Entrevista de Francesco Farioli para ler, reler e guardar para a posteridade
Uma abordagem sobre a primeira-parte da época sem tabus, numa linguagem simples, clara, sensível, descomplexada, sem aqueles tiques que o futebol não é para todos, só para os entendidos, para falar e discutir futebol é preciso tirar um curso superior.
Parabéns Mister!
O Estádio do Dragão
“Estamos nesta zona específica (Tribuna) porque foi aqui que eu assisti ao meu primeiro jogo no Estádio do Dragão, há alguns anos, contra o Inter. Estava sentado num daqueles lugares, com uma perspetiva diferente da atual, mas o Dragão é um estádio onde já me sinto em casa.”
Clube e cidade
“A energia, o ambiente e o apoio são sempre espetaculares neste estádio. Sentimos imensa paixão pelo futebol e, especialmente, pelo FC Porto. Quando andamos na rua ou vamos a um restaurante, as pessoas demonstram paixão pelo Clube e fazem-nos sentir a importância do que fazemos, a responsabilidade que isso acarreta, e esse sentimento é um privilégio.”
Na Invicta como em casa
“A minha mulher, a minha filha e o meu filho estão sempre aqui. A minha filha já é uma verdadeira portista, está sempre a falar na família portista. Tem havido muitos episódios engraçados, porque quando alguém pergunta quem somos ela responde “somos a família portista”. É uma ligação muito forte, em casa temos o canal YouTube do FC Porto sempre a dar, ela já conhece todas as músicas do Clube e todos os cânticos dos adeptos. É algo espetacular, faz-me sentir um privilegiado pelo que faço e não poderia estar mais agradecido.”
La Famiglia Portista
“É algo de que tenho vindo a falar desde a conferência de imprensa, depois da primeira reunião que tive com o presidente, quando ele me transmitiu os valores do Clube. Quando falamos sobre trabalho duro, dedicação, compromisso, paixão, o desejo de colocar valentia e coragem no campo são tudo atributos da minha personalidade e do futebol que eu gosto de ver. Quando o presidente começou a falar de todas essas coisas, a minha mente começou a processar toda a informação e eu senti imediatamente que este tinha sido o passo certo para mim. Muitas coisas aconteceram nestes seis meses e a família portista faz-nos sentir em casa muito rapidamente.”
Estilo de liderança
“Cada qual é como é. Quando comecei a treinar era muito jovem, e ainda sou, e agora temos um jogador mais velho do que eu (Thiago Silva). Isso sempre fez parte da minha rotina, trabalhar com pessoas mais velhas, e acredito que devo ser fiel a mim próprio. Não sou bom a esconder as emoções, as pessoas percebem quando me sinto bem e quando me sinto mal. A minha forma de liderar o grupo é muito simples: baseia-se em elementos inegociáveis, os elementos que fizeram o FC Porto ser o FC Porto. A ligação entre mim próprio, o Clube e o grupo nasceu muito rapidamente. Sou uma pessoa direta, quando há algo de que não gosto, tento sempre corrigir e, se não for suficiente, procuro encontrar outras opções. Se houver uma relação baseada na honestidade e na transparência, mesmo que às vezes a verdade seja dura, acredito que os jogadores respeitam mais isso do que um sorriso ou uma palmada nas costas. Não significa que este seja o caminho certo, mas é o caminho que me faz sentir confortável, porque é assim que eu sou.”
O ambiente à chegada
“A primeira reunião que tive com o presidente foi especial, senti que formámos uma ligação imediata. As últimas temporadas não foram as melhores para o FC Porto e eu também vim de uma época difícil de descrever. Agora, com a cabeça fria, eu diria que foi uma temporada positiva, mas claro que a dor do que aconteceu no último mês é algo que vai viver comigo para sempre. Mais calmamente, tentamos fazer uma reflexão, analisar, encontrar respostas, mesmo que às vezes seja preciso aceitar e não questionar. As minhas primeiras palavras para o grupo foram muito claras, falámos sobre as nossas mágoas e não é algo que nos envergonhe, é algo que tem de estar sempre presente na nossa memória. Viver experiências e momentos que nos deixam desapontados faz parte da vida e parte do desporto. Essa tem de ser uma motivação extra, tem de ser o combustível para termos vontade de melhorar diariamente.”
2024/25 em Amesterdão
“Começámos no dia 15 de junho, porque tínhamos a pré-eliminatória da Liga Europa e o primeiro objetivo era qualificarmo-nos para uma das duas competições, a Liga Europa ou a Liga Conferência, sabendo que tínhamos de ganhar seis jogos para entrar, e terminar no top-3 do campeonato. Ganhámos muitos jogos, acabámos a temporada com 78 pontos, 39 na primeira volta e 39 na segunda, e isso demonstra consistência, mas o que fica na memória de todos é a forma como as coisas acabaram. O Jordan Henderson, que era o nosso capitão, já falou várias vezes sobre isso, sobre as dificuldades que enfrentámos e da nossa evolução. O atraso na temporada anterior foi de 35 pontos para o PSV e 27 ou 28 para o Feyenoord, nos dérbis contra o Feyenoord tínhamos sofrido 10 golos e marcado apenas um. Pondo as coisas em perspetiva, acho que a análise a frio é positiva, mas claro que temos cicatrizes porque perdemos o título por um golo numa temporada em que ninguém esperava que fossemos campeões. Por um lado foi positivo, mas a dor viverá connosco para sempre. Ainda assim, as memórias do que vivemos em Amesterdão e a ligação à cidade e aos adeptos é ótima. Agora vamos tentar dar um passo em frente na nossa carreira, sabendo que a temporada é longa e, como tenho dito, é uma maratona. Estamos a meio caminho nessa maratona, ainda há muito para fazer, muitas coisas para melhorar e estamos prontos para o desafio.”
Adepto de um futebol defensivo?
“Cada país tem o seu próprio estilo, mas eu tornei-me um globetrotter depois de trabalhar em tantos campeonatos. A minha equipa técnica também andou pelo mundo todo e eu vejo isso como uma força. Claro que há dificuldades, porque dentro do nosso staff existem pessoas de muitas culturas, que falam línguas diferentes, que gostam de ter abordagens distintas. Isso torna-nos uma equipa técnica mais unida, mais completa, dentro da qual as pessoas têm opiniões diferentes e discutem-nas abertamente. É verdadeiramente especial e é algo com que eu sonhava desde o meu primeiro emprego, porque sempre quis ter uma equipa técnica forte.”
Os elogios de Mourinho
“Acredito que as palavras do José Mourinho são verdadeiras. Infelizmente os recordes a meio da época não nos dão qualquer título ou vantagem. O que temos feito é especial, não é motivo para celebrar. Não devemos ficar obcecados com isso, porque já faz parte do passado. Precisamos de olhar para o futuro e o futuro próximo é um mês de janeiro que será muito importante. A começar por um jogo da Taça, que será especial por várias razões, um clássico em nossa casa, um jogo que já está no ar. Vamos ter jogos importantes para o campeonato e não podemos facilitar. Mesmo tendo feito um percurso extraordinário, ainda está tudo em aberto, os rivais vão competir até o fim. Ainda temos dois jogos importantes para a Liga Europa e também temos a oportunidade e o desejo de nos qualificarmos no top-8, que seria algo muito importante para evitar acrescentar dois jogos do play-off a um calendário já muito preenchido. Há muito trabalho para fazer e não temos tempo para festejos. Amanhã vamos para o Algarve trabalhar no duro, recuperar a condição física e refrescar a mente. Vamos levar os jogadores e as famílias para reforçarmos a ligação entre todos. Quando eu vejo a família portista, a família portista são os adeptos, os jogadores e as pessoas que estão connosco todos os dias. As pessoas que nos esperam em casa quando voltamos do trabalho. Elas têm um papel importante na nossa vida e será ótimo tê-las por perto nos próximos dias.”
Rui Borges e José Mourinho
“São dois grandes treinadores. O Rui Borges é o atual campeão, o trabalho que tem feito no campeonato e na Liga dos Campeões é ótimo. O Mourinho é uma das principais referências para qualquer treinador de futebol. O número de títulos que ele ganhou, a forma como ele mudou o futebol, sua capacidade de reinventar o jogo, o método de treino e o impacto que ele teve na indústria... sempre foi e será um dos melhores treinadores do mundo.”
O papel do treinador
“Claro que já enfrentámos dificuldades e jogos difíceis, é normal, e não somos os únicos a encontrar dificuldades, porque jogamos num campeonato muito competitivo, com bons treinadores que estão muito bem preparados. As equipas que jogam na Europa não têm muito tempo para treinar, por isso é complicado manter a forma, a energia e preparar jogos de futebol. Às vezes temos de prepará-los só com recurso ao vídeo ou com um treino de 15 minutos na manhã do jogo. Os treinadores nos grandes clubes têm de ser muito eficientes, porque não têm tempo para passar a mensagem. Isso acontece durante os treinos e na sala de reuniões. Há uma história engraçada sobre as nossas reuniões e o Eustáquio até chegou a dizer que nós estávamos a gravar uma série para a Netflix. Um dos meus primeiros pedidos ao Clube foi ter uma sala de reuniões à altura das exigências, porque no início trabalhávamos no ginásio e agora temos um espaço confortável onde passamos muito tempo. É lá que construímos as nossas ideias e que as debatemos. São pequenos pormenores que se tornam fatores-chave a longo prazo. Queremos fazer as coisas bem, porque é muito importante entrar nos detalhes. Esta época mudou muita coisa, chegaram mais de dez jogadores novos e conseguirmos juntá-los tão rapidamente foi muito bom. Agora sentimos necessidade de melhorar, de fazer as coisas ainda melhor e de não baixar a fasquia. Temos de ter paciência para nos mantermos focados e continuarmos a fazer as coisas bem, mantendo o ritmo sempre elevado.”
Bednarek e Kiwior
“O nosso registo defensivo é impressionante, claro, mas eu não acho que seja bom só porque defendemos bem. Não é. Nós somos bons porque defendemos bem, sim, mas também porque atacamos de uma certa forma, de uma forma que requer paciência, qualidade técnica, muita coordenação entre os jogadores, o tempo, a compreensão, o nível de automatismo e sincronia em certos movimentos é a chave. Nessa forma de atacar também há bastante estabilidade defensiva. Nos jogos como o de ontem, quando se tornam mais abertos e temos de defender dentro da área, então claro que a atitude do Jan (Bednarek), do (Jakub) Kiwior e do Dominik (Prpic), bem como a do Thiago (Silva), vai ser verdadeiramente importante, e é um fator-chave. A forma como toda a equipa defende, como todos se esforçam e sacrificam... no voo de regresso dos Açores analisei uma das poucas oportunidades que concedemos ao Santa Clara e foi um ressalto depois de um livre. Vimos O Borja (Sainz) e o Deniz (Gül) a atirarem-se para tentar parar a bola, e quatro ou cinco jogadores a darem o corpo às balas para tentar manter a baliza fechada. Isso é essencial, porque todos sabemos que um golo a mais ou a menos pode fazer uma diferença enorme.”
Thiago Silva
“Ele vai acrescentar experiência e qualidade. Acredito muito na gestão do jogo e na partilha de recursos físicos e mentais. Ninguém discute o palmarés do Thiago (Silva), ele não estaria aqui se os últimos jogos não tivessem um certo nível nem se a sua mentalidade não fosse a correta. Ele vem para cá ajudar e apoiar a equipa. Eu não lhe fiz uma única promessa, só lhe disse que tanto podia jogar sempre ou entrar a cinco minutos do fim. Ele disse que tem perfeita consciência disso e também tem a ambição de fechar um círculo, porque ele começou a carreira europeia no FC Porto B e ganhou a Liga dos Campeões pelo Chelsea no Estádio do Dragão. Ele vem para cá com um pensamento claro e com um objetivo importante, que é jogar o Campeonato do Mundo pela seleção do Brasil e estar apto para o Mundial no verão. Acima disso tudo está a sua mentalidade e o seu compromisso. Ontem, quando o vi pela primeira vez, ele tinha um grande sorriso, muita energia, e é disso que precisamos. Estou ansioso por começar a trabalhar com um jogador que é um dos cinco melhores defesas da história do futebol.”
Samu
“Ele tem melhorado muito, graças ao seu compromisso e à sua mentalidade. No início da temporada tivemos de lhe explicar o benefício da nossa ideia. O Samu é incrível, é um atleta de elite quando ataca o espaço ou entra na área. Mas, para uma equipa que quer ser dominante e jogar no meio-campo adversário, há também algumas coisas que ele tem de melhorar. Ele está a trabalhar muito, percebeu o benefício de ser um avançado mais completo e que, no futuro, poderá jogar ao mais alto nível numa das três melhores equipas do mundo. Quando temos essa ambição para jovens jogadores, como ele, a única alternativa é melhorar, além de trabalhar. Realço a sua abertura para isso, para aceitar e para fazer trabalho individual que se costuma fazer nos sub-13. Isso requer muita humildade, muita autorreflexão e autoconsciência. Nisso o Samu surpreendeu-me imenso, ele está a trabalhar muito bem e a melhorar todos os dias, já é capaz de repetir ações intensas com outra frequência, de pressionar como uma besta, de correr para trás e de perceber quando é o momento de correr novamente para a frente. Ontem tivemos mais uma prova do seu crescimento e, neste caso, também quero mencionar a importância de Luuk (de Jong) e do Deniz (Gül). O Luuk, com a sua experiência, teve várias conversas com ele para explicar algumas coisas, para fazê-lo sentir a importância de certas coisas. Toda a gente tem um papel muito especial e queremos manter isso em 2026, é algo que devemos fazer mais e melhor nos próximos meses.
Victor Froholdt
“Como já disse, era um jogador que eu não conhecia. Quando o presidente e o departamento de scouting me falaram sobre ele fui ver alguns jogos e fiquei impressionado com algumas coisas. Mas, para ser sincero, é muito diferente vê-lo no vídeo e vê-lo ao vivo. Destaco a sua capacidade de desenvolvimento e de perceber tudo tão rápido. É algo que, honestamente, superou as minhas melhores expectativas. Estou feliz pela evolução, por tê-lo connosco e por vê-lo crescer em termos de personalidade e de liderança. Nunca irei esquecer o primeiro jogo dele no Dragão. Quando ele foi substituído o estádio levantou-se para o aplaudir e essa conexão só tem crescido. Ele é definição absoluta do ADN FC Porto.”
Rodrigo Mora
“Falando sobre surpresas positivas, este é outro bom exemplo. Na última temporada o Rodrigo (Mora) foi o menino de ouro, a estrela da companhia e fez coisas surreais para um jogador da sua idade. Esta época, claro, depois do Mundial de Clubes, surgiram algumas mudanças, novos jogadores e, mais importante do que isso, um novo estilo de jogo que requer uma certa adaptação. Para ele, para mim e para os adeptos não foi fácil perceber logo o que estava a acontecer, mas especialmente para ele, porque começou a época com o estatuto de superestrela e, no início, não teve o papel um papel tão importante e ficou a sensação de que não iria ter um papel principal. Toda a gente sabe o que aconteceu no mercado, toda a gente ouviu rumores sobre a Arábia Saudita e sobre a quantidade de dinheiro envolvida. Quando falámos, no final do mercado, fomos muito claros um com o outro e chegámos a um acordo sobre a forma como as coisas se iriam desenrolar. O meu papel como treinador é unir as pessoas e ter toda a gente a lutar pelo bem-comum. No cenário ideal, um treinador quer ter 25 jogadores que sejam autênticos soldados a caminhar na mesma direção. Esse é o sonho de qualquer treinador, a parte difícil é encontrar jogadores e seres humanos capazes de aceitar o seu papel, de aceitar decisões e de se desenvolverem em áreas que não são a sua especialidade para melhorarem os pontos fracos. Claro que não é uma evolução do zero aos 200 num só dia, mas dando cada vez mais nos treinos, dia após dia, nunca fazendo cara feia e aceitar jogar apenas alguns minutos… o seu impacto nos últimos jogos tem sido fantástico, bem como a sua evolução enquanto jogador e pessoa. Pensando no Rodrigo agora, a palavra que me vem à cabeça é «maturidade». Ele sabe quais são os seus objetivos individuais e as coisas em que precisa de melhorar. É um dos jogadores mais comprometidos com a equipa técnica em termos de desenvolvimento pessoal. Depois dos jogos ele fica a ver vídeos com os meus adjuntos e é um dos jogadores a quem não é preciso mostrar os clipes, porque ele vai para casa rever os jogos e analisa-os da forma que nós queremos. Estou muito grato e muito orgulhoso por ter um jogador com esta qualidade ao serviço do Clube. É um dos maiores talentos portugueses e não duvido que a carreira do Rodrigo vai ser ótima. Tudo começa no desejo de conseguir algo especial no FC Porto, que é o seu clube. Ele tem a ambição de celebrar títulos aqui e a sua carreira será, com toda a certeza, fantástica.”
A importância do staff
“No meu primeiro clube, quando comecei a negociar, eles propuseram um valor para mim e outro para o meu adjunto e eu optei por não receber um euro, dividindo essa quantia por cinco ou seis pessoas que queria ter a trabalhar comigo. Isto diz muito sobre o sobre o impacto do staff e acho que o trabalho da minha equipa técnica tem sido surreal, o impacto que têm é enorme em termos de desenvolvimento individual e coletivo. Estão perto o suficiente dos jogadores para perceberem o seu estado de espírito. Para conseguirmos ter uma temporada bem-sucedida é preciso ter atenção a todos os detalhes e isso nunca pode ser o trabalho de uma só pessoa, é sempre o trabalho de uma equipa, todos com a sua tarefa e com um determinado impacto no trabalho diário. Falei da equipa técnica, mas também posso falar do departamento de performance, do departamento médico, do gabinete de apoio aos jogadores e de todas as pessoas que trabalham neste Clube a começar pelo Jardel, o nosso roupeiro tão carismático e apaixonado pelo FC Porto, até ao presidente, que é nossa referência e a pessoa que está a liderar o Clube com uma postura incrível, uma atitude e um compromisso incrível para que as coisas resultem.”
A relação com André Villas-Boas
“É uma situação muito estranha, porque ele é o dirigente que eu conheço que mais percebe de futebol. A sua carreira como treinador fala por si própria e, para ser sincero, ele é a pessoa com quem eu menos falei menos sobre táticas, porque antes da primeira reunião eu tinha preparado algumas coisas para lhe mostrar, mas ele já sabia tudo e limitámo-nos a falar sobre outro tipo de coisas. Só quando cheguei ao Porto é que precisei de abrir o computador para lhe mostrar algo. Isso diz muito sobre sua preparação e sobre o respeito que ele tem pelo trabalho, que tem feito muito bem. A nossa comunicação é muito aberta, muito direta, há coisas que vemos de ângulos diferentes e isso enriquece muito as nossas conversas. É um presidente muito presente, vem ao Olival uma ou duas vezes por semana, está sempre connosco na véspera dos jogos e transmite-nos uma energia importante. Não poderia pedir um presidente melhor. Mais do que a função e o que representa, eu acho que nós temos uma verdadeira ligação humana. Trocamos muitas mensagens sobre futebol a altas horas da noite e, por vezes, às seis da manhã, quando acordo, já tenho uma mensagem dele a falar sobre um jogador, sobre uma situação, ou sobre como podemos fazer as coisas melhor. Vim para cá com o rótulo de treinador muito trabalhador, mas aqui há pessoas que são tão ou mais trabalhadoras do que eu. Isso é inacreditável. Falo do presidente, do Tiago (Madureira), do Henrique (Monteiro) e das pessoas próximas deles. Já todos percebemos quem somos, como somos, para onde queremos ir e não há melhor forma de liderar do que liderar pelo exemplo.”
As conversas com o presidente
“Falamos sobre a performance da equipa, sobre os jogos, sobre as sensações com que ficámos, sobre o momento em que estamos e sobre as coisas que é preciso melhorar. Sou uma pessoa que gosta de ouvir e de receber feedback. Vou dar um exemplo: num dos nossos primeiros encontros, o presidente disse que o Samu não devia defender ao primeiro poste nos cantos em que fazemos marcação à zona. Fui logo ver algumas imagens, segui o conselho e, como já devem ter reparado, o Samu agora nunca está lá. Quando chegas a um sítio novo, acreditas nas pessoas e no que elas te dizem e isso ajuda a acelerar o processo de adaptação. Claro que é importante chegar com a mente fresca, para fazermos a nossa própria avaliação, mas também gosto de receber dicas, sou uma pessoa que gosta de ouvir, de criar e de trabalhar num ambiente de cooperação. Numa equipa técnica tão grande todos têm de acrescentar algo respeitando o seu papel, mas eu acredito que todos podem contribuir para acrescentar a peça certa a um grande puzzle.”
A preparação física do plantel
“A preparação física é um dos principais elementos do trabalho que estamos a desenvolver, desde o perfil dos jogadores que temos de procurar, no desenvolvimento dos atletas e não nego que sou paranóico com o lado físico do jogo e com a trajetória para onde o futebol está a caminhar. Não vamos descobrir nada, limitamo-nos a analisar as novas tendências e, a partir daí, tomamos certas decisões. Até agora corremos mais do que o adversário em todos os jogos, ultrapassámo-los em três, quatro, cinco e até oito ou nove quilómetros, o que é um número enorme e é quase como ter um jogador a mais. Toda a gente se ri com a quantidade de quilómetros que o Victor (Froholdt) corre e obviamente que ele tem um rendimento incrível, mas a realidade é que esses números e essa energia é fruto do trabalho de todos. Os nossos centrais chegam a correr mais de 11 quilómetros para tentar manter a equipa coesa e adiantada no campo, os avançados sobem muito para pressionar e trabalham sem bola no momento de recuar. A quantidade de sprints para desmontar as equipas que estão a defender em bloco baixo, para ultrapassar os adversários, para esticar a linha defensiva… às vezes nem sequer é para receber a bola, apenas para abrir novos espaços. Acredito que isso é fundamental, por isso acredito muito na capacidade física e em ter jogadores capazes de a entregar. Depois é preciso ter vontade de o fazer, o que também é importante. Para isso, acho que é preciso estar fresco nas pernas e na mente, por isso valorizo toda a gente dentro do plantel, tento rodar os jogadores, tê-los sempre prontos e envolvidos. Dessa forma, os treinos vão ser mais intensos e com dinâmicas diferentes e isso pode fazer uma diferença bastante relevante.”
A força do Mar Azul
“O apoio que temos recebido, como se viu no aeroporto quando partimos para os Açores, não significa que os adeptos estejam a celebrar algo. Eles querem dar-nos o impulso certo, transmitir-nos força e lembrar-nos do papel que todos temos aqui dentro. Eles querem transmitir-nos um grande desejo, uma grande vontade de vencer e nunca senti que estivessem a celebrar. Todos sabem para onde queremos ir, estamos todos na mesma página e este entusiasmo e esta adrenalina que se sente um pouco por toda a cidade é algo que deve ser trabalhado para continuar a crescer, porque é especial. Os nossos adeptos estão a fazer um excelente trabalho quando jogamos no Dragão e também quando jogamos fora, porque na maioria das vezes é como se jogássemos em casa.”
Sem tempo para celebrações
“Sim, com certeza, o início da época foi brilhante. É difícil pedir mais e melhor. A realidade é que o que fizemos já está feito. Agora temos de olhar para o futuro porque temos muitos jogos importantes pela frente e não temos tempo para celebrar o que já conseguimos. Eu falo sempre sobre o que vem a seguir e o que se segue é um mês com muitos jogos decisivos, começando pelo clássico na Taça de Portugal, que é a eliminar. A segunda parte da temporada é o momento em que tudo se torna mais decisivo, em que os jogos e cada ponto contam ainda mais.”
A experiência como mais-valia
“As experiências anteriores são sempre importantes porque nos ensinam algo diferente. A segunda parte da época é, como disse, uma parte importante do ano desportivo e as dificuldades estão sempre ao virar da esquina. O mercado de inverno também é um dos temas a ter em conta, porque temos jogadores que serão alvo de interesse de outros clubes, e é importante manter todos conectados. Não tenho dúvidas sobre isso. Claro que no mercado também poderão chegar novos jogadores e temos o desafio de manter o nosso padrão, bem como de ir melhorando e desenvolvendo-os no período competitivo que se avizinha. Será um grande desafio.”
Compromisso total desde o primeiro dia
“Disse aos jogadores no primeiro dia que, quando há um novo começo, há sempre a sensação de estar a escrever uma nova página, começando numa página branca, mas a realidade nunca é assim, porque carregamos as nossas sensações e experiências, às vezes boas e às vezes não tão boas. Não foi fácil haver esta mudança, especialmente depois do Mundial de Clubes, com poucos dias de descanso de uma temporada para a outra. Para ser sincero, fiquei e ainda estou surpreso com o quão rápido os jogadores entraram num ritmo distinto. Eu acho que isso tem muito que ver com o desejo deles de provar que poderiam fazer algo especial neste Clube, que poderiam jogar aqui e vestir esta camisola com dignidade. É claro que nessa evolução, eu tenho de mencionar todos os capitães da equipa, começando pelo Diogo Costa, mas também o Cláudio Ramos, o Eustáquio, o Alan Varela e a recente adição do Jan Bednarek também. O impacto deles tem sido enorme, a capacidade de manter o padrão num alto nível foi muito importante, além do compromisso com o Clube e da eficácia que tivemos ao escolher homens em vez de jogadores de futebol. Já mencionei a importância da contratação do Jan Bednarek, que além de um ótimo jogador é um líder importante, a do Luuk de Jong, que é um campeão dentro e fora de campo e que, nos poucos jogos que jogou, deu uma contribuição enorme para ajudar os jogadores jovens ao explicar a todos o que significa ganhar. Esse tipo de ajuda é algo impagável, tal como o trabalho de todas as pessoas que estão no Olival diariamente a ajudar a levar o Clube para a frente.”
Thiago Silva
“O Thiago também é um jogador que vai nos dar uma energia extra, vai ser uma peça importante para o Clube e para a equipa com a sua experiência e mentalidade vencedora. É um jogador muito profissional, que já está a preparar-se mentalmente para ser treinador. Acredito que nos vai ajudar, especialmente com a humildade maravilhosa que mostrou desde o primeiro contacto. É disso que precisamos.”
Um reforço que conhece os cantos à casa
“Falámos pela primeira vez com o Thiago há algumas semanas e a ligação foi muito rápida porque ele tem uma história com o Clube. Foi o Clube que o trouxe para a Europa, mesmo tendo a experiência sido muito complicada, ganhou também a Liga dos Campeões aqui no Estádio do Dragão e agora vem com o desejo de nos ajudar, quer ser competitivo e levar a equipa para onde pertence. Além disso, tem também o objetivo individual de ser chamado à seleção brasileira para o Mundial, por isso talvez possa ir praticando o italiano para falar com o Carlo Ancelotti, um treinador que foi muito importante na sua carreira. Há aqui muitos fatores interessantes.”
Versatilidade e exigência
“Cada um joga com a sua própria ideia. Eu acredito que, na forma como jogamos, há flexibilidade suficiente para gerir diferentes cenários nas diferentes competições. É verdade que temos uma ideia clara e acho que é bom saber o que vamos fazer, mas a equipa já provou ter a capacidade de jogar em diferentes cenários e de atuar contra equipas que pressionam de forma muito agressiva, ou jogar contra equipas que defendem num bloco baixo, no fundo ser uma equipa que consegue exercer uma pressão forte contra todos os adversários em todos os campos, sempre com essa intenção, mas também quando enfrenta equipas que forçam a jogar uns metros mais atrás, como aconteceu contra o SC Braga aqui no Dragão, ser capaz de defender mais baixo e de ter um tipo de jogo distinto. Temos uma ideia, mas temos também os atributos certos para jogar em diferentes cenários. Sobre margem de progressão, temos uma lista longa, muito longa. Somos muito exigentes connosco, primeiro na equipa técnica, mas também os jogadores estão sempre a pedir e a exigir mais para melhorar. Acho que esta é honestamente a chave, acima de tudo: mais do que nos contentarmos com os nossos feitos, sermos realmente exigentes connosco próprios para melhorarmos.”
A vitória nos Açores
“Tenho a sensação de que o jogo foi honestamente bem jogado. Na primeira parte jogámos num relvado que estava muito difícil, muito pesado, estava cheio de água e pesado para jogar. Acho que fizemos o nosso jogo, tivemos combinações muito interessantes para entrar na área. Talvez não tenhamos capitalizado ou gerado tanto, mas tivemos uma boa oportunidade com o William numa transição e marcámos numa ação muito particular. A realidade é que todos sabemos que jogar nos Açores nunca é fácil. Conceder quase nada ao Santa Clara é também algo que deve ser assinalado e, acima de tudo, o resultado e a continuidade no caminho e nos resultados que pretendemos é algo que não deve ser subestimado.”
O clássico com o Benfica
“Não sei como eles vão abordar o jogo. Teremos agora alguns dias para preparar diferentes cenários, se serão um pouco mais agressivos ou se vão abordar o jogo da mesma forma que fizeram. Com certeza espero uma grande batalha tática, como foi na primeira volta, num jogo com muito equilíbrio onde, quando moves uma peça, há sempre uma resposta adequada. Para ser honesto, concordei totalmente com a conferência pós-jogo que o José Mourinho deu sobre a forma como ambas as equipas jogaram, porque foi um jogo disputado com muita precisão. Talvez não tenha sido o jogo mais espetacular de se ver, mas foi um jogo, na minha opinião, bem jogado por ambas as equipas. Tivemos as principais oportunidades para ganhar, mas será diferente desta vez. O facto de ser um jogo a eliminar gerará dinâmicas diferentes. Temos de estar muito bem preparados e bem ligados para jogar contra uma equipa que tem uma qualidade e uma organização fortes. Nos últimos jogos, acho que eles subiram o nível em termos de qualidade de jogo, fizeram um jogo muito bom contra o Nápoles, jogos muito bons recentemente, por isso estão num bom momento de forma e temos de estar preparados. Repito-me: jogámos contra um dos melhores treinadores da história do futebol e contra um treinador que tem uma grande experiência de competições com jogos a eliminar. O desafio está lá, por isso vamos tentar estar preparados.”
Um objetivo, vários caminhos
“Tentamos sempre preparar o jogo com a intenção clara de entrar em campo para ganhar, de sermos os protagonistas do jogo. Isso depois depende muito da interpretação do nosso adversário e do facto de que, de acordo com os cenários que vamos enfrentar, temos de nos adaptar. Isso é absolutamente normal. Acredito que a flexibilidade é um trunfo fundamental de uma equipa que quer competir em diferentes competições. Teremos agora alguns dias para estarmos prontos fisicamente, para nos prepararmos bem mentalmente e abordar o próximo desafio e os próximos seis meses com a mentalidade e atitude certas.”
O estágio no Algarve
“É uma boa oportunidade para juntar as pessoas novamente, para unir o grupo, para trabalhar num ambiente diferente, o que acho importante nesta altura. É importante ter um momento em que possamos trabalhar um pouco mais de tempo com os jogadores e ter uma semana inteira de trabalho, sessões duplas e reuniões extra. Além disso, quisemos ter as famílias deles e a nossa família connosco, por isso é uma mistura de trabalho árduo e momentos familiares. Deve ser um momento para recarregar, refrescar e pôr novamente gasolina no tanque, porque o que temos pela frente é um período desafiante e que exigirá o melhor de todos nós.”
Contra tudo e contra todos
“A primeira vez que ouvi foi quando fomos ao Museu. Foi uma experiência muito boa para compreender algumas coisas que, nos meses seguintes, coloquei em prática. Está muito claro. Na realidade, este slogan parece que vai contra coisas que estão fora, mas na realidade é uma mensagem de unidade vinda de dentro. É a forma como repetimos com orgulho esta frase, porque a prioridade é estarmos unidos no interior, sermos fortes por dentro, estarmos ligados, na mesma página, com a mesma ambição e o mesmo desejo.”
A Liga Europa
“É importante passar e ir o mais longe possível na Europa. Claro que se isso puder acontecer ficando no top-8, numa época com tantos jogos, será muito bom. Significa ter duas semanas limpas em que podes trabalhar, recuperar os jogadores, talvez acrescentar algo do ponto de vista tático ou clarificar coisas. Podes fazer as coisas com um pouco mais de calma. Vamos tentar. Não sei se o resultado do próximo jogo será suficiente, porque acho que 14 pontos talvez não cheguem. É uma loucura porque na época passada com 14 pontos estavas qualificado, e esta época provavelmente precisarás de 16 ou 17. Isso diz muito sobre o novo formato: eles quiseram ter a competição aberta até ao último momento e conseguiram-no. Vamos tentar fazer o máximo de pontos possível nos próximos dois jogos e depois veremos onde estamos, se já temos um pé na próxima fase ou se teremos de disputar o play-off.”
A arranque da caminhada europeia
“Vem-me à memória o jogo contra o Nice. Acho que o Nice é uma equipa muito física e intensa e fizemos um jogo muito bom. Em Nottingham perdemos o jogo com dois penáltis, mas a performance foi muito boa. O Utrecht é outra equipa física e forte dos Países Baixos que conheço bem e acho que estivemos bem. Na realidade, em todos os jogos, eu diria que podíamos ter tido mais um ou dois pontos facilmente. Não senti mais dificuldades. Claro que na Europa jogas com equipas como o Nottingham, que é uma das melhores 15 em valor de plantel. Desafias-te contra diferentes competições e formas de jogar. Agora teremos o Viktoria Plzeň e o Rangers, que são dois grandes clubes nos seus países, com história internacional importante. No futebol moderno não vejo jogos fáceis. Damos muito respeito e atenção a toda a gente.”
Vencer a Liga dos Campeões
“É difícil, muito difícil, no limite do impossível, mas o futebol é cheio de coisas inesperadas que se tornam histórias mágicas. É uma das melhores coisas que o futebol nos ensina. Por isso diria que é difícil, mas não impossível.”
Um sonho a longo prazo
“Sim, acho que ganhar a Liga dos Campeões é a maior conquista como treinador de clubes. É o maior alvo que podes ter, mas está tão longe que prefiro focar-me nos desafios atuais, que já são mais do que suficientes. Passo a passo, veremos qual será o meu futuro. Hoje a minha carreira é no FC Porto, que é um grande Clube. É um privilégio estar aqui. Eu, o staff e o Clube faremos tudo para fazer os nossos adeptos felizes, isso é o mais importante.”
Dragão de corpo e alma
“O meu compromisso com o Clube é muito forte. Disse na última conferência que nunca considerei a opção de sair a meio da época. Tive realmente boas oportunidades. Na época passada, a certa altura, tive a chamada do FC Porto, mas estava comprometido com outro Clube. É assim que eu sou e como me sinto. Por isso não há dúvida de onde vou terminar a época. E para o futuro, tenho um contrato aqui. Estou muito feliz com as pessoas com quem trabalho. Sinto-me privilegiado por ser o treinador de um dos melhores clubes da Europa. Isso diz muito sobre a magnitude do Clube, mas especialmente sobre a qualidade das pessoas por quem estou rodeado. É algo único. Sinto o privilégio e o desejo de trabalhar e fazer as coisas melhor todos os dias. Esta é a nossa principal ligação.”
Os talentos da formação
“Alguns deles estarão connosco agora no estágio, no Algarve. Alguns já treinam connosco há alguns dias. Ontem pedi para organizarem um pequeno vídeo de todos eles para os ver em ação nos jogos, para ter uma imagem melhor de quem são, quais os seus pontos fortes e características. O desejo, em conjunto com o clube, é tentar construir e abrir caminho para os grandes talentos que temos na formação. Nada é de graça. O padrão de exigência tem de ser muito alto. Os jogadores que vão estagiar connosco foram escolhidos, não só porque são jovens e bons no seu escalão, mas também porque têm algo mais. Algo que os ligue ao ADN do FC Porto, com o compromisso que todos têm de mostrar para representar a equipa principal. Estes rapazes têm a mentalidade, por isso vamos tentar conhecê-los melhor para os ajudar a melhorar e para que tragam o seu talento ao serviço da equipa.”
O mercado de janeiro
“Estamos a discutir várias possibilidades com o presidente. Temos algumas necessidades devido às lesões graves que tivemos do Nehuén Pérez e do Luuk de Jong. Estamos curtos de opções em algumas posições desde o início da época. O desejo é tentar tornar a equipa mais equilibrada, com maior profundidade no plantel, acrescentando qualidade e o perfil certo, se for possível. Queremos especialmente acrescentar a mentalidade certa, algo que para nós é absolutamente chave. Queremos compromisso, energia e acrescentar valor para o presente e para o futuro.”
Equilíbrio desportivo e financeira
“Estamos a avaliar a situação. O maior exemplo foi o Pablo Rosario, que é um jogador que pode jogar em tantas posições. A lesão do Luuk abriu uma necessidade na frente. Pode ser que venha alguém que possa jogar em duas posições diferentes. Talvez contratemos mais um jogador, talvez não. Depende do mercado. Sabemos que há um equilíbrio financeiro que também precisamos de respeitar. Temos ambição desportiva. Eu, o presidente e o CFO estamos todos a trabalhar para tirar o melhor da situação. Abordo esta janela de transferências com fé e com a crença de que vamos fazer as coisas certas para sermos competitivos sem desequilibrar a equipa.”
Luuk de Jong
“Temos uma excelente relação com o Luuk de Jong. O facto de ele já estar aqui de volta para fazer o processo de reabilitação e estar perto da equipa acho que já é uma prova de compromisso. Como disse, há uma opção no contrato dele. Teremos tempo nas próximas semanas para avaliar todas as possibilidades. Acho que é muito raro encontrar um campeão do nível do Luuk, dentro e fora do campo. Somos todos maduros o suficiente para encontrar o compromisso e a solução certa.”
A vida no Porto
“É bom viver aqui. A minha rotina diária é bastante simples: vou para o Olival muito cedo e saio ao fim da tarde para ir para casa, para junto da minha família. Nas poucas vezes que tive dias de folga, durante a pausa internacional, nunca saí daqui, por isso tive a oportunidade de visitar outras partes de Portugal, visitar a cidade, ir a alguns restaurantes. Eu e a minha família estamos muito felizes aqui. A minha filha começou a escola aqui, está muito feliz, está a aprender português e inglês. As coisas estão a correr bem, sentimos um bom equilíbrio e um ótimo ambiente. A prioridade é sempre o futebol, mas em termos de vida familiar, estamos realmente felizes no país e com as pessoas que nos rodeiam.”
O encanto da Invicta
“Há tantas coisas boas para ver. Estou a descobrir o Porto, especialmente à noite porque a minha filha não dorme bem. Às vezes, à noite, pegamos no carro e andamos pela cidade. Ver a cidade à noite é fantástico. Há sítios que são únicos. Há uma mistura entre a arquitetura e a natureza. Estar em frente ao oceano é incrível, viras-te e tens vistas muito românticas. É ótimo. Estamos muito felizes pela cidade, pelo país, mas acima de tudo pelas pessoas que estão connosco no dia a dia e que nos fazem sentir em casa, reforçando a mensagem de La Famiglia Portista.”
O Clube numa expressão
“Família Portista.”
Santa Clara 0 - F.C.Porto 1. Terminou com uma vitória muito difícil uma 1ª volta extraordinária e limpa
No último jogo da 1ª volta, o FCP, líder isolado, deslocou-se aos Açores para enfrentar o Santa Clara. Para além do valor da equipa de Vasco Matos, um relvado que nunca está em boas condições, havia a questão da equipa açoriana ter muitas razões de queixa das arbitragens, particularmente nos jogos frente ao Sporting e haver a tentação de ser o FCP a pagar o pato dos prejuízos do Santa Clara.
Depois do empate do Sporting em Barcelos e a poder aumentar a vantagem para o 2° classificado, Francesco Farioli fez jogar de início Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura, Pablo Rosário, Froholdt e Gabri Veiga, William Gomes, Samu e Pepê e o FCP entrou dominador, na primeira zona de construção, a calma habitual, segurança na troca da bola. Santa Clara defendendo com muitos e bem, procurando sair no contra-ataque. Foi assim que se passaram os primeiros 15 minutos do jogo. Aos 17 William Gomes excelente remate, bola não passou longe da baliza. FCP era superior, tinha as despesas do jogo, açorianos só defendiam. Gabri Veiga de livre obrigou Gabriel Batista a estar atento. Dragões atacavam bem pela direita, mas os cruzamentos de Martim e William eram muito para dentro, facilitavam a vida ao guarda-redes da equipa da Ilha.
Aos 29 minutos saiu Francisco Moura e entrou Alberto Costa.
FCP com muitas dificuldades no último terço, em furar a muralha do Santa Clara.
Era preciso cerrar os dentes, jogar nos limites, igualar o adversário na agressividade. Jogo com muitas faltas, muitas interrupções. Para evitar esse tipo de jogo era preciso circular rápido, encontrar espaços, definir e passar bem e ser eficaz. Foi já nos descontos e numa saída rápida para o ataque que o FCP teve a melhor oportunidade com William isolado a rematar mal e na recarga Gabri Veiga a disparar contra um defesa.
O jogo chegou ao intervalo com um nulo e pode dizer-se que era um resultado justo.
Na 2ª parte Francesco Farioli não mexeu e o FCP entrou na mesma toada e com as mesmas dificuldades da 1ª. Até que do nada Gabriel Batista falhou a reposição e Samu encostou para o golo. Dragões na frente.
Obrigado a arriscar mais o Santa Clara ia subir linhas, era importante aproveitar e tentar aumentar a vantagem. Para isso simplificar e não inventar. Assim foi, FCP recuou, procurou sair no contra-ataque. Pedia-se discernimento e assertividade, mas não estava fácil, havia sempre um toque a mais.
Aos 60 minutos saíram William Gomes e Gabri Veiga, entraram Alan Varela e Borja Sainz.
Aos 66 minutos Samu perto do golo. A organização defensiva portista obrigava os açorianos a jogar para trás, tinham mais bola, mas só chegavam à frente porque alguns jogadores de azul e branco em vez de tocar na profundidade, aproveitar os espaços, saíam em toques inócuos. Era Pepê de um lado, Borja Sainz do outro. Quem entrou na 2ª parte não trouxe nada de novo, pelo contrário. Era um mau período do FCP que raramente fazia bem. Entretanto saiu Pepê e entrou Deniz Gül.
Embora o conjunto de Vasco Matos não criasse grande perigo, num lance fortuito podia acontecer um golo. Dragões não conseguiam sair bem, controlar o jogo, raramente faziam uma jogada em condições.
Quando fizeram, Borja recebeu bem e obrigou o guarda-redes a uma excelente defesa.
O jogo entrou nos descontos era preciso segurar a vantagem mínima. Segurou e jogo terminou com uma vitória muito, muito difícil frente a uma equipa que deu tudo e se tivesse empatado não seria um resultado injusto.
Notas finais:
O importante foi conseguido e o FCP termina a 1ª volta com uma prestação extraordinária e limpa de 16 vitórias e apenas um empate, 7 pontos para o 2° e 10 para o 3°.
Não foi, longe disso, uma exibição bem conseguida. Mas para além do espírito e atitude que a caracteriza, uma equipa que tem uma defesa difícil de ultrapassar, com uma dupla de centrais que parece uma parede, se marcar é quase certo que vai ganhar.
Agora é descansar, aproveitar o estágio para melhorar e voltar em pleno na Taça de Portugal.
F.C.Porto 2 - AFS 0. Vitória natural de um Dragão pouco inspirado e de serviços mínimos
Depois da vitória que não merece discussão em Alverca e do período de Natal que deu direito a três dias de descanso aos profissionais às ordens de Francesco Farioli - longe vão os tempos em que por esta altura o campeonato interrompia por uma, às vezes, mais que uma semana, os jogadores da América do Sul viajavam até aos seus países onde é Verão, o regresso ao trabalho não era fácil...-, o FCP tinha pela frente o AFS, último classificado do campeonato. Apesar de ser um jogo de claro favoritismo azul e branco, o futebol é fértil em surpresas e por isso era fundamental encarar o jogo com toda a seriedade e respeito pelo adversário. Não foi uma boa exibição, mas o objectivo de conquistar os três pontos foi conseguido.
Com Diogo Costa, Martin Fernandes, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura, Pablo Rosário, Froholdt e Rodrigo Mora, William Gomes, Samu e Pepê de início e frente a um AFS muito recuado, o FCP tinha muita bola, mas com dificuldade em furar a muralha adversária. Alguns remates, mas sem grande perigo. O Aves deu um ar da sua graça, os Dragões quando tinham espaço e procuravam sair para o ataque, eram muito lentos na primeira zona de construção ou mais à frente definiam e passavam e cruzavam mal.
Primeira grande oportunidade aos 30 minutos na cabeçada de Froholdt para defesa difícil do guarda-redes Berteli. Nestes jogos amarrados tem de aparecer a criatividade, rapidez de pensamento e execução e ela não surgia. Pepê e William nas alas não desequilibravam, afunilavam, na altura de rematar os remates eram de pólvora seca. Quando se pedia simplicidade, ela raramente existia, havia precipitação e incapacidade de decisão.
Já no tempo de descontos Kiwior podia ter aberto o marcador.
O jogo chegou ao intervalo com o resultado em branco muito por culpa de um FCP que apesar de ter muita posse de bola foi incapaz de desmontar a teia defensiva do AFS, criou muito pouco para tanto domínio.
Frente a blocos tão baixos é preciso ser rápido a circular, pensar, executar e ser contundente na zona onde se decidem os jogos e isso esteve ausente nos 45 minutos da 1ª parte.
Para a 2ª parte o treinador do FCP tirou Diogo Costa lesionado e fez entrar Cláudio Ramos.
Logo ao 3° minuto Samu em lance individual de alto nível abriu o marcador. Estava feito o mais difícil, mas não se podia descansar na diferença de um golo.
O golo voltou a estar perto, Pepê a rasar o poste.
Aos 59 minutos saíram Rodrigo Mora e William, entraram Gabri Veiga e Alarcón.
Logo de seguida lance duvidoso na área dos visitantes. Gabri tocou primeiro na bola, o defesa chutou no seu pé, VAR chamou o árbitro, penálti. Chamado a marcar, Samu não perdoou, fez o seu 2° e aumentou a vantagem.
Portistas mais tranquilos frente a um adversário que apesar de estar a perder por dois golos não parecia muito disposto a desmontar a tática defensiva. Mas convinha não facilitar.
Aos 75 saiu Francisco Moura e entrou Alan Varela e o FCP começou a enrolar, deixar passar o tempo.
Na última substituição saiu Martim Fernandes, entrou Alberto Costa, aos 84 e o jogo arrastou-se até ao fim sem mais nada de relevante a assinalar.
Resumindo, vitória natural de um Dragão de serviços mínimos. Na 1ª parte faltou capacidade e inspiração para desmontar o bloco do AFS. Na 2ª e após o 2° golo, apenas houve vontade de gerir, nunca de forçar e construir um resultado mais volumoso.
O FCP fecha o ano com a 15ª vitória em 16 jogos uma performance de excelência. Mas no início do novo ano tem uma deslocação aos Açores e pela frente um Santa Clara muito complicado. É preciso muito mais Porto do que hoje para sair de São Miguel com os três pontos e começar 2026 com o pé direito.
Um Santo Natal e um próspero Ano Novo...
Com muita saúde e muitos sucessos pessoais e profissionais. Desportivamente que seja um ano onde o azul e branco do FCP consiga atingir todos os seus objectivos.
E como um Dragão está sempre atento e o Editorial do presidente do FCP tem muito sumo...
André Villas Boas na Revista Dragões:
"Há um ponto em que a análise deixa de ser futebol e passa a ser narrativa. Este texto devolve o jogo ao seu lugar: o trabalho diário, a responsabilidade e a coragem de um projeto. E desmonta, sem rodeios, o moralismo seletivo que aparece quando a conversa dá jeito.
Há palavras que atravessam décadas e continuam a explicar o presente com uma clareza desconcertante. A 23 de abril de 1910, na Sorbonne, em Paris, Theodore Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos, proferiu o discurso "Citizenship in a Republic" e deixou-nos a história inesquecível sobre o"Homem na Arena".
A história exalta aqueles que, ao contrário dos críticos, competem na Arena, se expõem, tentam, erram, levantam-se e voltam a tentar.
Vem isto a propósito da crónica "O fim da linha para Farioli", em que a leitura do nosso treinador é conduzida como se o futebol fosse um guião fechado: um passado no Ajax usado como maldição, um presente explicado por fatores externos e um futuro anunciado como um naufrágio inevitável com direito a imagens de cinema para "encaminhar" o leitor antes mesmo de a época pedir respostas.
A aposta em Francesco Farioli não é um capricho nem um gesto para dizer que "fizemos algo diferente". É um projeto de método, exigência e coragem. Coragem para propor uma ideia de jogo e assumi-la; coragem para ajustar sem renegar; coragem para trabalhar no detalhe quando a tentação é simplificar; e coragem para não confundir um episódio com uma biografia inteira. Quem vive o futebol por dentro sabe que nenhuma vantagem é garantia e que nenhum percalço é sentença. O treinador e os jogadores estão na Arena todos os dias e é aí, no risco e na responsabilidade, que se mede o valor de um projeto.
Quando uma análise transforma homens que decidem e arriscam em personagens de uma narrativa pré-escrita, perde-se o essencial: a responsabilidade de quem faz e a humildade de reconhecer que o jogo é caos e não cabe num conjunto de metáforas. Se uma eliminação é sempre "conveniência", se um descanso é sempre "estratégia" e se um bom momento é sempre "mérito alheio", então já não estamos a discutir futebol, estamos a desrespeitar todo o trabalho diário de uma equipa e também a Instituição.
É com forte e confiante convicção que, enquanto Presidente do FC Porto, distingo o trabalho de Francesco Farioli. Um trabalho sério, rigoroso, competente e profundamente comprometido com o Clube.
Estou convicto de que Farioli tem tudo para se afirmar ao mais alto nível e que o futuro confirmará o que já vemos todos os dias no Olival: exigência, coerência e uma ideia clara. Quanto aos que preferem viver do conforto da bancada, Roosevelt deixou uma definição que permanece atual: "almas frias e tímidas que não conhecem nem a vitória nem a derrota".
É por causa do trabalho desta equipa e da exigência do seu treinador que, no plano desportivo, Dezembro tem sido um mês de orgulho e de gratidão. Frente ao Alverca, vencemos por 3-0 e atingimos 43 pontos: 14 vitórias e um empate, 43 pontos em 45 possíveis, o melhor arranque de sempre da história do nosso Clube. Passamos aos quartos de final da Taça de Portugal após uma vitória clara, à Porto.
Agradeço aos Adeptos o apoio incansável, dentro e fora de casa, e o modo como empurram a equipa nos momentos em que os jogos exigem cabeça fria e coração quente. Agradeço também aos jogadores e a toda a equipa técnica pelo trabalho diário, pela seriedade e pelo compromisso com aquilo que significa representar o FC Porto. Cada dia é uma nova Arena e devemos continuar com a mesma ambição e sentido de responsabilidade.
Essa ambição e esse sentido de responsabilidade levaram o FC Porto a concluir a operação que trouxe de volta Thiago Silva. O jogador, cuja história começou aqui, regressa ao nosso Clube 20 anos depois, como lenda em que se tornou. Tocou o topo do futebol mundial como um líder admirado, dentro e fora de campo, e inspirou milhões ao transformar uma adversidade cruel numa história de superação e grandeza. Sê muito bem-vindo, Thiago!
Dentro da equipa temos também as nossas lendas. Aqueles que se têm entregado ao Clube com toda a alma e coração, que transpiram e respiram Porto e projetam os nossos valores e princípios na eternidade tornando-se na referência e no exemplo a seguir para os mais jovens. É uma honra para o FC Porto poder hoje anunciar que a renovação de Diogo Costa é um passo fundamental não só para os títulos que ambicionamos, mas também para o legado futuro que queremos ver projetado por aqueles que melhor nos representam. Bem hajas, Diogo!
Foi com emoção e orgulho que vivemos a Gala dos Dragões de Ouro 2024/25. Dou os parabéns a todos os "Dragonados", em especial aos que mais se distinguiram na época transata. Foi uma noite bonita, emotiva e profundamente Portista, uma celebração do mérito, da memória e do futuro. O Dragão de Honra a Jorge Nuno Pinto da Costa e o Dragão de Ouro Recordação a Jorge Costa lembram-nos que a grandeza do Clube se mede também pela forma como honramos quem o fez maior.
Deixo uma palavra muito especial ao Luís Bacelar, distinguido como Sócio do Ano. Num Clube que se explica pelos seus Sócios, a dedicação de quem está sempre presente - na vitória e na dificuldade - é inegavelmente património imaterial do FC Porto. O Luís Bacelar é um símbolo vivo do Portismo e, pela sua história e longevidade, está cada vez mais perto de ocupar, com toda a justiça, o lugar cimeiro que a família Portista lhe reserva.
Por fim, ontem, o Presidente do Sporting teve mais uma das suas habituais tiradas, plenas de hipocrisia e de memória seletiva sobre a história do futebol português. Assumindo que foi beneficiado nos Açores, por duas vezes, decidiu discretamente ignorar todos os outros episódios em que, por mero infortúnio, o seu clube beneficiou de erros que, na sua opinião, podem acontecer em qualquer campo. Diz ele que no Sporting são diferentes e que, quando beneficiados, saem a terreiro e admitem-no; tudo o resto são casos normais do jogo.
Na época passada, frente ao Estoril, Pepê recebeu a bola nas costas da defesa e tinha caminho livre para marcar, mas viu Pedro Amaral lesionar-se na coxa. Em vez de continuar a jogada, Pepê parou, levantou a bola e chamou a equipa médica, demonstrando preocupação com o adversário. Esse gesto deu a volta ao mundo e foi reconhecido pela Liga e pela FPF como o ato de fair play do ano.
Os 12 minutos de falha do VAR e a decisão incompreensível tomada de seguida deveriam ser suficientes para uma revolução e uma auditoria profunda à tecnologia VAR e aos critérios de decisão arbitral adotados esta época, mas também deveriam ter sido suficientes para fazer refletir o capitão do Sporting e levá-lo a admitir que é feio cair na área e ganhar indevidamente um penálti ao toque de um dedo na cara. Ao fazê-lo seria efetivamente diferente, ao ignorá-lo acabou por ratificar o nível de hipocrisia em que vive o discurso do presidente do seu clube.
É por isso que, no caso do FC Porto, construímos uma dimensão identitária que nos distingue dos demais ao sermos, também nós, durante décadas o "Homem na Arena" do futebol português, o bicampeão europeu e bicampeão mundial que em território nacional enfrenta todos os dias os poderes instalados e a desvalorização permanente dos seus jogadores, dos seus técnicos e dos seus feitos.
Entramos agora no período das festas com uma ideia simples e essencial: o FC Porto é mais forte quando está unido. O sonho do título não é um slogan; é um objetivo que se conquista com trabalho, rigor e coragem.
A todos os Portistas, desejo Boas festas, com saúde e serenidade. Que o novo ano nos encontre juntos, focados e ambiciosos. E que, como sempre, continuemos a fazer do Dragão a nossa "Arena" onde se luta contra tudo e contra todos!"
F.C.Alverca 0 - F.C.Porto 3. Três cálices de um bom Porto para um Feliz Natal azul e branco.
Depois de ter deixado para trás o difícil Famalicão e marcado presença nos quartos-de-final da Taça de Portugal e marcado encontro com o SLB, em jogo a disputar no mês de Janeiro e no Dragão, no regresso ao campeonato o FCP tinha uma viagem até ao Ribatejo para defrontar o FCA. Os ribatejanos estão em 10º lugar, mas tinham de ser encarados com o mesmo espírito com que o FCP tem encarado todos os adversários: respeito.
Em relação ao jogo com o Famalicão saíram Bednarek, Francisco Moura tocado e William Gomes, entraram Alberto Costa para a direita e derivou Martim Fernandes para a esquerda, Alan Varela para o lugar de Pablo que desceu para central e Borja Sainz no de William. O FCP fez alinhar de início Diogo Costa, Alberto Costa, Pablo Rosario, Kiwior e Martim Fernandes, Alan Varela, Rodrigo Mora e Froholdt, Pepê, Samu e Borja Sainz.
Porto entrou forte, ameaçou nos primeiros minutos, mas tendo mais bola não criou muito perigo porque nem sempre fazia as melhores opções. Aos 26 minutos Borja Sainz marcou. Lance foi ao VAR e como sempre, decisão contra o FCP. Embora as imagens deixassem muitas dúvidas e até ao intervalo, linhas nem vê-las. Porquê as imagens não aparecem passados uns minutos? Se estão prontas, servem para invalidar o golo... Voltou a entrar aos 29 e desta vez contou. Marcou o mesmo jogador após excelente jogada de ataque que começou na profundidade para Samu que temporizou, tocou em Mora, cruzamento para a cabeçada vitoriosa de Borja Sainz. Dragões na frente com justiça. Depois do golo, vá lá saber-se porquê, alguns jogadores ligaram o complicador, começarem a inventar, o autor do golo com várias linhas de passe quis fazer umas coxinhas, perdeu a bola, valeram duas grandes defesas de Diogo Costa para evitar o empate. E a partir daí entrou-se num período em que o Alverca estava melhor e o FCP adormeceu, não conseguia sair, não construía nada.
O jogo chegou ao intervalo com portistas na frente pela diferença mínima. Mas se o empate fosse o resultado no final dos 45 minutos iniciais, não espantaria e seria muito por culpa da displicência portista que resolveu desligar após o golo.
Para a etapa complementar Farioli tirou Alberto Costa e entrou Francisco Moura. Mas para além disso a expectativa era que tenha dado nas orelhas de alguns jogadores.
O jogo recomeçou com a mesma toada, Porto instalado no meio-campo adversário, mas com dificuldades no último terço. Mas de repente, uma bola jogada de ataque, Alan Varela na recarga marcou. O VAR viu, desta vez não anulou.
Farioli que não devia estar muito contente, apesar do 2° golo mexeu. Tirou Pepê e Mora muito encolhido, meteu William Gomes e Gabri Veiga.
Com dois golos de vantagem não convinha relaxar, o Alverca reagia e era preciso estar muito atento.
Aos 66 William perto do 3°. A bola bateu na barra e desceu, mas não entrou. Entrou logo a seguir num golo extraordinário de Borja Sainz.
O Alverca apesar de estar a perder por três não baixou os braços e procurou sempre atacar e marcar. Valeu uma excelente intervenção de Diogo Costa a negar o golo.
Aos 74 entrou Eustaquio saiu Alan Varela e aos 80 Deniz Gül substituiu o homem do jogo, Borja Sainz.
O os ribatejanos à procura do golo de honra e o FCP a gerir, o jogo caminhou para o fim.
A partida terminou com uma vitória cristalina, sem contestação da equipa de Francesco Farioli, frente a um adversário que dignificou a vitória dos Dragões e num relvado muito difícil.
Foram três cálices de um bom Porto para um Feliz o Natal azul e branco.
Uma nota final para elogiar a enorme falange de apoio que o FCP teve em Alverca.
Como já postei no facebbok, resolvi acrescentar à crónica do jogo.
Nota:
Coloquei a foto do lance entre António Silva e Deniz Gül, no último FCP - SLB, para dizer que se os lances dos nossos rivais são penálti, esse agarrão ao avançado do FCP não é um penálti descarado, são três.
E porque vem a talhe de foice, vejam estes lances e comparem as decisões...
https://www.facebook.com/reel/863454839606576
Se a pouca vergonha tivesse limites, o FCP, líder imaculado - leia-se sem qualquer tipo de ajuda -, já tinha 10 de avanço sobre os dois rivais da capital do império. E estou a ser comedido... Curiosamente, aquelas classificações reais e virtuais, sobre a verdade desportiva, desapareceram. Sou claramente contra esse tipo de análises sem sentido - por exemplo: uma equipa pode ganhar um jogo por 1-0 com um golo irregular marcado ainda na 1ª parte. É sério dizer que essa equipa devia ter menos dois pontos? Não. Uma equipa pode estar a ganhar e controlar, não forçar o 2º golo. E se estivesse empatada não podia agir de maneira diferente e marcar mais tarde? -, mas é apenas uma constatação e não tenhamos dúvidas, tem tudo a ver com o FCP beneficiado ou prejudicado no confronto com SCP e SLB.
O mesmo direi da forma como as poucas vergonhas são tratadas na Comunicação Social. Se o que se tem passado esta época, fosse ao contrário, já teríamos luto de um lado da Segunda Circular, do outro lado um comunicado com queixas à FPF, APAF, Liga Portugal, Governo, Presidente da República, NATO, ONU, UEFA, FIFA, apelo aos adeptos que boicotassem os jogos fora, ameaça de não participar na Taça da Liga, ou proibição de jogos da selecção no estádio da Luz.
E alguns analistas e comentadores de arbitragem, só apareceriam na rua com a cara destapada, porque não têm vergonha e quem não vergonha todo o mundo é seu
F.C.Porto 4 - F.C.Famalicão 1. Dragões nos quartos-de-final às costas do melhor jogador dinamarquês do ano
Depois de na 14ª jornada do campeonato ter defrontado e derrotado o Estrela da Amadora - 3-1 - e antes de defrontar o Alverca para a 15ª da mesma prova na próxima segunda-feira, o FCP tinha pela frente um obstáculo chamado FCF em jogo a contar para os oitavos-de-final da Taça de Portugal. Num era um jogo contra um adversário qualquer, era um jogo com uma equipa com bons jogadores e boa colectivamente e para seguir na prova, o FCP não podia facilitar, cometer os mesmos erros que cometeu em alguns jogos - Vitória, Malmö e Estrela só para referir os três últimos em casa. Tinha de estar concentrado, atento, sem bola trabalhar bem a pressão e recuperação rápida, como fez no no passada segunda-feira, com bola simplificar em vez de complicar, passar bem, encontrar as melhores opções e definições, ser objectivo e eficaz na hora de finalizar
Com três jogos no espaço de uma semana, Francesco Farioli estava obrigado a gerir, mas sem fazer uma revolução como aconteceu no jogo da Taça da Liga contra o VSC. Assim, apesar de em relação ao jogo anterior estarem seis alterações no onze inicial, os que entraram podiam perfeitamente cumprir sem que a equipa ficasse descaracterizada, ao contrário do que aconteceu na Taça da Liga. De início com Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Prpić e Francisco Moura, Pablo Rosario, Froholdt e Gabri Veiga, William, Deniz Gül e Pepê, o FCP entrou ao ataque, William ameaçou à primeira, à segunda colocou o os Dragões na frente. O golo pareceu fazer mal à equipa de Francesco Farioli que começou a facilitar, passou por um mau período, o Famalicão reagiu, empatou num canto com a defesa portista mal na foto. Mas se o golo marcado adormeceu os portistas, o sofrido parece que os acordou. Com mais critério, melhores opções e definições, contundência na hora de finalizar, o FCP podia ter marcado mais um golo. Pepê foi derrubado na área, o árbitro achou que foi fora, o VAR não disse nada, da falta nada resultou. FCP mais um vez prejudicado. Mas mesmo quando as coisas não estão muito bem, o melhor jogador dinamarquês não brinca, aparece e marcou, voltou a adiantar os portistas.
Sem se exibirem a alto nível, jogo chegou ao intervalo com os Dragões na frente. Resultado justo e se o penálti fosse assinalado...
Para a 2ª parte o FCP veio com o mesmo onze, o jogo recomeçou com Pepê a estragar uma boa saída para o ataque. Aliás, há jogadores que continuam a ter algumas desconcentrações inaceitáveis.
Aos 58 minutos saíram Gabri Veiga e Deniz Gül e entraram Rodrigo Mora e Samu.
No minuto seguinte Bednarek nem queria acreditar no que desperdiçou.
Estava melhor o FCP, mais assertivo nas saídas, circulando melhor e explorando melhor os espaços. Mas de repente, aquilo que era fácil complica-se, começam os passes errados, as piores opções, só Froholdt continua sempre igual a si próprio.
Aos 71 minutos entraram Alberto Costa e Borja Sainz, saíram Francisco Moura e William Gomes. Martim Fernandes passou para a esquerda
Excelente passe de Rodrigo Mora para Borja Sainz, faltou mais espontaneidade ao espanhol na hora de rematar.
Alberto Costa esqueceu-se da bola e ia criando um problema complicado.
Com o Famalicão a arriscar, era necessário sair bem, aproveitar e aumentar a contagem. O que aconteceu. Canto de Mora, desvio, Samu ao segundo poste, fez o 3° golo.
Não estava ganho, era preciso manter a concentração, defender bem, procurar dilatar a vantagem. Mas pedir concentração a alguns jogadores portistas não é fácil e mais um lance que podia ter corrido mal junto à baliza de Diogo Costa. Pablo Rosario parece que não aprendeu com o erro frente ao Vitória.
Saiu Martim Fernandes, entrou Kiwior, iam decorridos 82 minutos.
Numa jogada bem construída, bola entrou em Mora, este contemporizou, cruzou, Samu cabeceou, Zlobin defendeu, Pepê na recarga e de cabeça, fez o 4°.
O jogo chegou ao fim com a vitória clara e sem discussão do FCP frente a um Famalicão bem na 1° parte, só assustou e pouco na 2ª por culpa de algum facilitismo de alguns jogadores que equiparam de azul e branco.
Objectivo cumprido.
Agora apetece-me dizer isto: FCP nos quartos-de-final às costas do melhor jogador dinamarquês do ano. Impressionante a exibição do jovem médio dos Dragões. Marcou, pressionou, recuperou, jogou sempre em alta rotação, mas sem inventar, com a simplicidade dos craques. Sim, porque o futebol é coisa simples. Que alguns dos seus colegas vejam os vídeos e sigam o seu exemplo.
Nos quartos o adversário é o Benfica. Voltaremos a ter no Estádio do Dragão, Mourinho e o seu autocarro.
Nota Final:
O Sporting tanto pressionou, condicionou e atacou João Pinheiro que hoje pode agradecer ao Mostovoi de Viatodos e ao VAR ainda continuar na Taça de Portugal. 12 minutos para decidir um lance e decidir mal, é um escândalo. Se aquele que é o melhor árbitro português se deixa condicionar...
O que se passou hoje nos Açores, é uma pouca vergonha, foi levar o Sporting ao colo para a próxima eliminatória. Como o que tinha acontecido para o campeonato foi pouco, hoje ainda capricharam.
F.C.Porto 3 - Estrela 1. A vitória justa de um Porto bem na pressão e na recuperação da bola, mal depois...
Após a vitória, escassa - 2-1 -, por culpa de um Dragão desconcentrado e perdulário, frente aos suecos do Malmö, o conjunto de Francesco Farioli no regresso ao campeonato tinha pela frente o Estrela da Amadora e era importante continuar na senda do êxito.
O treinador do FCP não fez muitas alterações, apenas substituiu Martim Fernandes por Alberto Costa e Pablo Rosario por Alan Varela, em relação ao jogo frente aos suecos do Malmö e escalou a seguinte equipa para iniciar o jogo: Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Francisco Moura, Alan Varela, Froholdt e Rodrigo Mora, Pepê, Samu e Borja Sainz e o FCP entrou forte, dominador, pressão alta, Estrela de tracção à rectaguarda. Como corolário desse domínio aos 7 minutos golo de Samu bem invalidado, Pepê estava adiantado no início da jogada.
Azuis e brancos não esmoreceram, aos 15 Alberto Costa foi derrubado na área, penálti. Chamado a marcar o internacional espanhol não falhou, Dragões na frente aos 16 minutos.
Em vantagem era preciso circular bem, definir com critério, não querer fazer tudo rapidamente. Havia demasiado frenesim no conjunto de Francesco Farioli. A pressão funcionava, mas depois era importante acalmar, escolher as opções correctas e passar bem.
O FCP só voltou verdadeiramente a ameaçar aos 38 minutos, Samu bem posicionado na área atirou contra o defesa. Em posse era preciso melhorar a qualidade de jogo. Já foi no tempo de desconto que o FCP por Borja Sainz teve meia oportunidade.
O jogo chegou ao intervalo com Dragões na frente, mas por apenas um golo apesar de terem dominado e tido quase sempre a bola. A explicação é simples: na reacção à perda e na capacidade de a recuperar rapidamente, FCP muito bem. Depois com bola, futebol pouco esclarecido, pouco fluído, com a equipa no seu todo, mais como é óbvio, laterais, meio-campo e ataque, com muitas dificuldades em encontrar os melhores caminhos para chegar à área do Estrela com perigo e possibilidades para finalizar.
Para a 2ª parte FCP com o mesmo onze e a reiniciar o jogo na mesma toada. Pouca clarividência, incapacidade em ligar as jogadas depois da bola sair dos pés dos centrais, pouca acutilância no último terço, quase sempre mal nas opções. Era um passe errado, era mais um toque, era tudo muito atabalhoado. E como se fosse pouco, há as paragens cerebrais de Alan Varela. Foi de um erro dele que o Estrela iniciou a jogada, foi na frente dele, saltando com ele que o avançado dos lisboetas empatou.
Reagiu o FCP, Samu podia ter desempatado. Não entrou ali, entrou logo de seguida por Francisco Moura, mas estava difícil, foi depois de muitas tentativas e de um penálti que tenho dúvidas fosse assinalado sobre Froholdt.
Após o golo saíram Alan Varela e Pepê,
entraram Pablo Rosario e William Gomes.
Este esteve muito perto de aumentar a vantagem.
Era preciso não inventar, jogar simples, aproveitar os espaços, marcar o 3°.
Rodrigo Mora podia ter aproveitado, mas perdeu-se em toques inócuos. Mas o 3° não demorou e foi um golo esquisito, não sei quem marcou.
Após o golo Francesco Farioli tirou Alberto Costa e Rodrigo Mora, fez entrar Martim Fernandes e Gabri Veiga.
Com a equipa já a procurar controlar e não forçar, aos 81 saiu Samu e entrou Deniz Gül.
Mas continuava a faltar contundência no ataque, rematar em vez de enfeitar.
De livre directo Gabri Veiga esteve pertíssimo do 4°. Mas a tendência para complicar não desapareceu. Parece que têm de fazer sempre o mais difícil, quando a jogada só pede jogar fácil.
Já no tempo de desconto, mais um excelente exemplo. William com dois colegas bem posicionados para marcar, foi individualista, perdeu-se uma boa oportunidade.
Com Froholdt a correr como se o jogo estivesse no início, esgotaram-se os 90 minutos.
A vitória não merece discussão, mas se o FCP fez bem na pressão e rápida recuperação da bola, com bola raramente fez o que era devido. Tudo muito precipitado, tendência a complicar, más definições, más opções, pouca contundência na zona onde se decidem os jogos. Seja como for, o objectivo foi conseguido, a vantagem para os perseguidores mantém-se.
Agora é preciso recuperar bem para quinta-feira no jogo para a Taça de Portugal com o Famalicão bem mais equipa que este Estrela e por isso um desafio mais exigente.
F.C.Porto 2 - Malmö FF 1. Mais um passo importante no caminho para os oitavos, mas chega de brindes
Depois de ter feito o que era preciso em Tondela, o FCP precisava fazer o mesmo frente ao Malmö FF para dar um grande passo em frente no objectivo de conseguir o apuramento directo para os oitavos-de-final da Liga Europa.
Com quatro dias entre os dois jogos, um luxo nos tempos que correm, mas tendo jogo frente ao Estrela da Amadora já na próxima segunda-feira, era necessário gerir, mas de maneira que luta pela vitória no jogo de hoje com os suecos fosse possível, mas de forma que no jogo com os lisboetas esteja um Dragão em boas condições físicas e não uma equipa desgastada. Pesando esses factores Francesco Farioli fez entrar Diogo Costa, Martim Fernandes, Bednarek, Kiwior e Moura, Froholdt, Pablo Rosario e Rodrigo Mora, Pepê, Samu e Borja Sainz - três alterações em relação à equipa que iniciou o jogo do último domingo: Martim, Pablo e Borja - e o FCP entrou como sempre, trocando a bola à espera de encontrar o espaço para ferir o adversário. Mas o primeiro remate com algum perigo foi dos suecos. Que logo de seguida podiam ter marcado em mais uma saída de trás desastrada por parte da defesa do FCP - Diogo Costa e Kiwior. Responderam os azuis e brancos com Froholdt de cabeça a ameaçar.
O problema dos Dragões continua a ser a incapacidade do seu meio-campo em pensar, executar e passar bem. Quando Rodrigo Mora conseguiu fazer o que era preciso, colocou em Borja que sozinho não fez golo. Um grande passe de Pepê que deixou Samu na cara do guarda-redes, tentou o chapéu, mas saiu de aba curta. Estava melhor o FCP, dominava, mas na frente faltava qualquer coisa na hora de finalizar. Uma boa jogada de ataque, Pablo Rosario fez um passe de roptura para Mora que cruzou para Samu abrir o marcador. Novamente um erro grosseiro defensivo de Pablo Rosario a meias com Diogo Costa, ia custado caro - isto tem definitivamente de acabar. Na resposta, golo do FCP. Bisou Samu a passe de Borja Sainz de cabeça. Ficava a sensação que se os portistas circulassem bem e rápido, podiam marcar mais. Mas para isso é necessário estar sempre ligado, concentrado era preciso não inventar e há jogadores que parecem apostados em complicar, tornar o fácil em difícil - Pepê, Martim, Borja, Pablo.
Quando se executa fácil, cheira o golo e foi assim que Mora a cruzar e Froholdt a cabecear estiveram perto do 3° golo.
O jogo chegou ao intervalo com o FCP na frente por dois golos de diferença, uma vantagem justa frente ao Malmö que quase se limitou a aproveitar os erros da equipa de Francesco Farioli para criar perigo.
Para a 2ª parte era preciso manter a concentração, não facilitar, adormecer à sombra da vantagem, procurar marcar mais golos, não deixar o adversário entrar no jogo.
Sem alterações a equipa do FCP entrou a conquistar um canto, sinal que ia à procura de marcar. Portistas pressionavam bem, ganhavam a bola no último terço, mas não eram clarividentes a definir.
Aos 57 minutos saíram Rodrigo Mora e Samu, entraram Eustaquio e Deniz Gül.
Era preciso jogar simples, circular, evitar correr riscos desnecessários, até porque os suecos não ameaçavam. Porquê meter na profundidade em vez de trocar a bola, procurar os espaços, finalizar?
Aos 70 minutos saíram Martim Fernandes e Pepê, entraram Alberto Costa e William Gomes.
Era um período em que sem bola a equipa de Farioli fazia bem a pressão, com bola raramente acertava, porque fazia opções erradas.
William fez bem a diagonal, mas falhou no remate.
Aos 81 saiu Borja Sainz e entrou Alarcón.
Num espaço de um minuto o guarda-redes dos suecos salvou dois possíveis golos - Froholdt merecia o golo e Deniz Gül também podia ter marcado.
Com alguns jogadores completamente desligados, William era um bom exemplo, Alarcón teve uma excelente jogada para mais uma boa defesa de Olson. E a falta de concentração, o desligar do jogo, a forma displicente como alguns jogadores do FCP abordam os lances, custou um golo sofrido, auto-golo de Francisco Moura, em cima do final do jogo, mas em que Alberto Costa também tem grandes responsabilidades. Enfim, mais um brinde que não se pode aceitar. O comprometimento, a concentração, não é negociável, tem de ser do primeiro ao último minuto.
O jogo chegou ao fim com ao fim com a vitória que não se discute do FCP, mas com outra abordagem e outra atitude podia ter sido bem mais robusta e sem sofrer o golo.
Hoje, tal como com o Vitória, nesse jogo com as consequências conhecidas, com o Nice e com o Estoril, felizmente sem consequências, foram dadas demasiadas facilidades aos adversários. Muito por culpa de abordagens aos lances inadmissíveis em alta competição. De qualquer maneira, foi dado mais um passo em frente na concretização do objectivo pretendido, colocar o FCP nos oitavos-de-final sem ter de jogar os play-offs.


















