A entrevista de Sérgio Conceição à TVI/CNNP, a montanha pariu um rato. Este post não é apenas sobre a entrevista...
terça-feira, 9 de junho de 2026
Vista com a atenção devida a entrevista de Sérgio Conceição à TVI/CNNP - Sandra Felgueiras e Rui Loura -, como nota de abertura, importa dizer o seguinte: se a pequeníssima e insignificante minoria de inconformados com os resultados das eleições de 27 de Abril de 2024, esperava algo bombástico, altamente polémico, um ataque arrasador ao presidente do FCP, devem estar muito tristes e desiludidos. Nessa matéria a montanha pariu um rato. Mas haja esperança, se bem interpretei alguns sinais, ficou entreaberta a porta para 2028...
Feita a introdução, importa dizer mais algumas coisas. Não creio ser relevante saber, porquê agora? Sobre o conteúdo não é necessário dissecar tudo. A razão é simples: Sérgio Conceição é passado - como disse atrás, pelo menos até 2028... -, já falei muito sobre ele, disse tudo sobre seus méritos e deméritos como treinador, o seu comportamento antes, durante e após as eleições de 27 de Abril de 2024, na altura própria. Não vale a pena estar a repetir-me. Sérgio Conceição, para mim, não merece essa perda de tempo. Não gosto de profissionais que usam a seu favor certas circunstâncias e julgam-se acima de um clube, qualquer que seja, muito menos uma Instituição com a grandeza do FCP - arrumo já a questão sobre a possibilidade de Sérgio Conceição treinar o Benfica. Não me incomoda absolutamente nada. É profissional, como tal... também já tivemos treinadores que eram benfiquistas a treinar o FCP. Depois o portismo de Sérgio Conceição, para mim, está muito longe de estar provado.
Outra é que para aprofundar tinha de falar muito de alguém que já não está cá e o respeito por JNPC é eterno - não confundir com críticas objectivas e construtivas, baseadas em factos reais e concretos. Como aconteceu, por exemplo, na campanha eleitoral que antecedeu as históricas eleições que elegeram AVB ou antes, no pós aquela AG de muito má memória.
Dito isto mais algumas notas.
Sérgio Conceição diz que foi enxovalhado, muito criticado após a saída do FCP. Se excluirmos as redes sociais onde há quem não tenha tento na língua, faça do insulto mais rasteiro e ordinário o seu modus operandi - AVB também se podia queixar do mesmo e até de alguns que no passado não admitiam que se tocasse em JNPC nem com luvas de pelica -, não é verdade no que toca a quem verdadeiramente importa.
Portanto, Sérgio Conceição enxovalhado, não, criticado, sim e mereceu todas as críticas. Assinar um contrato de 4 anos anos a 7 milhões brutos/ano, num momento particularmente difícil, de grandes dificuldades financeiras do FCP, a poucos dias do acto eleitoral, foi interferir nas eleições, quando mandaria o bom senso, ética e os bons costumes que não o fizesse. Sim, independentemente das razões que o motivaram e que pelas razões que referi anteriormente, não vou esmiuçar. Aliás o próprio Sérgio Conceição tinha feito referência a altura para se renovar contratos, criticando esse tipo de comportamento numa das conferências de imprensa que antecedem os jogos. E dizer que esteve sempre à parte até à renovação, tenho muita pena, mas discordo. Aquela ida ao Coliseu não teve nenhum significado político? Ou nós é que não percebemos o significado de estar à parte? Mas já que o fez, no acto de assinatura, no mínimo, quando assinou até 2028 devia ter dito algo muito simples: este contrato só tem validade se JNPC for reeleito presidente.
Depois, talvez Sérgio Conceição confunda as coisas, mas um presidente do FCP, por mais importante que seja, por mais extraordinária que seja a sua obra e mais notável o seu currículo desportivo, não é o FCP. O FCP não é de ninguém, melhor é de todos os seus sócios, adeptos, simpatizantes. Foi para eles que nasceu, cresceu, se tornou no melhor clube português, são eles a sua razão de existir - nunca me cansarei de repetir isto. Assim, AVB é presidente do FCP, não é o FCP. Não ter dado os parabéns públicos ao FCP pelo título na altura devida, parecer incomodado com a pergunta se ficou contente com o título, dizer que deu os parabéns a jogadores que treinou e ainda estão no FCP, a pessoas de determinados departamentos do clube, para depois dizer que o título é merecido, não deu porque com muitas festas, ninguém ia ligar aos parabéns dele e como sabia que ia dar esta entrevista - a vitória sobre o Alverca que deu o título ao FCP foi a 2 de Maio -, aproveitou para dar agora. OK, mas não me convence. Até porque houve quem, com menos responsabilidades, que até saiu sem ter cumprido o contrato e não andasse a apregoar portismo, que deu logo os parabéns e os portistas prestaram atenção e registaram.
Continuando, o FCP por razões que são conhecidas, uma herança pesadíssima e algumas decisões erradas de quem o dirige - não apoiei a candidatura de AVB na expectativa de eleger um presidente infalível, que nunca errasse e raramente tivesse dúvidas -, teve uma época 2024/2025 muito complicada e abaixo daquilo que o portismo, mais que anseia, exige - a exigência deve ter sempre em conta o contexto, não deve ser ganhar sempre, deve ser, lutar sempre para ganhar. E na época passada não foi assim. Mas aprendeu-se com os erros, tomaram-se decisões importantes em várias áreas do clube e SAD, em 2025/2026 regressou o FCP com capacidade para lutar pelo título - veio a conquistá-lo com brilhantismo; um FCP forte dentro e fora do campo; um FCP mobilizado, até galvanizado em alguns períodos; com poder e que voltou a causar urticária nos seus rivais e nos seus peões de brega. Isto é, como se viu de forma exuberante na festa do título, voltou o Grande Porto, a chama do Dragão voltou a estar alta e a chamuscar.
Resumindo: o FCP não passou por artes mágicas a ter todos os problemas resolvidos. Mas é este o caminho. E se há quem não queira ir por ele, OK, mas que não coloque obstáculos, não atrapalhe...
É um ponto final no que a Sérgio Conceição diz respeito. Não lhe desejo mal nenhum, pelo contrário, que tenha muitos sucessos, desde que, como é óbvio, não interfiram com os interesses do FCP. Mas espero que pelo menos até 2028, tenha dito tudo e tenha encerrado o capítulo FCP.
Uma nota final sobre Pepe, citado na entrevista e cujo contrato não foi apresentado na Liga por decisão do jogador que só faria mais uma época com JNPC na presidência - até pelo contraste, louve-se a atitude -, importa também dizer alguma coisa.
Depois de uma época a fazer asneiras com algumas expulsões que comprometeram a equipa, lesionou-se e só se preocupou em recuperar para estar no Euro. Pois, Pepe, se tem ficado, como era uma renovação e já não podia ser enquadrada no Programa Regressar, um ano ia ficar por cerca de 10 milhões de euros ao FCP. De facto, este portismo é um portismo de referência, um exemplo de amor ao FCP.

