terça-feira, 5 de maio de 2026
Este título é muito importante desportiva e financeiramente. A receita da Champions, a valorização de activos, fundamental num clube de sócios que neste momento não tem capacidade para deixar de ser vendedor - será que alguma vez terá? Digo FCP e também os principais clubes portugueses. Por isso, vender e comprar bem tem de ser a marca que nos continua a distinguir -, o entusiasmo dos adeptos que passarão de adeptos e simpatizantes a sócios, o merchandising, a exportação da marca, etc., ajuda muito, mas não é a panaceia que de repente resolve todos os problemas que o FCP tem. É preciso manter este rumo de rigor e competência, um FCP unido, solidário, forte dentro e fora do campo. É esse Porto na próxima época estará novamente na Champions League - nada a ver com a Taça dos Campeões Europeus que o FCP venceu em 1987, nem se fala na comparação com as vitórias do Benfica em 1961 e 1962 -, prova que já venceu em 2003/2004. Foi um feito que não tem paralelo em nenhum outro conseguido por um clube português num desporto colectivo. Nos actuais moldes da prova muito dificilmente um clube fora das cinco principais ligas do futebol europeu - Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália e França -, conseguirá conquistar aquela que é a prova rainha da UEFA. Por isso, entraremos para honrar os pergaminhos do FCP, mesmo sabendo que na Champions as dificuldades são muitas, tentar chegar à fase a eliminar, seja através da entrada directa, muito difícil, mas não impossível, ou através dos play-offs. Depois, como é costume dizer-se, vamos indo e vamos vendo, mas com ambição máxima. Não é para os tempos mais próximos - temos uma equipa com muita juventude que precisa de crescer, ganhar experiência ao mais alto nível -, mas se alguma vez for possível, se houver uma excepção à regra de o vencedor ser um clube do top five, chamem-me tolinho, mas deixem-se ter esta ilusão, aposto no FCP.
É recorrente no futebol português. Sempre que o Benfica se sente prejudicado, cai o Carmo e a Trindade. Através dos seus peões de brega, aqueles que vivem e se alimentam de polémicas, fazem disso o seu critério editorial, não largam o assunto, são horas e horas de emissão, sempre a cavalgar a onda. Que saudades tem o Benfica e todos aqueles que na altura branquearam o andor vermelho, dos padres que rezavam as missas ao sabor dos interesses do clube da Luz.
Espero que não se atrevam a colocar os árbitros e as arbitragens nos pratos da balança dos méritos do FCP na conquista do campeonato 2025/2026. Embora atendendo à forma como funcionam alguns OCS, aos seus critérios facciosos, sectários e sempre contra o FCP, e quem neles escreve, analisa ou comenta, não fosse para mim uma surpresa.
Para se ver até ao ponto que chegou a desfaçatez de alguns desses, conto um episódio que aconteceu na tarde de sábado e assisti no canal NOW. O autocarro do Benfica a caminho de Famalicão circulou pela Via de Cintura Interna, passou em frente ao estádio do Dragão. Na altura já estavam na zona do estádio milhares de adeptos do FCP que ao verem o autocarro e do lado de cá, atiraram com vários impropérios. Aconteceu com adeptos do FCP versus autocarro do Benfica, como aconteceria com adeptos do Benfica versus autocarro do FCP, ou adeptos do Sporting versus autocarro de FCP e Benfica em situação semelhante. Eu que estive na final da Taça de Portugal da época 1979/1980, o célebre jogo da santa aliança entre Benfica e Sporting contra o FCP e sei o que passaram todos os que iam no autocarro do FCP e o tempo que este demorou para chegar à zona dos balneários do Jamor; bem como sei o que sofreram os que viajavam lá dentro atacados à pedrada e com tudo que estava à mão, ao ponto de todos terem percorrido esse espaço deitados no chão do autocarro, não posso ficar surpreendido que estas coisas aconteçam. Não deviam? OK, tantas coisas que não deviam acontecer e acontecem. Mas acontecem com todos e como se disse, coisas muito mais graves aconteceram vai fazer 46 anos. Pois Mário Figueiredo, sportinguista e antiportista, no canal do grupo Média Livre, teve o desplante de culpar o presidente do FCP, AVB, pelo episódio que relatei.
No mesmo grupo, já começou a campanha para castigar jogadores do FCP pelo comportamento na festa do título. Para além disso, Pedro Galo, sempre ele, acha estranho que o árbitro Gustavo Correia que está na berlinda pelo que aconteceu no Famalicão - Benfica, tenha arbitrado duas vezes Benfica e Sporting e nenhum jogo do FCP.
A forma como às claras ou sub-repticiamente, afirmando ou insinuando, no grupo Média Livre se trata o FCP é uma vergonha. Como vários comentadores, supostamente isentos, tratam o FCP é absolutamente miserável.
Nota final:
O momento é de alegria, de festejar este título tão importante como merecido. Mas não podia deixar de dizer que o silêncio de alguns que estavam dentro, sabiam dos problemas, das dificuldades, da situação em que se encontrava o FCP e que não tiveram em conta nada disso, o contexto, passaram uma época que foi negativa a criticar, denegrir, colocar em causa a competência, pasme-se, diziam que os corpos sociais eleitos democraticamente e por uma margem que não deixou dúvidas sobre o sentimento de mudança, estavam a destruir o FCP. E esses mesmos diziam que o faziam por portismo. Pois o silêncio de alguns é ensurdecedor, mas não me surpreende.
Aprendi com os mais velhos portistas, incluindo JNPC, que o melhor do nosso portismo deve emergir nas dificuldades, quando não há sucesso porque quando tudo corre bem é fácil ser portista. Criticar com respeito, sendo objectivo e construtivo, OK, mas criticar por criticar, apenas para manter uma aura de independência que muitas vezes não resiste ao mais básico contraditório... não faz sentido. Pena que nem todos sigam este caminho...


