As câmaras portuguesas estão entre os 5 e os 10 frames por segundo para tomar uma decisão sobre um fora de jogo. Portanto, isso é a diferença entre a bola estar colada ao pé ou estar ligeiramente afastada em cinco centímetros. A partir daí é muito mais difícil para quem opera a tecnologia VAR tomar decisões que sejam coerentes. Portanto, há uma parte que está relacionada com a tecnologia e há outra parte que está relacionada com a informação e a educação dos próprios árbitros, que tem a ver com o conselho de arbitragem, com o próprio desenvolvimento dos árbitros e a forma como são penalizados ou recompensados. Já vimos árbitros que passam de apitar um jogo na Liga 2 promovidos para um clássico e não vimos uma regularidade que compense relativamente os melhores.

Que transformações foram feitas no âmbito do futebol de formação que conduziram a este sucesso, para muitos inesperado, em todos os escalões?
- Foram transformações profundas que queremos sustentar no tempo. É o mesmo que queremos fazer relativamente à equipa sénior: que o F. C. Porto não deixe mais este lugar, que é seu, que é o primeiro lugar, na formação também. Apesar de tudo, não é necessário ganhar títulos na formação para termos uma boa formação, uma visão e um projeto identificativo do que é um jogador à Porto que quer chegar à equipa principal. Neste campo, encontrámos estabilidade, desde que colocamos o José Tavares nesta posição, um homem que conhece profundamente a casa, onde já foi vencedor, e que gradualmente implementa de novo o seu projeto, a sua visão formativa. Desde 2010-2011, em 39 títulos disponíveis, o F. C. Porto, na formação, só tinha ganho seis. Portanto, conquistar de volta um pleno é algo muito reconfortante relativamente ao futuro. O bingo do pleno é que estes miúdos cheguem, efetivamente, à equipa principal, pelo que esse projeto é muito mais a médio e longo prazo. A afirmação deste pleno que terminamos agora com os sub-15 só se conquistará dentro de quatro anos, quando, por exemplo, o Tiago Portugal chegar à equipa principal. Portanto, ganhar títulos foi a consolidação também desse projeto formativo que trouxe o Tiago Portugal como exemplo à equipa principal. É um projeto formativo que corresponde sempre a 10 anos. Serão 10 anos em que eu espero que o José Tavares esteja à frente do projeto. Se vincularmos isto a mandatos ou a anos de mandatos, serão 12 anos, basicamente, seguindo as melhores práticas. Quantos jogadores da formação chegarão à equipa principal com capacidade para ganhar título?s e se afirmarem no panorama de jogador do Futebol Clube do Porto.

AVB sobre a selecção e o mundial:
- Em primeiro lugar, do ponto de vista desportivo, conta pouco. É possível inverter, é possível que Portugal ganhe na mesma o Campeonato do Mundo que alimenta os sonhos de todos os portugueses. É uma entrada em falso que aconteceu com muitas outras seleções que empataram os seus primeiros jogos, desde logo as favoritas.
A Espanha também empatou e há muitas outras seleções nacionais que são candidatas que empataram e que tiveram dificuldades. Portanto, em primeiro lugar, enquadrar do ponto de vista da qualificação. Do ponto de vista desportivo, a exibição foi fraca, não esteve à altura do que é uma geração de ouro absoluto do futebol português. Isso parece-me evidente, penaliza-nos e obriga-nos a uma semana de críticas absurdas e de dúvidas relativamente à qualidade de cada um daqueles jogadores. Portanto, acho que tem que haver um enquadramento natural do processo competitivo e esse acho que não está em causa. É altura de repensar, de se refocarem, de pensar estratégias, se calhar de irem menos à praia e de irem mais à sala de reuniões. E, evidentemente, nessa força da união, Portugal tem todas as condições ainda para se qualificar, que também era o que mais faltava num grupo daqueles. Posto isto, ambições ainda desmedidas, porque é uma geração de ouro, porque queremos, ambicionamos muito, porque queremos também que o maior talento do futebol mundial, o homem que deu tanto a Portugal (Cristiano Ronaldo) saia agarrado ao troféu de campeão do Mundo, tal como Messi fez no Catar", disse ainda o presidente do FC Porto.

Sobre Cristiano Ronaldo.
- Isso faz parte da gestão do treinador. O treinador gere como bem entender o máximo goleador da história do futebol. E ele saberá melhor como geri-lo. Agora, a verdade é que sim, a Seleção Nacional obrigou-nos a esta semana dura de repensamento, de críticas, de dúvidas e de penalização, mas penso que se reencontrará. Queremos querer, talento suficiente tem para o fazer e acho que dará a melhor imagem no próximo jogo.

Ainda dentro do mesmo tema, mas saindo aqui um bocadinho da questão da monetização, preocupa-o esta perda de identidade no futebol, quer dentro de portas quer em termos internacionais? Vemos agora, por exemplo, que está a decorrer o Mundial, pausas para hidratação em estádios com ar condicionado, onde a temperatura é perfeitamente aceitável... Esse excesso de mercantilismo preocupa-o?
- São sinais preocupantes dos tempos, há sinais que requerem determinadas adaptações, nós também nos fomos adaptando. Estive presente na final da Copa América do ano passado, entre a Argentina e a Colômbia, e o intervalo foram 30 minutos para um espetáculo da Shakira. Portanto, eu acho que as instituições internacionais tentam reinventar também modelos económicos. São instituições sem fins lucrativos, mas que obrigam a determinadas posições, a exposição da quantidade de patrocinadores que têm, e também às vezes para oferecer um melhor produto aos adeptos, que alguns gostam, outros não. Novas realidades, acho que as mais preocupantes são as multipropriedades, onde em sede de comitê de competições de clubes da UEFA mostramos cada vez mais resistência e preocupação para o domínio das mesmas. Na realidade portuguesa essas multipropriedades são um veículo apenas de investimento, portanto as nossas sociedades desportivas que não aqueles clubes de futebol que são puramente ainda associativos estão a mudar de dono à mesma frequência, com grandes dificuldades económicas, incluídas em multipropriedades, onde servem os interesses do clube-mãe e do investidor e do proprietário e não os interesses dos seus associados e adeptos. É uma realidade transversal ao futebol europeu, cada vez mais premente, mas em relação à qual os clubes europeus estão preocupados e a tentar que não haja uma proliferação destes multiclubes europeus. Também me parece evidente que esta ideia de multiclube está a falir, porque no início foram pensadas como projetos de desenvolvimento de cadeia de jogadores, portanto, dos jogadores passarem de crescimento em crescimento e passarem de clube em clube e crescerem desportivamente. Portanto, também acho que essa ideia, esse ideal, está a falir. Mas há muitas ameaças às realidades da forma como nós, mais conservadores, pensamos no fenómeno do futebol. Agora, há sempre uma capacidade de adaptação do consumidor.


Os títulos dos Iniciados, sub-15; e o título do Basquetebol


FCP consegue o pleno ao sagrar-se campeão nacional de futebol em iniciados, sub-15. 

Depois dos seniores, juniores, juvenis, hoje ao vencer em Alverca por 2-1 - nem era necessário, atendendo à derrota do Sporting -, o FCP conquistou um título que já fugia desde 2010/2011e conseguiu o pleno, voltou a fazer história. Se a isso juntarmos o título do futebol feminino, podemos concluir que este é um ano de ouro para o futebol portista.

Parabéns ao presidente - sempre o máximo responsável para o bem e para o mal -, ao José Ferreirinha Tavares director da formação, aos técnicos, jogadores, staffs por esta época fantástica.
Mesmo sem ter as condições ideais - estamos a tratar disso... -, a formação do FCP está bem e recomenda-se.
Para ser um fim-de-semana perfeito, vamos todos torcer para que o Basquetebol consiga derrotar e o Benfica e traga para o Museu a Taça de Campeão. Foi!


Basquetebol, jogo 4 da final dos play-off, FCP 75 - Benfica 71, FCP fez 3-1, sagrou-se campeão nacional, título que fugia há 10 anos.

Costuma dizer que um portista acredita sempre, nunca perde a fé. Mas seria um exercício do mais puro cinismo e hipocrisia dizer que a crença e a fé nunca me abandonaram. A temporada teve mais baixos que altos, momentos muito complicados, resultados inadmissíveis para uma equipa com as responsabilidades do FCP. O paradigma foi a derrota com o Vasco da Gama - com todo o respeito por um histórico da modalidade -, jogo em que o FCP perdeu quando estava a vencer por 11 pontos a 2 minutos do fim. A juntar a isso, várias alterações no plantel, um acto de indisciplina já nos paly-off e que afastou o poste Javian Davis, mais um jogo 1 da final em que o FCP foi incapaz de dar réplica, perdeu sem apelo nem agravo.  Mas e para espanto de muitos, no jogo 2 apareceu um Porto transfigurado, de dentes cerrados a fazer um apelo ao brio, capaz de ganhar um jogo decisivo e, como se viu, mudar o destino da final que parecia ser um passeio para o Benfica que vinha de 4 títulos consecutivos. No jogo 3, vitória tranquila e por margem que não deixou dúvidas sobre a superioridade do FCP e hoje, num jogo equilibrado e impróprio para cardíacos, o FCP impôs no último período e conquistou o titulo. 
Agora não faltarão padrinhos para reivindicar o título, dizer que sempre acreditaram, nunca perderam a fé. Não é o meu caso. Estou, obviamente muito feliz, mas este é para mim o título, nas modalidades, mais surpreendente e improvável de há muitos anos.
Parabéns a todos os que estiveram neste sucesso do basquetebol portista. 

Uma palavra final de parabéns para Fernando Sá de quem fui muito crítico ao longo da época. Depois do descalabro que foi o jogo 1, conseguir preparar o jogo 2, motivar a equipa, levá-la a acreditar, ser capaz de lutar e ganhar o jogo, no prolongamento, após algumas contrariedades - daí para a frente também merece elogios, mas esse jogo foi determinante -, é digno de registo e dos maiores elogios.
Os jogadores é que jogam, mas na hora decisiva o treinador teve um papel fundamental neste sucesso.

Nota final:
Terminou a temporada e o saldo é altamente positivo. Podemos dizer, gritar até, o FCP voltou em todo o seu esplendor. 

A entrevista de Sérgio Conceição à TVI/CNNP, a montanha pariu um rato. Este post não é apenas sobre a entrevista...


Vista com a atenção devida a entrevista de Sérgio Conceição à TVI/CNNP - Sandra Felgueiras e Rui Loura -, como nota de abertura, importa dizer o seguinte: se a pequeníssima e insignificante minoria de inconformados com os resultados das eleições de 27 de Abril de 2024, esperava algo bombástico, altamente polémico, um ataque arrasador ao presidente do FCP, devem estar muito tristes e desiludidos. Nessa matéria a montanha pariu um rato. Mas haja esperança, se bem interpretei alguns sinais, ficou entreaberta a porta para 2028...

Feita a introdução, importa dizer mais algumas coisas. Não creio ser relevante saber, porquê agora? Sobre o conteúdo não é necessário dissecar tudo. A razão é simples: Sérgio Conceição é passado - como disse atrás, pelo menos até 2028... -, já falei muito sobre ele, disse tudo sobre seus méritos e deméritos como treinador, o seu comportamento antes, durante e após as eleições de 27 de Abril de 2024, na altura própria. Não vale a pena estar a repetir-me. Sérgio Conceição, para mim, não merece essa perda de tempo. Não gosto de profissionais que usam a seu favor certas circunstâncias e julgam-se acima de um clube, qualquer que seja, muito menos uma Instituição com a grandeza do FCP - arrumo já a questão sobre a possibilidade de Sérgio Conceição treinar o Benfica. Não me incomoda absolutamente nada. É profissional, como tal... também já tivemos treinadores que eram benfiquistas a treinar o FCP. Depois o portismo de Sérgio Conceição, para mim, está muito longe de estar provado.

Outra é que para aprofundar tinha de falar muito de alguém que já não está cá e o respeito por JNPC é eterno - não confundir com críticas objectivas e construtivas, baseadas em factos reais e concretos. Como aconteceu, por exemplo, na campanha eleitoral que antecedeu as históricas eleições que elegeram AVB ou antes, no pós aquela AG de muito má memória.

Dito isto mais algumas notas. 
Sérgio Conceição diz que foi enxovalhado, muito criticado após a saída do FCP. Se excluirmos as redes sociais onde há quem não tenha tento na língua, faça do insulto mais rasteiro e ordinário o seu modus operandi - AVB também se podia queixar do mesmo e até de alguns que no passado não admitiam que se tocasse em JNPC nem com luvas de pelica -, não é verdade no que toca a quem verdadeiramente importa. 
Portanto, Sérgio Conceição enxovalhado, não, criticado, sim e mereceu todas as críticas. Assinar um contrato de 4 anos anos a 7 milhões brutos/ano, num momento particularmente difícil, de grandes dificuldades financeiras do FCP, a poucos dias do acto eleitoral, foi interferir nas eleições, quando mandaria o bom senso, ética e os bons costumes que não o fizesse. Sim, independentemente das razões que o motivaram e que pelas razões que referi anteriormente, não vou esmiuçar. Aliás o próprio Sérgio Conceição tinha feito referência a altura para se renovar contratos, criticando esse tipo de comportamento numa das conferências de imprensa que antecedem os jogos. E dizer que esteve sempre à parte até à renovação, tenho muita pena, mas discordo. Aquela ida ao Coliseu não teve nenhum significado político? Ou nós é que não percebemos o significado de estar à parte? Mas já que o fez, no acto de assinatura, no mínimo, quando assinou até 2028 devia ter dito algo muito simples: este contrato só tem validade se JNPC for reeleito presidente.

Depois, talvez Sérgio Conceição confunda as coisas, mas um presidente do FCP, por mais importante que seja, por mais extraordinária que seja a sua obra e mais notável o seu currículo desportivo, não é o FCP. O FCP não é de ninguém, melhor é de todos os seus sócios, adeptos, simpatizantes. Foi para eles que nasceu, cresceu, se tornou no melhor clube português, são eles a sua razão de existir - nunca me cansarei de repetir isto. Assim, AVB é presidente do FCP, não é o FCP. Não ter dado os parabéns públicos ao FCP pelo título na altura devida, parecer incomodado com a pergunta se ficou contente com o título, dizer que deu os parabéns a jogadores que treinou e ainda estão no FCP, a pessoas de determinados departamentos do clube, para depois dizer que o título é merecido, não deu porque com muitas festas, ninguém ia ligar aos parabéns dele e como sabia que ia dar esta entrevista - a vitória sobre o Alverca que deu o título ao FCP foi a 2 de Maio -, aproveitou para dar agora. OK, mas não me convence. Até porque houve quem, com menos responsabilidades, que até saiu sem ter cumprido o contrato e não andasse a apregoar portismo, que deu logo os parabéns e os portistas prestaram atenção e registaram.

Continuando, o FCP por razões que são conhecidas, uma herança pesadíssima e algumas decisões erradas de quem o dirige - não apoiei a candidatura de AVB na expectativa de eleger um presidente infalível, que nunca errasse e raramente tivesse dúvidas -, teve uma época 2024/2025 muito complicada e abaixo daquilo que o portismo, mais que anseia, exige - a exigência deve ter sempre em conta o contexto, não deve ser ganhar sempre, deve ser, lutar sempre para ganhar. E na época passada não foi assim. Mas aprendeu-se com os erros, tomaram-se decisões importantes em várias áreas do clube e SAD, em 2025/2026 regressou o FCP com capacidade para lutar pelo título - veio a conquistá-lo com brilhantismo; um FCP forte dentro e fora do campo; um FCP mobilizado, até galvanizado em alguns períodos; com poder e que voltou a causar urticária nos seus rivais e nos seus peões de brega. Isto é, como se viu de forma exuberante na festa do título, voltou o Grande Porto, a chama do Dragão voltou a estar alta e a chamuscar. 
Resumindo: o FCP não passou por artes mágicas a ter todos os problemas resolvidos. Mas é este o caminho. E se há quem não queira ir por ele, OK, mas que não coloque obstáculos, não atrapalhe...

É um ponto final no que a Sérgio Conceição diz respeito. Não lhe desejo mal nenhum, pelo contrário, que tenha muitos sucessos, desde que, como é óbvio, não interfiram com os interesses do FCP. Mas espero que pelo menos até 2028, tenha dito tudo e tenha encerrado o capítulo FCP.

Uma nota final sobre Pepe, citado na entrevista e cujo contrato não foi apresentado na Liga por decisão do jogador que só faria mais uma época com JNPC na presidência - até pelo contraste, louve-se a atitude -, importa também dizer alguma coisa. 
Depois de uma época a fazer asneiras com algumas expulsões que comprometeram a equipa, lesionou-se e só se preocupou em recuperar para estar no Euro. Pois, Pepe, se tem ficado, como era uma renovação e já não podia ser enquadrada no Programa Regressar, um ano ia ficar por cerca de 10 milhões de euros ao FCP. De facto, este portismo é um portismo de referência, um exemplo de amor ao FCP.


Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, só não muda o FCP sempre naquelas cabecinhas pensadoras

 

É surreal, um delírio, uma obscenidade, ter uma grande criatividade para ligar o FCP e AVB ao interesse de um candidato às eleições dos turcos do Fenerbahçe, Hakan Safi, que apresentou como promessa de campanha a contratação do jogador do Sporting, Luis Suárez. Tudo porque Safi esteve no Dragão e foi recebido por AVB. Mas para o clickbait vale tudo e pelos vistos, pasme-se, usa-se e abusa-se do FCP e o seu líder, porque a conclusão é óbvia, rendem e aquelas cabecinhas pensadoras têm sempre o FCP no seu pensamento - depois o FCP e quem o lidera é que só pensa no Sporting e no Benfica... Apelidar de informação, jornalismo e jornalistas, estes vendedores de banha da cobra, criadores das mais patéticas teorias da conspiração, sem rigor, ética e deontologia, é brincar com coisas sérias e faltar ao respeito aos jornalistas e à informação com o mínimo de credibilidade... Embora, diga-se, seja cada dez seja mais difícil encontrar referências na informação e jornalistas com jota grande.
Como sempre, tudo começou naquele antro mal cheiroso chamado Média Livre e nesse criador de notícias falsas, mentiras descaradas e especulações sem sentido, chamado Vítor Pinto e que depois foi replicado por vários OCS. Porque estes com receio de perder audiências, visualizações, cliques, foram pelo mesmo caminho. Que tal taxar o ridículo? 

FCP, melhor clube português, está sempre acima de tudo e de todos...

 

1 - Não conheço um, um único portista e conheço muitos, que pretenda reescrever ou apagar a história de JNPC à frente dos destinos do FCP. E se houvesse não conseguiria, JNPC tem o seu nome gravado a letras de ouro na história do FCP.

2 - Só por má-fé alguém pode acusar o actual presidente, AVB, eleito pela esmagadora maioria dos sócios do FCP de não fazer tudo para honrar o legado e homenagear JNPC. Mesmo tendo toda a legitimidade democrática para não o fazer, mesmo quando tudo o que faz é sempre criticado por uma minoria cada vez mais pequenina, cada vez mais insignificante. Até se pode considerar que é preso por ter cão e preso por não ter.

3 - Se a maioria dos portistas usasse no passado o mesmo critério e a mesma tolerância para com JNPC que a minoria, repito, cada vez mais pequenina e insignificante, tem para com AVB, criticando até as coisas mais simples, JNPC ficaria pouco tempo à frente dos destinos do FCP e muito provavelmente estaríamos a falar de outra história para o nosso clube.

4 - O FCP somos nós, sócios, adeptos e simpatizantes, somos nós a sua essência, a sua razão de existir. Foi para nós que foi fundado, foi com nós que foi crescendo, cimentando, chegando a um patamar de clube de excelência e de topo do futebol mundial. E o FCP,  melhor clube português, está sempre acima de tudo e de todos. E quando não estiver, os sócios, como o demonstraram num passado recente, indicarão a quem de direito que esse não é o caminho... 


- Rui Alves, só quem anda muito desatento é que não percebe que neste país maioritariamente antiportista atacar o FCP ou o seu líder, da popularidade, direito a destaque, palanque. Isso tem barbas, essa tirada a atacar AVB é mais um episódio com intenso cheiro a bafio. Nem perco um segundo a comentar a parte em que Rui Alves diz: «O Sr. André Villas-Boas percebe muito pouco de futebol para saber o que é a sustentabilidade de uma competição profissional. Do seu ponto de vista assenta só nos interesses do FC Porto, do Benfica e do Sporting.» 

Feita a introdução, importa dizer o seguinte: acho muito bem que haja uma melhor distribuição das receitas televisivas. Teoricamente, isso gera mais equilíbrio e, em princípio, melhora a competitividade do futebol português o que traz benefícios em particular para as equipas que participam nas provas europeias. Mas com os grandes - a excepção é o Benfica que ainda vive embalado pela teoria dos não sei quantos milhões, do mais, maior, melhor grande, do Benfica a marca, o produto, sem o Benfica não existe futebol em Portugal -, a aceitar a perda de receita televisiva, era o que faltava que um clube sem qualquer expressão, com receitas diminutas, praticamente sem nenhum valor acrescentado para o futebol português, pudesse limitar ou condicionar o processo de centralização dos direitos televisivos.

Editorial do presidente na Revista Dragões... Sou um portista tranquilo e sem medo do futuro.

"O Porto voltou inteiro: O clube, a cidade, o povo e a liderança". Por Óscar Afonso, Director da Faculdade de Economia da Universidade do Porto, no ECO


Porque para mim está aqui tudo; porque é isto que vou procurando transmitir, mas sem o brilhantismo do Professor Óscar Afonso; que resolvi replicar nas minhas redes sociais este brilhante texto. Apenas repito aquilo que tantas vezes digo: o FCP não se apregoa, pratica-se. O FCP não se explica, sente-se.
Viva o FCP, melhor clube português!

«Há um economista neste texto. E há um Portista. Neste momento, o Portista ganhou, porque há dimensões da vida humana que escapam a qualquer modelo, a qualquer equação e a qualquer análise racional.

Há cidades que existem. E há cidades que sentem. O Porto pertence à segunda categoria, e quem lá vive ou viveu, lá cresce ou cresceu, ou simplesmente aprendeu a amá-lo, sabe exatamente do que falo. É uma cidade que não pede licença para existir. Não se explica. Sente-se. O Porto é, antes de tudo, um estado de alma.

É também uma cidade que aprendeu, ao longo de séculos, a amar sem medir, a servir sem esperar recompensa e a anunciar o bem pela vida que vive, mais do que pelos discursos que faz. Numa região tantas vezes tratada como periferia por quem se julga centro do mundo, o Porto respondeu quase sempre da mesma forma: com trabalho, fé, orgulho e uma generosidade que desconcerta quem não a entende.

Ao cair do pano de uma época intensa, marcada por desafios dentro e fora de campo, ficou uma sensação clara: o Futebol Clube do Porto reencontrou-se com a sua identidade, com a sua união e com a sua ambição. As celebrações vividas na cidade foram a demonstração viva de um clube novamente ligado ao seu povo, à sua cidade e à sua essência. Uma comunhão rara, genuína e poderosa, que devolveu ao Portismo uma energia que há muito não se sentia com esta intensidade.

No sábado passado, a cidade sentiu de uma forma que muitos nunca tinham vivido e que os que já viveram muito garantem nunca ter visto com aquela intensidade. Do Dragão à Ribeira, da Ribeira aos Aliados, dos Aliados à varanda da Câmara, o Porto saiu à rua para celebrar um campeonato. O 31.º. Mas não foi a contagem que mais importou. Foi o significado daquela festa. Foi o que aquelas horas disseram sobre um clube, uma cidade e um povo que, perante cada adversidade, escolhem a alegria em vez da tristeza, a luz em vez das trevas e a esperança em vez do desespero.

Ao cair do pano de uma época intensa, marcada por desafios dentro e fora de campo, ficou uma sensação clara: o Futebol Clube do Porto reencontrou-se com a sua identidade, com a sua união e com a sua ambição. As celebrações vividas na cidade foram a demonstração viva de um clube novamente ligado ao seu povo, à sua cidade e à sua essência. Uma comunhão rara, genuína e poderosa, que devolveu ao Portismo uma energia que há muito não se sentia com esta intensidade.

Foi, nas palavras do próprio Presidente André Villas-Boas, provavelmente a maior festa de sempre do FC Porto. E quem esteve lá, ou quem viu pelas imagens, sabe que não foi exagero. Foi um reencontro. De um clube consigo mesmo. De uma cidade com a sua voz. De um povo com a certeza de que aquilo que ama continua vivo.

Uma história que pesa, honra e obriga
O FC Porto nunca foi apenas um clube de futebol. É uma forma de estar na vida. Nasceu à sombra de uma supremacia que raramente se justificou pelo mérito e muitas vezes se alimentou da proximidade ao poder. Cresceu contra esse sistema, conquistou espaço pela força dos resultados e pela verdade da sua ambição, e foi construindo, jogo a jogo, época a época, uma identidade que não se compra nem se empresta. Uma identidade que se herda, se aprende e se defende com raça, trabalho e o orgulho inconfundível de quem sabe de onde vem.

Contra uma comunicação frequentemente distorcida, contra uma mão invisível que raramente foi justa e contra o ruído de quem preferia ver o Porto enfraquecido, os Portistas responderam muitas vezes com a única força que nunca lhes puderam tirar: a fé. Não uma fé ingénua, mas a fé de quem já viveu demasiadas adversidades para se deixar vencer por elas.

Pedroto ensinou-lhe a ambição. Pinto da Costa deu-lhe o mundo. Artur Jorge, Mourinho e André Villas-Boas ofereceram-lhe a Europa mais improvável e mais gloriosa. E, ao longo de décadas, jogadores como Jorge Costa deram rosto humano a uma mística que transcende qualquer resultado. Porque o FC Porto nunca foi apenas sobre vencer. Foi sempre sobre como se vence. Com brio, com integridade, sem se dobrar ao que não é justo.

Jorge Nuno Pinto da Costa, o Presidente mais titulado da história do futebol mundial, e Jorge Costa, o capitão eterno, partiram ambos em 2025. E foi precisamente nesse ano, talvez o mais pesado em memória recente, que o FC Porto escolheu renascer. Como se soubesse que é nos momentos mais difíceis que as grandes instituições revelam de que são feitas. Como se a dor tivesse sido transformada, mais uma vez, em força.

Por isso, quando André Villas-Boas dedicou esta conquista a Pinto da Costa e a Jorge Costa, não fez apenas um gesto de circunstância. Fez justiça à memória. Reconheceu que há histórias que pesam, honram e obrigam. E mostrou que uma instituição verdadeiramente grande não apaga o passado para construir o futuro. Aprende com ele, agradece-lhe e procura estar à sua altura.

Liderar sem desculpas para transformar o que se recebe
Há dois anos, André Villas-Boas entrou num clube financeiramente fragilizado, institucionalmente desgastado, dividido em muitos afetos e habituado a gerir a urgência. Encontrou um clube com enormes dificuldades financeiras, com perda de identidade em vários planos e com uma relação com os adeptos que precisava de ser reconstruída. Entrou num lugar onde a luz parecia cada vez mais difícil de acender.

Quem o conhece sabia que ele não vinha para administrar o declínio. Vinha para o inverter. Sem rancor pelo que tinha sido mal feito, mas com plena consciência da gravidade do que tinha recebido. Com foco naquilo que era preciso reconstruir. Com a coragem de assumir um clube em estado crítico e a determinação de o recolocar num caminho de crescimento.

Em apenas dois anos, a transformação tornou-se visível. Cresceu o número de sócios. O clube aproximou-se dos adeptos. A experiência em dias de jogo melhorou. A comunicação tornou-se mais moderna, transparente e próxima. A estrutura desportiva foi reorganizada. O investimento foi pensado com outro critério. Nada disto resolve todos os problemas, porque a reconstrução está longe de concluída, mas revela um rumo claro e uma visão estratégica de que o clube precisava urgentemente.

Há líderes, em clubes, organizações e países, que passam demasiado tempo a explicar por que razão não conseguem fazer melhor. Invocam o passado, a escassez, o contexto, os constrangimentos, os erros recebidos, a resistência das estruturas ou a dificuldade da conjuntura. Muitas vezes, essas razões existem. Muitas vezes, o diagnóstico é verdadeiro. Mas a liderança não se mede pela sofisticação com que se descrevem os obstáculos. Mede-se pela capacidade de os enfrentar.

E talvez resida aqui uma das maiores lições deste ciclo. O que aconteceu no FC Porto não foi apenas a conquista de um campeonato. Foi uma demonstração de liderança e de gestão em contexto adverso. Uma prova de que a herança recebida, por mais pesada que seja, e as circunstâncias existentes, por mais difíceis que pareçam, não podem servir eternamente de desculpa para não fazer, para não decidir ou para não transformar.

Há líderes, em clubes, organizações e países, que passam demasiado tempo a explicar por que razão não conseguem fazer melhor. Invocam o passado, a escassez, o contexto, os constrangimentos, os erros recebidos, a resistência das estruturas ou a dificuldade da conjuntura. Muitas vezes, essas razões existem. Muitas vezes, o diagnóstico é verdadeiro. Mas a liderança não se mede pela sofisticação com que se descrevem os obstáculos. Mede-se pela capacidade de os enfrentar.

Quem é competente não ignora a realidade que recebe. Pelo contrário, começa por compreendê-la com lucidez. Mas não se refugia nela. Não transforma o passado em álibi, as circunstâncias em desculpa, a escassez em resignação ou a dificuldade em destino. A competência revela-se quando alguém olha para uma organização fragilizada e deixa de perguntar apenas “de quem é a culpa?” para perguntar, com seriedade e sentido de responsabilidade: “o que é preciso fazer agora?”

Foi isso que este FC Porto fez. Aprendeu com os erros, enfrentou o contexto, reorganizou-se, decidiu e uniu. Percebeu que a resiliência não é esperar que a tempestade passe. É trabalhar dentro dela. É agir quando os recursos são escassos. É escolher quando a escolha é difícil. É assumir responsabilidade quando seria mais cómodo distribuir culpas.

E há ainda uma dimensão essencial: ninguém transforma uma organização ou um país sozinho. Saber escolher uma boa equipa é também sinal de competência. Talvez seja mesmo uma das suas expressões mais exigentes. Um líder competente não se rodeia apenas de pessoas leais, rodeia-se de pessoas capazes. Não procura apenas concordância, procura critério. Não escolhe apenas quem confirma, escolhe quem acrescenta. Não teme a competência dos outros, mas convoca-a, organiza-a e dá-lhe condições para produzir resultado.

Essa é também uma lição de gestão. As grandes transformações não nascem de impulsos isolados, nem de vontades solitárias. Nascem de equipas bem escolhidas, de responsabilidades bem distribuídas, de uma cultura de exigência e de uma liderança suficientemente segura para confiar nos melhores. Quem sabe escolher, mostra visão. Quem sabe delegar, mostra maturidade. Quem sabe alinhar talentos diferentes em torno de um objetivo comum, mostra liderança verdadeira.

Villas-Boas não fez isto sozinho, e essa é parte importante da grandeza do feito. Rodeou-se de uma estrutura competente, preparada e alinhada com a exigência do cargo. Mas, sendo ele o líder deste novo ciclo e a escolha inequívoca dos sócios, é justo reconhecer que muito do que hoje se vive no universo Portista nasce da sua coragem, da sua lucidez e da sua capacidade de devolver ao clube uma ideia simples e poderosa: o FC Porto não nasceu para sobreviver, nasceu para vencer.

É uma lição de exigência, coragem e superação. Mostra que, com visão, cultura de trabalho, capacidade de decisão, boa escolha de pessoas e confiança no projeto, é possível alcançar objetivos que muitos julgavam inalcançáveis. No desporto, como nas organizações e na vida pública, os resultados aparecem quando existe liderança responsável, equipa competente, cultura de exigência e uma comunidade que acredita no caminho.

Por isso, esta conquista vale mais do que os pontos que a tabela mostra. É uma lição de exigência, coragem e superação. Mostra que, com visão, cultura de trabalho, capacidade de decisão, boa escolha de pessoas e confiança no projeto, é possível alcançar objetivos que muitos julgavam inalcançáveis. No desporto, como nas organizações e na vida pública, os resultados aparecem quando existe liderança responsável, equipa competente, cultura de exigência e uma comunidade que acredita no caminho.

À segunda época completa à frente do clube, André Villas-Boas viu a equipa sagrar-se campeã nacional. Tornou-se o presidente que mais rapidamente conquistou o título depois de assumir a liderança. Não é apenas um dado estatístico. É uma declaração de intenções cumprida.

No balcão dos Paços do Concelho, disse com simplicidade: “O FC Porto voltou graças a uma equipa única”. E talvez seja mesmo essa a melhor síntese. Uma equipa que escolheu a união em vez da discórdia e a confiança em vez do medo. Presidentes também marcam golos. E este marcou um dos mais importantes da história recente do clube, não apenas no marcador, mas no espírito.
A equipa que transformou saudade em força

Dentro do campo, Francesco Farioli construiu algo raro: uma equipa que acredita. Uma equipa que defende como se cada centímetro do relvado fosse sagrado, que sufoca o adversário com organização, que sabe sofrer, que sabe esperar e que sabe matar os jogos nos momentos certos. Uma equipa que, quando ficou sem dois pontas de lança, ganhou na mesma, porque o coletivo era maior do que qualquer indivíduo.

Há treinadores que montam equipas. E há treinadores que constroem convicções. Farioli fez as duas coisas. Pegou num grupo sujeito a pressão, dúvida e expectativa e deu-lhe uma ideia clara de jogo, mas também uma razão para acreditar. E isso, no futebol como em qualquer organização, faz toda a diferença. A estratégia importa. O talento importa. A preparação importa. Mas nada substitui a confiança coletiva, aquela força invisível que faz cada um sentir que o esforço individual tem sentido porque faz parte de algo maior.

No Dragão, quando o título foi conquistado, desceu ao relvado uma bandeira iluminada com um único foco de luz, entregue a Villas-Boas num estádio inteiro a gritar pelo nome de Jorge Costa. Farioli foi dos primeiros a prestar homenagem, lembrando que a força da equipa durante a época foi também Jorge Costa. Fisicamente ausente, mas presente no pensamento, na memória e talvez em muitas defesas que pareciam impossíveis.
Há títulos que se ganham. Há títulos que se dedicam. Há títulos que consolam. Este foi tudo isso ao mesmo tempo. Uma dádiva para os que ficaram, um consolo para a saudade e um sinal de que a memória dos que partem não se apaga. Transforma-se em força.

Diogo Costa foi, ao longo da época, a encarnação desse espírito. Guarda-redes, capitão e muralha. A figura que o clube soube segurar. Ficou e serviu quando, eventualmente, podia ter ido e ter brilhado noutro lugar. E ergueu a taça na varanda da Câmara perante dezenas de milhares de Portistas em delírio, sem arrogância, com a serenidade de quem sempre soube que estava no lugar certo.

A cidade que nunca se esquece de si própria
O presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, disse aquilo que a cidade sentia: o FC Porto é mais do que um clube, representa a região, o trabalho, o esforço e o mérito. Representa a alma tripeira, a raça, o espírito e o caráter do Porto. E acrescentou que foi uma vitória contra tudo e contra todos, justa e indesmentível.

Foram palavras certas no momento certo. Porque o Porto não é uma cidade de adornos. É uma cidade de substância. Trabalha quando outros dormem. Sobe quando a empurram para baixo. Prefere a verdade ao erro e a compreensão ao julgamento fácil. Nunca precisou que lhe dissessem o que valia, porque sempre soube.

Para nós, nunca foi uma ofensa. Foi sempre uma pertença. Uma medalha discreta, mas funda, trazida no peito por quem sabe de onde vem. Como o minhoto, o transmontano e tantos outros filhos do Norte, também o portuense carrega terra nas raízes, carácter na voz e orgulho na pele. Ser do Norte, ser do Porto e ser Portista não é uma moda, nem apenas um sotaque. É uma forma de estar. É a teimosia granítica de quem cresceu a lutar contra a corrente, de quem aprendeu a conquistar sem pedir licença e de quem sabe que só é verdadeiramente livre quem não tem vergonha da sua origem.

Há quem ainda pense que chamar-nos “regionais” é uma forma de nos diminuir. Curioso equívoco. Para nós, nunca foi uma ofensa. Foi sempre uma pertença. Uma medalha discreta, mas funda, trazida no peito por quem sabe de onde vem. Como o minhoto, o transmontano e tantos outros filhos do Norte, também o portuense carrega terra nas raízes, carácter na voz e orgulho na pele. Ser do Norte, ser do Porto e ser Portista não é uma moda, nem apenas um sotaque. É uma forma de estar. É a teimosia granítica de quem cresceu a lutar contra a corrente, de quem aprendeu a conquistar sem pedir licença e de quem sabe que só é verdadeiramente livre quem não tem vergonha da sua origem.

É uma cidade que aprendeu a viver com a injustiça sem se tornar injusta. A receber o desprezo sem devolver desprezo. A manter a fé quando as circunstâncias convidam à dúvida. Não porque seja ingénua, mas porque sabe que o amor dura mais do que o ódio, que a alegria sobrevive à tristeza e que a luz, por mais pequena que seja, acaba sempre por vencer as trevas.

E o FC Porto é o espelho mais fiel dessa cidade. Com as suas fragilidades, as suas crises e os seus momentos de dúvida. Mas também com uma capacidade extraordinária de se levantar cada vez que cai, de recomeçar sem abandonar o essencial e de voltar a ligar-se ao seu povo quando essa ligação mais falta faz.

Na madrugada de sábado para domingo, quando Diogo Costa ergueu a taça na varanda da Câmara, milhares de Portistas celebraram um campeonato, mas celebraram muito mais do que isso. Celebraram o regresso de um clube a si próprio. Celebraram a união entre clube, equipa e adeptos. Celebraram a vitória de quem ama sem medir sobre quem apenas tolera quando convém.

O que esta festa ensinou ao mundo
Em Los Angeles, Portistas celebraram. Na Venezuela, Portistas celebraram. Por todo o mundo, Portistas celebraram. Em Évora, em Braga, em Lisboa, por todo Portugal, houve Portistas a celebrar. Porque o FC Porto não é apenas do Porto. É de quem ama o Porto. De quem carrega aquelas cores independentemente da latitude, da distância ou da circunstância.

Quem também muito carregou este ano foi a massa associativa. A gente humilde e trabalhadora que não precisa de convite para aparecer. Que está nos jogos bons e nos jogos maus. Que conforta quando outros recriminam. Que anima quando outros desistem. Que oferece o seu tempo, a sua voz e o seu amor sem pedir nada em troca.

Quatro anos sem campeonato. Quatro anos de crises, dúvidas e ruído, muito dele fabricado por quem nunca nos quis bem. Quatro anos a acreditar que o Porto voltaria, não pela força das circunstâncias, mas pela força do que é. E voltou. Com 88 pontos, de forma clara, inequívoca e à Porto.

Naturalmente, o futuro continuará difícil. O FC Porto ainda enfrenta obstáculos exigentes, e a reconstrução está longe de terminada. Mas existe hoje algo fundamental que durante demasiado tempo pareceu fragilizado: a união entre clube, equipa, estrutura e adeptos. E quando o FC Porto está unido ao seu povo, torna-se uma força extremamente difícil de derrubar.

Essa talvez seja a maior mensagem que esta festa deixou. O FC Porto não celebrou apenas porque ganhou. Ganhou também porque voltou a acreditar em conjunto. Porque os adeptos voltaram a sentir que faziam parte do caminho. Porque a equipa sentiu que não estava sozinha. Porque a estrutura percebeu que a confiança não é um detalhe emocional, é uma força produtiva. Porque a liderança compreendeu que nenhuma transformação séria se faz contra a comunidade, nem apesar dela, mas sempre com ela.

E é aqui que a celebração ultrapassa o futebol. Mostra que, nas organizações como nos países, não basta haver estratégia se não houver pertença. Não basta haver liderança se não houver confiança. Não basta haver competência se não houver capacidade de unir. Os projetos tornam-se verdadeiramente fortes quando deixam de ser apenas planos de quem lidera e passam a ser causa de quem participa.

Foi isso que se viu nas ruas do Porto e em tantos lugares do mundo. Não apenas adeptos felizes, mas uma comunidade inteira a reconhecer-se de novo no seu clube. Não apenas uma festa, mas a confirmação pública de uma transformação. Não apenas um campeonato, mas a prova de que uma instituição reencontra força quando volta a ligar liderança, equipa e povo em torno da mesma ambição.

Uma geração que não se esquece
Este campeonato pertence a todos. Como diz o slogan, “conseguimos juntos”. Mas pertence de forma especial a esta geração de dirigentes, treinadores e jogadores que, partindo de um clube fragilizado, construíram algo que demorava a construir, com paciência, entrega e a generosidade de quem sabe que reconstruir leva tempo, mas que vale a pena.

Pertence a Villas-Boas, que ligou a luz quando estava tudo escuro. Que foi eleito por amor ao clube e não por ambição de poder. Que escolheu a esperança quando havia razões de sobra para o desânimo e que preferiu a verdade mesmo quando a mentira seria mais fácil.

Pertence também à estrutura que o acompanhou. Aos que trabalharam longe das câmaras, aos que reconstruíram processos, aos que reorganizaram áreas, aos que devolveram método, critério e exigência a decisões que durante demasiado tempo pareciam tomadas pela urgência. No futebol, como nas organizações, há muito trabalho que nunca aparece na fotografia do título. Mas sem esse trabalho discreto não há vitória que resista.

Pertence a Farioli, que chegou como uma aposta e se tornou uma certeza. Que soube ganhar com o que tinha, transformar cada limitação numa virtude e criar dentro do grupo uma confiança que nenhuma adversidade conseguiu quebrar.

Há coisas que a economia não consegue medir: a intensidade de uma festa que começa num estádio e termina na varanda da Câmara, o orgulho de uma cidade que se reconhece num clube, a emoção de ver uma taça erguida por quem merece erguê-la e que a ergue também em nome dos que já não estão para a ver.

Pertence a Diogo Costa, que ficou quando podia ter ido. Que serviu quando podia ter partido. Que foi, ao longo de uma época inteira, a encarnação da fidelidade.

Pertence à memória de Pinto da Costa, o presidente que durante décadas fez o impossível parecer inevitável, e de Jorge Costa, o capitão que nunca parou de lutar. E pertence, acima de tudo, aos Portistas. Aos que foram ao Dragão e aos que viram de longe. Aos que choraram de alegria e aos que choraram de saudade. Aos que nunca deixaram de acreditar, mesmo quando havia pouco para acreditar.

Por isso, parabéns a toda a estrutura. E, de forma especial, ao Presidente André Villas-Boas, não apenas pelo título, mas pela coragem de provar que a dificuldade não é destino. Pode ser matéria-prima de transformação.

Porto é pertença
Há um economista neste texto. E há um Portista. Neste momento, o Portista ganhou, porque há dimensões da vida humana que escapam a qualquer modelo, a qualquer equação e a qualquer análise racional.

Há coisas que a economia não consegue medir: a intensidade de uma festa que começa num estádio e termina na varanda da Câmara, o orgulho de uma cidade que se reconhece num clube, a emoção de ver uma taça erguida por quem merece erguê-la e que a ergue também em nome dos que já não estão para a ver.

Mas talvez a economia e a gestão possam, ainda assim, aprender algo com isto. Aprender que as organizações não vivem apenas de ativos, orçamentos, estruturas ou planos estratégicos. Vivem de confiança. De cultura. De liderança. De memória. De pertença. De uma energia coletiva que não aparece nos balanços, mas que explica muitas vezes a diferença entre sobreviver e transformar.

O FC Porto não se explica. Sente-se. Vive-se. Ama-se sem medida, sem condição e sem esperar que o amor seja devolvido na mesma proporção. É esse amor que resiste ao centralismo, que sobrevive à injustiça, que perdoa sem esquecer, que se alegra quando há razão para se alegrar e que chora sem vergonha quando a saudade pesa demais.

O Porto nunca foi apenas um clube. O Porto é identidade, resistência e pertença. É união quando tudo parecia dividido. É ambição quando muitos aconselhavam prudência. É povo quando a instituição precisa de voltar à sua essência. É liderança quando a dificuldade deixa de ser desculpa e passa a ser caminho. É gestão quando a visão encontra método. É superação quando a exigência se transforma em cultura.

No sábado passado, o mundo inteiro sentiu. O campeão voltou. Com brio, profissionalismo, raça e à Porto. Como sempre foi. Como sempre será. O FC Porto está vivo, forte e de volta. E desta vez, veio para ficar.

Somos Porto.»

- Copyright © Dragão até à morte. F.C.Porto, o melhor clube português- Edited by andreset