segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Casa Pia 2 - F.C.Porto 1. Inventamos, mexemos, pagamos a factura. É preciso reflectir muito sobre esta derrota...


Depois da vitória no confronto com o Rangers que lhe garantiu a entrada directa nos oitavos-de-final e com a vantagem de só ter de pensar na Liga Europa em meados de Março e antes do clássico frente ao Sporting, jogo importantíssimo para as contas do campeonato, o FCP tinha de defrontar o Casa Pia, em Rio Maior e era fundamental vencer para entrar em campo contra o 2º classificado com a mesma vantagem - sete pontos. Não foi assim, os sete pontos viraram quatro.

Farioli mexeu em alguns lugares em relação ao jogo de quinta-feira e os Dragões iniciaram o encontro com Diogo Costa, Martim Fernandes, Thiago Silva, Bednarek e Francisco Moura, Pablo Rosario, Alan Varela e Gabri Veiga, Pepê, Samu e Borja Sainz e entrou a dominar, encostou o Casa Pia lá atrás, ia ameaçando. Mas na primeira vez que ultrapassaram o meio campo, os casapianos marcaram. Defesa, centrais e Francisco Moura a dormir. Claramente contra a corrente do jogo, mas Dragões em desvantagem. Era preciso reagir e encontrar soluções frente a uma equipa com todos no último terço. Pensar e executar rápido. Mas não estava fácil. Futebol lento, previsível, sem largura.
Aos 25 minutos Samu agarrado na área, siga. Tentar entrar pelo meio em toquesinhos, era facilitar a vida à defesa do Casa Pia. Quando ia pelas laterais melhorava, embora pouco, mas a tendência era errar. Incrível o que perdeu Gabri Veiga sozinho na cara do guarda-redes.Varela também esteve perto de marcar num remate de fora.
Aos 41 Borja Sainz marcou, mas estava em fora-de-jogo. Com a equipa a perder as trocas de bola entre os centrais e o trinco irritava o mais calmo dos adeptos.
Para complicar na segunda vez que chegou a frente livre, bola metida na área, Thiago Silva fez auto-golo. Tínhamos uma muralha defensiva, mexemos, estragamos, temos uma defesa que sofre dois golos em duas jogadas. Culpa exclusiva de Francesco Farioli.

O jogo chegou ao intervalo com uma grande surpresa, Casa Pia a vencer por 2-0, culpa de um FCP permeável atrás, previsível no meio-campo e sem contundência na frente. 

Na 2ª parte Alberto Costa entrou para o lugar de Martim Fernandes tão mal a defender como a atacar. Era preciso entrar com tudo, fazer um golo cedo, entrar rapidamente no jogo. E assim foi. Pablo Rosario marcou logo no primeiro minuto. Havia tempo, nada de precipitações. Mas não parecia ser essa a vontade de alguns jogadores do FCP.
Thiago Silva muito perto de se redimir, grande defesa de Patrick Sequeira. Borja Sainz escolhia sempre a jogada errada.
Farioli viu, aos 56 minutos tirou o espanhol e Alan Varela, meteu Froholdt e William Gomes.
Sempre pelo meio, sempre a afunilar. Sempre muitos toques na primeira fase de construção. Gabri perto do empate. Alberto Costa mal a cruzar. William a imitá-lo.
Porto pressionava, mas faltava critério, criatividade, ataque e principalmente calma a abordar os lances, mais cabeça. Aos 70 saíram Pepê e Thiago Silva, entraram Oskar Pietruzesvky e Deniz Gül que podia ter feito muito melhor perto da baliza.
Casa Pia na única ida à frente ia marcando. E os cruzamentos continuavam muito mal. William teve uma entrada muito dura, foi expulso. Clara falta de maturidade, atitude lamentável e notório prejuízo da equipa. Enfim... quando era preciso todos para a remontada, Porto com menos um.
Jogo parado para assistir o jogador lesionado, guarda-redes caiu quando o colega entrou.
Nem de livre pertíssimo da área o FCP lá ia. Asneiras atrás de asneiras. Que pobreza franciscana. Com o FCP a ser incapaz de fazer o mínimo, como seja cruzar em condições, Diogo Costa evitou o 3°. A incapacidade do FCP em fazer as coisas certas era a marca na noite de hoje. E o jogo terminou com a derrota do FCP, a primeira e antes do clássico frente ao Sporting. 

Quando se tem um centro da defesa que é uma muralha, mudar para quê? Só se for para piorar. E de repente uma defesa que era fortíssima, um certificado de garantia, passou a ser permeável, sofreu num jogo metade dos golos que tinha sofrido nas 19 jornadas anteriores. Mas seria redutor dizer que foi apenas a defesa, não hoje não foi apenas a defesa que esteve mal, foi o colectivo que não fez nada de jeito. Meio-campo incapaz de encontrar os espaços para servir os avançados, lento a pensar e executar, afunilava quando se pedia que jogasse pelas laterais. Os avançados por sua vez nunca encontraram os caminhos da baliza. Se Samu sempre muito marcado tinha muitas dificuldades em encontrar espaços, os alas Pepê, Borja e William - este com a agravante de ser expulso numa altura em que a equipa procurava o empate -, raramente fizeram alguma coisa de jeito. Oskar Pietruzesvky até entrou com vontade, foi o melhor dos quatro, mas estava praticamente sozinho. 

Este era um jogo que era importante vencer. Mas o FCP que até não entrou mal, depois do bolo sofrido nunca mais se encontrou, viria a sofrer outro perto do intervalo que ainda complicou mais. Apesar de reduzir logo no recomeço da 2ª parte e ter uma posse de bola esmagadora, as oportunidades não foram muitas e nas poucas que teve foi incapaz de fazer pelo menos um golo. 

Continuamos líderes isolados, numa situação privilegiada, mas é preciso tirar todas as ilações desta derrota.

Veremos como a equipa que vinha numa sequência extraordinária no campeonato, vai reagir a este desaire que não estava nas previsões de ninguém. Na próxima segunda-feira frente ao Sporting, veremos que Porto teremos. É é preciso um Porto muito diferente e a um nível muito mais alto. 

Nota final:
Não entro em euforias excessivas, como não entro em depressão porque perdemos um jogo que devíamos ganhar. Não fico prostrado, mesmo estando muito fod...

PS - Podia falar do árbitro e dos agarrões, mas quando cheiraria a desculpa e não quero desculpas.

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