F.C.Porto 2 - VfB Estugarda 0. Quem roda tanto e elimina um adversário desta qualidade pode sonhar com tudo
quinta-feira, 19 de março de 2026
Com uma vantagem mínima conquistada na Alemanha e antes de um importantíssimo jogo para o campeonato, repita-se, o principal objectivo da época, na "Pedreira" frente a um Braga com mais um dia de descanso, o FCP ia tentar juntar o útil ao agradável, rodar e conseguir no Dragão um resultado, nem precisava de ser uma vitória como a que conseguiu no MHP Arena, para seguir para os quartos-de-final da Liga Europa.
Francesco Farioli manteve a mesma equipa que iniciou o jogo em Estugarda, Diogo Costa, Alberto Costa, Thiago Silva, Bednarek e Zaidu, Pablo Rosario, Fofana e Rodrigo Mora, William Gomes, Terem Moffi e Borja Sainz. No início o Estugarda entrou forte, pressionante e a criar perigo. FCP com muitas dificuldades. Perda de bola de Pablo Rosario, livre perigoso, grande defesa de Diogo Costa. A segunda em 10 minutos. Mas numa má reposição do capitão portista, alemães muito perto do golo. Dragões baixaram o bloco e com isso ganharam espaço nas costas do Estugarda, Borja no ressalto tocou para William abrir o marcador contra a corrente do jogo.
Entretanto, em cerca de 25 minutos três amarelos para os azuis e brancos Pablo, Zaidu e Mora. Fofana quis inventar, perdeu a bola, mais um lance de ataque com algum perigo. Meio-campo portista complicava, não ocupava bem os espaços, não soltava no tempo correcto, os alemães aproveitavam e não fosse um grande Diogo Costa o FCP já tinha sofrido golos. Oportunidades não faltaram. Era preciso alterar a forma como o meio-campo funcionava, não havia um único a jogar bem. Também era importante aproveitar os riscos que o Estugarda corria, sair bem para o contra-ataque. Quando fez podia ter feito melhor. Fofana quis rematar, podia ter contemporizado, esperar a entrada de um colega. O árbitro com critério desigual. Devia ter mostrado mais cartões à equipa visitante. Zaidu fez um grande esforço, apareceu na cara de Nubel, mas rematou à figura. Depois Mora fez tudo bem, mas o remate saiu perto do poste. Alemães já não estavam tão assertivos, FCP mais à vontade, mas Fofana parecia apostado em fazer asneiras na saída da bola no último terço defensivo, prejudicava a equipa.
O jogo chegou ao intervalo com FCP na frente, resultado penalizador para o Estugarda que jogou melhor, como lhe competia, teve mais iniciativa, criou vários lances para golo. Valeu a defesa sempre bem e um Diogo Costa de alto nível. O grande problema do FCP estava claramente no meio-campo, por culpas próprias dos médios, porque os alemães tinham mais gente por ali e uma excelente dinâmica. Jogo muito intenso, muito disputado, uma equipa alemã de qualidade.
Para a 2ª parte era fundamental alterar, corrigir posições no sector intermédio, não inventar nem complicar, sair e contra-atacar com critério, definir bem no último terço, tentar marcar. Saiu Mora, entrou Froholdt.
Dragões pareciam mais organizados e equilibrados, defendiam num bloco mais baixo, procuravam sair bem para o ataque. Mas foi sol de pouca dura, os alemães tomaram conta do jogo, não pediam licença para rematar. E valeu uma extraordinária defesa de Diogo Costa para os Dragões continuarem em vantagem. Na resposta Moffi com um colega completamente sozinho no lado contrário, enrolou, perdeu-se uma jogada que podia dar contra-ataque perigoso.
Aos 57 minutos saíram Zaidu e William Gomes, entraram Kiwior e Pepê. Era um período de domínio total do Estugarda, FCP praticamente só defendia. Aos 65 minutos saiu Borja Sainz e entrou Martim Fernandes.
E continuavam as invenções, andava-se demais com a bola, era até a perder e assim ficava difícil sair, o que beneficiava os alemães. Mas um miúdo dinamarquês, um cracão, recuperou duas vezes a bola, encheu o pé, rematou e marcou um golo do outro mundo, aumentou a vantagem do FCP. De seguida saiu um exausto Fofana, entrou Alan Varela.
Dragões mais tranquilos, conseguiam ter bola, numa dessas trocas, falta de Nartey, segundo amarelo, Estugarda com menos um. Azuis e brancos agora tranquilos, iam fazendo passar o tempo. Mas fundamental manter a concentração, não facilitar. Porquê tentar passar por vários jogadores, em vez de soltar a bola? Portistas não tinham a iniciativa, continuavam a defender bem, mantinham a baliza inviolável.
O jogo caminhava para o fim, Dragões mantinham a vantagem de dois golos, caminhavam para mais uma vitória num período de jogos muito exigentes. Martim Fernandes falhou o 3° por muito pouco.
O jogo terminou com a vitória por 2-0, num jogo muito difícil frente a uma grande equipa.
FCP conseguiu chegar aos quartos-de-final e agora vai defrontar o Nottingham Forest. Foi uma vitória muito complicada, mas que foi alicerçada num grande guarda-redes, numa excelente defesa, com dois centrais de alto nível e um Alberto Costa a fazer uma enorme exibição, num grande espírito e solidariedade e depois um Froholdt extraordinário, sem esquecer Pablo Rosario que está em todo o lado.
Agora é preciso recuperar bem deste jogo jogado a alto ritmo e uma intensidade que não é não é habitual nas provas caseiras e preparar o último jogo de uma série de jogos de grande exigência e também frente a uma grande equipa como é um Braga que teve mais um dia de descanso.
Mais uma vez Francesco Farioli conseguiu um duplo sucesso. Rodou, ganhou, está na próxima eliminatória. E quem elimina um adversário desta qualidade pode sonhar com tudo. Rodar nos dois jogos da eliminatória, fazer oito alterações e ganhar os dois jogos, eliminar uma equipa deste gabarito, é obra. Comentar o jogo sem referir o facto do FCP ter rodado oito jogadores, é não ter noção. Será que esperavam que o FCP com tantas alterações amassasse o Estugarda?



