Viktoria Plzen 1 - F.C.Porto 1. Desperdiçar por culpa própria a oportunidade de colocar um pé nos oitavos-de-final
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Depois de um jogo muito difícil frente ao Vitória SC, em Guimarães, mas que terminou com objectivo da conquista dos 3 pontos, conseguido, os Dragões tinham pela frente outro Viktoria, desta vez em Plzen, na Chéquia, jogo a contar para a penúltima jornada da fase de grupos da Liga Europa. Dependendo exclusivamente de si, o FCP podia, com uma vitória, dar um passo que quase lhe garantia o apuramento directo para os oitavos-de-final da 2ª prova da UEFA, sem passar pelo play-off.
Ciente das responsabilidades e da importância do jogo e debaixo de condições atmosféricas adversas, muito frio, Francesco fez alinhar de início Diogo Costa, Alberto Costa, Bednarek, Kiwior e Martim Fernandes, Pablo Rosario, Froholdt e Rodrigo Mora, William Gomes, Samu e Borja Sainz e o FCP entrou bem, rapidamente ganhou dois cantos, mas sem consequências. De um erro de Kiwior, mau atraso para Diogo Costa, resultou em golo do Plzen e sem que tivessem feito alguma coisa para o conseguir. Os chéquios animaram, pressionaram, o FCP sentiu o golo, tremeu, esteve em risco de sofrer o segundo. Com os portistas a demorarem a assentar e ligar o jogo, encontrar boas opções, aos 18 minutos Borja Sainz completamente sozinho e já dentro da área, passou a bola ao guarda-redes. Incrível o falhanço do espanhol.
Os Dragões procuravam reagir, mas de uma forma trapalhona, com decisões erradas, perdiam a bola facilmente, permitiam contra-ataques perigosos. Culpa de um meio-campo que não pegava no jogo, soltava nas melhores condições na frente, não subia no apoio a Samu. Quando chegava, o critério a definir raramente era bem executado. Numa excelente subida de Kiwior pela esquerda, cruzamento para trás, Mora não só não finalizou como impediu que a bola chegasse a uma zona onde poderia aparecer alguém para finalizar. Já merecia um golo o conjunto português, mas faltava contundência e assertividade na hora de rematar à baliza. Já o Plzen não perdia tempo a enfeitar, mal tinham oportunidade rematavam. No ataque do FCP William não fazia nada, era um a menos. Samu era travado de qualquer maneira, amarelo nem vê-lo.
Aos 45 minutos penálti claro contra o Plzen, corte com o braço evitando o golo, VAR analisou, chamou o árbitro, este foi ver e assinalou penálti e expulsão.
Chamado a marcar Samu falhou clamorosamente, atirou ao lado, desperdiçando uma grande oportunidade do FCP ir para o intervalo empatado, com tudo que isso significava na moral portista para a 2ª parte e abalo na confiança do adversário.
E assim as equipas recolheram às cabines com os chéquios na frente, culpa exclusiva da incapacidade do FCP em marcar golos, mesmo de penálti. Assim fica difícil.
Com mais um jogador em campo, esperava-se que a equipa de Farioli viesse com tudo para virar o resultado. O técnico do FCP fez uma alteração, meteu Pepê, tirou Borja Sainz.
O jogo recomeçou com os Dragões instalados no ataque, o Plzen todo atrás. Mas era preciso fazer bem, mas havia quem persistisse em fazer mal. Muita bola, muitos toques, mas poucas decisões correctas. Mora e William eram zero, continuavam desaparecidos, não faziam nada de jeito. O treinador viu, manteve William, mas tirou Alberto Costa e Rodrigo Mora, meteu Francisco Moura e Gabri Veiga. Faltava claramente ataque ao FCP. E William continuava a fazer asneiras. Sem que se notassem melhorias com as substituições, as interrupções eram constantes, só jogadores do Plzen no chão.
Deniz Gül e Alan Varela nos lugares de um péssimo William e de Martim Fernandes.
Aos 73 minutos Francisco Moura com tudo para assistir bem e com vários colegas bem posicionados, em vez de tocar atrasado colocou na zona do guarda-redes e perdeu-se uma boa chance. Apesar de ter muita posse, era um FCP que parecia incapaz de mudar o rumo dos acontecimentos. Em vez de alargar pelas laterais, afunilava, só jogava pelo meio, pela zona mais congestionada. Mesmo contra dez não conseguia uma jogada em condições, raramente criava uma oportunidade de golo.
Deniz Gül, o único que entrou bem, muito perto do golo. Até esse momento foi o único lance de perigo na 2ª parte. No FCP havia uma espécie de competição para ver quem fazia pior, ninguém emergia, desequilibrava, encontrava espaços para assistir ou finalizar.
Aos 85 Moura marcou, mas a bola antes bateu no braço de Samu.
Finalmente, em cima dos 90, Deniz Gül fuzilou e empatou o jogo. De seguida Samu podia ter marcado, mas foi com o pé contrário.
O FCP tentava tudo, mais com o coração que com a cabeça, mas só deu para empatar. Do mal o menos.
Incrível como o árbitro só deu cinco minutos depois de durante toda a etapa complementar haver várias paragens para assistir os jogadores chéquios.
O FCP perdeu uma grande oportunidade de ficar muito próximo de garantir o apuramento directo para os oitavos-de-final. Culpa exclusivamente sua. Culpa de um ataque que até à entrada de Deniz Gül foi de pólvora seca, incapaz de marcar um golo, mesmo de penálti. Culpa de uma equipa incapaz de encontrar as melhores soluções para abrir espaços, encontrar o caminho do golo, mesmo com mais um durante toda a 2ª parte.
O FCP precisa de mais inspiração, não pode ser só coração.
Nunca tive dúvidas, mas se tivesse elas hoje ficaram desfeitas: o FCP precisa de reforçar o ataque.

