sexta-feira, 23 de janeiro de 2026
Hoje mais a frio, atenuada a irritação e desilusão de uma má exibição e um mau resultado, importa dizer o seguinte:
1 - O FCP já conseguiu os serviços mínimos, está apurado para o play-off. E se cumprir a sua obrigação, vencer o Rangers e de preferência por um resultado que não seja apenas a diferença mínima; a lógica não for uma batata, por exemplo, o Ferencvaros ir vencer o Nottingham; ainda se pode apurar directamente para os oitavos-de-final. No jogo com o Rangers não pode ser apenas um FCP físico, muito coração, futebol directo, pelo ar. Nessa matéria os escoceses não são inferiores a ninguém. Tem de ser um Porto com bolinha no chão, largura, tocar e circular bem, obrigar o adversário a correr atrás da bola, desgastar-se, boas opções e definições no último terço, passar e executar bem, finalizar com eficácia.
2 - Sem ter nas laterais o nível que tem no centro da defesa, o sector recuado do FCP é excelente, uma garantia que a equipa sofre poucos golos e se marcar, ganha ou empata, muito dificilmente perde.
3 - Já o meio-campo e o ataque, o nível está aquém da prestação exigida e longe da prestação da defesa, guarda-redes incluído.
No sector intermédio, onde se costuma dizer, se ganham os jogos, Froholdt é um box to box, um todo terreno, ataca, defende, pressiona, dura os noventa minutos, mas não é um organizador de jogo, um patrão, o que marca os ritmos, encontra os espaços, tira coelhos da cartola. Idem para Pablo Rosario, Alan Varela ou Eustaquio. Esse jogador devia ser Rodrigo Mora ou Gabri Veiga e quer um quer outro até ao momento nunca foram aquilo que a equipa precisa.
No centro do ataque, sem Luuk de Jong, o FCP tem dois jovens com potencial, mas que ainda precisam de crescer, evoluir em vários itens, não são ainda - espero que possam vir a ser -, os goleadores que a equipa necessita.
Nas alas e sem tempo para analisar o valor e características do polaco Oskar Pietruzesvky, apesar da estreia prometer muito - convém lembrar que só tem 17 anos, precisa de crescer naturalmente, sem pressões e exigências que só podem atrapalhar. Veja-se o caso de Rodrigo Mora -, o FCP tem três alas de características semelhantes. Todos interiorizam, vão sempre para dentro, jogam pouco ou nada com o lateral que entra nas costas. Assim o jogo tende a afunilar, ir para espaços congestionados, frente a equipas de tracção à rectaguarda, que defendem com muitos e colocam muita gente no centro da defesa, fica difícil encontrar o caminho do golo. É preciso dar largura, ir à linha, fazer passes para trás ou cruzamentos bem executados.
4 - Alguém diga a William Gomes que anda desaparecido em combate desde Setembro em que marcou um grande golo na Áustria frente ao Salzburg depois de ter feito outro igual em Alvalade. Marcar golos bonitos, OK, mas forçar, abusar da mesma jogada constantemente, mesmo quando a jogada pedia outra opção, um passe ou cruzamento, é burrice e tem de acabar. Os golos bonitos são tão importantes para a equipa como os golos marcados com as costas.
Acorda, rapaz!
Já Borja Sainz não pode fazer o mais difícil, controlar bem a bola, ficar isolado na cara do guarda-redes e depois passar-lhe a bola. Nestes jogos falhar golos cantados pode fazer toda a diferença.
5 - Em jogos amarrados, difíceis, onde os espaços no último terço são caríssimos, falta ao FCP um desequilibrador, um jogador diferenciado, capaz de encontrar o caminho para o golo numa zona congestionada, num lance de génio com uma assistência primorosa ou um golo.
Nota final:
É preciso não esquecer o ponto de partida e até ao momento, o FCP tem feito uma época excelente. Lidera o campeonato com dezassete vitórias e um empate, em dezoito jogos, sete pontos para o 2° e dez para o 3°.
Está nas meias-finais da Taça de Portugal onde vai defrontar o Sporting numa eliminatória difícil, que se prevê equilibrada, sem favorito, quando devia defrontar o Santa Clara onde aí já seria o favorito.
Continua na Liga Europa - como referi falta saber se com ou sem play-off -, mesmo não tendo tido na 2ª prova mais importante da UEFA uma prestação de grande qualidade. Mas isto ainda não terminou...
Perdeu a possibilidade de conquistar a Taça da Liga, mas para mim é o lado que durmo melhor.
Para além disso, esta equipa tem atitude, determinação, alma, crença, espírito de solidariedade e de grupo, tem honrado o manto sagrado, levado a que o portismo volte a acreditar no sucesso. Ontem correu mal, mas não podemos achar que vai ser sempre assim. É preciso que este resultado e esta exibição faça tocar as campainhas, sirva de alerta, mostre que é preciso voltar à terra, um bom FCP apareça já na próxima 2ª feira frente a um Gil Vicente que está a fazer uma grande campeonato.
Somos uma equipa com muita juventude e esse factor pesa e tem de ser ponderado, compreendido. Mas o factor juventude não pode ser motivo para que, no momento certo e este é o momento, essa juventude não seja alertada, corrigida. É preciso evitar deslumbramentos. O eu nunca pode estar acima do nós. Foi com humildade, um perfil discreto que chegamos até aqui, tem de ser com esse espírito que devemos encarar a 2ª parte da temporada.
Assim e para concluir, apesar da excelente época, há coisas que podem e devem melhorar. Foram apontadas algumas, apenas com o objectivo construtivo e sobre aquilo que na opinião deste bitaiteiro que não passou a desconfiar, muito menos já não acredita, sobre o que FCP precisa de fazer melhor.


