quarta-feira, 25 de março de 2026
Já tinha abordado num dos textos anteriores a forma como o capitão do FCP estava a ser tratado. Depois de o assunto ter voltado a ser tema de conversa derivado do facto de Diogo Costa ter sido obrigado a apresentar-se em Lisboa e fazer exames médicos para provar que está mesmo lesionado, ao contrário de outros jogadores que não se apresentaram e a FPF acreditar, sem fazer qualquer exigência, que estavam mesmo sem condições de servir a selecção, é hora de voltar ao tema.
Este comportamento chunga e discriminatório de Proença e seus pares para com o capitão do FCP tem como pressuposto tudo o que foi dito sobre Diogo Costa após o FCP - Sporting.
Recordo e repito, a campanha contra Diogo Costa, simulou lesões, os apelidados time-out, começou nesse jogo do campeonato e foi encabeçada pela Média Livre e em particular por Pedro Galo. Depois foi uma farturinha, desde Mourinho até Luís Freitas Lobo, passando pelo treinador do Estoril, a campanha surtiu efeito e a FPF, porque não resistiu às pressões e para não ser criticada, atacada, tomou a posição mais fácil e cómoda: obrigou o capitão do FCP a apresentar-se, fazer um exame para verificar se estava ou não lesionado. Até poderia dizer que ainda bem, ficou provada a lesão. Mas conhecendo aquela gente tenho dúvidas que o assunto da "simulação" do guarda-redes dos Dragões tenha ficado encerrado. Aguardemos. Mais, ver alguns dos principais protagonistas dessa campanha fazerem-se de sonsos, desentendidos, criticarem este despautério federativo, é apenas um surreal exercício de cinismo e hipocrisia.
Passado tanto tempo, continuar sem assumir um erro grave e que adulterou a verdade desportiva, é feio e é uma grande cobardia, senhor Luís Godinho.
«Num painel moderado pelo ex-árbitro Artur Soares Dias, durante uma conferência que junta os mundos desportivo e empresarial, Luís Godinho abordou também a possibilidade do país adotar um sistema mais eficiente na análise do fora de jogo.
"Há sistemas mais rápidos e é isso que queremos. Com um jogo parado por vários minutos, 60 mil à espera e não podemos dizer mais do que 'esperem'... Temos de dar todos estes passos na procura de mais e melhor tecnologia, para nos podermos salvaguardar. O erro de arbitragem tem de ser diminuído ao mínimo, para ter cada vez menos impacto", expressou Luís Godinho, da Associação de Futebol de Évora.
O árbitro ilustrou um exemplo concreto pessoal, que remonta à época 2020/21, na qual Luis Díaz, na altura do FC Porto, rematou a bola e, ao colocar o pé no chão, partiu a perna a David Carmo, do Sporting de Braga, e recebeu ordem de expulsão.
"Em 100 anos de arbitragem, ninguém tinha visto um lance destes. Nessa altura, tentei justificar a minha decisão ao 'staff' do FC Porto, numa situação para a qual nem eu estava preparado. Essa decisão valeu seis meses com polícia à porta. As decisões dos árbitros extravasam o campo. Era uma decisão de '50/50', onde cada pessoa tinha uma opinião diferente. Tive de tomar uma decisão naquele momento e as consequências pessoais foram muito graves", vincou o árbitro internacional.
Luís Godinho apelou à mentalidade e à regulamentação do futebol português, para melhorar a forma como se vê e 'vende' o produto, em comparação com o futebol inglês, e sublinhou que não serão apenas os árbitros que têm de melhorar.»
Começo por deixar claro que acho lamentável que Luís Godinho tenha sido pressionado, ameaçado ao ponto de precisar de estar sobre vigilância policial durante seis meses. Mas o lance que envolveu Luis Díaz e David Carmo, ao contrário do que diz o árbitro de Borba e da AFE, não é um lance de 50/50, é um lance de 100%, é um erro grave que deixou o FCP a jogar com 10 quando estava a ganhar 1-0, viria a sofrer o empate e a ser eliminado nas meias-finais da Taça de Portugal porque na 2ª mão perdeu 2-3 com o S.C.Braga no Dragão. É sempre especulativo dizer que sem a expulsão de Luis Díaz o FCP teria ganho em Braga e depois no Dragão, pelo menos teria de jogar um prolongamento. Mas que no jogo de Braga, Luís Godinho adulterou a verdade desportiva, adulterou. E passado tanto tempo, continuar sem assumir, preto no branco que errou, não devia ter expulsado o colombiano do FCP, repito, é vergonhoso. Por isso Luís Godinho até pode fazer o pino, dizer «O preço que se paga por ser verdadeiro, sério e honesto é de tal forma alto, que só sabe mesmo quem o paga», mas ser verdadeiro, sério e honesto passa também por assumir os erros sem subterfúgios e com coragem. Muito provavelmente, se depois de ter visto o lance e o ter discutido com quem de direito, o árbitro assumisse o erro, teria evitado algumas situações constrangedoras e criticáveis porque passou. E nem sequer recorro ao histórico d eluís Godinho em jogos do FCP...


